Carros elétricos substituirão camelos nas pirâmides do Egito

CAIRO

Francisco Carrion/Efe, O Estado de S.Paulo

18 Maio 2010 | 02h42

A imagem das dezenas de camelos parados em frente às Pirâmides de Gizé à espera de turistas está com os dias contados. Autoridades egípcias estão adotando medidas para que os animais se afastem da região e o transporte dos visitantes seja feito por carros elétricos.

"Já não podemos mais esperar aos pés das pirâmides com os animais", diz Gamal Sayed, que há 25 anos trabalha no lombo dos ruminantes perto das Pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos. Outros cinquenta condutores de camelos passaram a aguardar os turistas em um local provisório. De lá, fazem um passeio que leva até o ponto de onde se tem uma vista panorâmica das pirâmides, declaradas Patrimônio da Humanidade pela Unesco, e localizadas a 20 quilômetros do Cairo.

O secretário-geral do Conselho Superior de Antiguidades, Zahi Hawas, diz que a medida é uma tentativa de "salvar as pirâmides". E já comemora a retirada dos animais do entorno. "Muitos donos de camelos têm atitudes que denigrem a imagem do turismo local. Recebo cartas de pessoas dizendo que nunca voltarão ao Egito porque foram maltratadas ou enganadas por eles."

Com o novo projeto de modernização do planalto de Gizé, o acesso usado pelos ônibus turísticos também será outro. Segundo o secretário-geral, o visitante vai descer em frente aos estábulos e poderá decidir antecipadamente se deseja montar ou não em camelos ou cavalos. "A partir de agora, ninguém ficará rodeando turistas para perguntar se querem subir em um animal ou comprar uma lembrancinha."

Mesmo quem decidir fazer o passeio no lombo dos animais terá de saber que camelos e cavalos não chegarão mais tão perto dos monumentos. A alternativa será os carros elétricos, que estarão autorizados a ir até a segunda pirâmide. Daí em diante, será preciso continuar a pé.

A ideia, claro, é criticada pelos donos de camelos, que temem que o concorrente de quatro rodas ponha fim ao seu negócio. "Não obrigamos ninguém a subir nos animais e sempre negociamos o preço antes", explica Omar, outro consultor local. "Agora não temos escolha, vamos trabalhar onde nos permitirem ficar. Embora mais longe dos turistas, continuaremos oferecendo nossos passeios."

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