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Casamento em cruzeiro: diga sim em alto mar

Nos navios, cerimônia e lua de mel ocupam o mesmo cenário (de sonhos). E os noivos ainda reduzem muito os custos da festa

Bruna Toni, O Estado de S.Paulo

13 Outubro 2015 | 18h50

A marcha nupcial toca. O noivo aguarda ansioso ao lado do mestre de cerimônias. A noiva atravessa um estreito tapete vermelho. Aparentemente, trata-se de um casamento tradicional. Com uma diferença: sob os pés dos convidados, um oceano inteiro; ao fundo, o pôr do sol; e, no lugar de sinos, o apito do navio.

Esse será o cenário quando Nicole Erichsen e João Daniel Fa trocarem alianças, em março do ano que vem. Os dois sairão de Belém (PA), em direção ao Porto de Santos, no litoral de São Paulo, ao lado de mais 120 convidados. O destino final? Embarcar em um minicruzeiro de três noites para festejar o casório em alto-mar.

Casar em um navio não é exatamente uma novidade, mas tem sido uma escolha cada vez mais comum entre casais interessados em mudar de ares gastando pouco. Mesmo em tempos de dólar alto, a opção continua pesando menos no bolso dos noivos em comparação à cerimônia tradicional. Um dos motivos é o congelamento do valor da moeda norte-americana adotado por grande parte das companhias.

“Gastei um terço do que gastaria se fizesse em igreja e salão”, conta a administradora Paula Franceschini, de 36 anos, que trocou alianças em alto-mar com Werter Filho, de 31, em dezembro do ano passado, diante de 75 pessoas, em um cruzeiro entre Santos e Búzios.

A conta da economia é simples: se por um lado a lista de convidados tende a ser menor, já que a participação depende da disponibilidade de cada um, por outro, boa parte dos gastos são divididos com quem topa embarcar na viagem-cerimônia – um pacote em um minicruzeiro por destinos na América do Sul, com duração de três noites, sai a partir de R$ 609 por pessoa em cabine dupla na Royal Caribbean e desde R$ 595 na MSC.

Já em relação aos pacotes da cerimônia, pagos à parte, há para todos os gostos e bolsos, em navios simples e luxuosos. Cada companhia tem um cardápio de possibilidades, de casar no navio atracado a sair navegando por dias a fio. A maioria inclui bolo, decoração, fotógrafo, música, espaço dançante e bebidas por um tempo determinado, e um mestre para realizar a cerimônia simbólica.

Na MSC, com o dólar congelado a R$ 2,99, os pacotes de casamento custam de US$ 613 (R$ 1.833) a US$ 988 (R$ 2.955); na Royal Caribbean, entre US$ 2.070 e US$ 4.043; já na Iberostar, fretar o Grand Amazon, com destino a Manaus, por 24 horas ou mais, custa a partir de R$ 28 mil (sem incluir custos com alimentação e bebida).

‘Boom’. “Há um ano (casar durante uma viagem) foi um boom”, afirma Camila Piccini, CEO do Grupo Casar, que organiza eventos de casamento pelo Brasil – o próximo, Casar e Viajar, será realizado no Shopping JK Iguatemi, em São Paulo, em 26 e 27 de outubro.

O boom se refletiu em números. Na MSC, houve um aumento de 17% na quantidade de casamentos a bordo em 2014/2015 em comparação à temporada anterior, enquanto a Royal Caribbean registrou, no primeiro semestre, uma maior procura antecipada por pacotes (embora não especifique o número exato).

Para a organizadora de casamentos do Aonde Casar, Simone Tostes, cerimônias em cruzeiros saem mais em conta também em razão do número reduzido de convidados. “O menor casamento que faço em terra é para 250 pessoas”, diz.

Destinos. O tipo de cruzeiro mais procurado pelos noivos tem três noites. Isso facilita a adesão de convidados que não podem se ausentar do trabalho nem gastar muito. “Escolhi um fim de semana, de sexta a segunda”, diz Paula. Foi o que fizeram também Nicole e João Daniel, que marcaram a viagem para o período da Semana Santa.

Mas, claro, há sempre quem queira navegar por águas internacionais. “Quem viaja para fora do Brasil costuma ficar até 7 dias a bordo. Nestes casos, o nosso destino mais visado é a Grécia”, afirma Bruno Cordaro, gestor comercial da MSC. Outro queridinho, segundo Camila Piccini, é o Caribe, com destaque para Bahamas, que aprovou recentemente uma lei que autoriza os oficiais de companhias a realizarem, de forma legal, cerimônias em suas águas.

FESTA DURADOURA E DIVERSÃO PARA OS CONVIDADOS

Entre as grandes vantagens do casamento em alto-mar, a festa dura mais do que uma noite e há diversão de sobra para todos os hóspedes. Essa, aliás, é uma das melhores lembranças de Paula Franceschini de seu casamento, no ano passado. “A gente andava em batalhão no cassino, na piscina, na boate...”

Além disso, quase sempre é possível casar com o navio atracado, o que permite que alguns convidados possam subir a bordo apenas para participar da cerimônia – e não tenham de pagar nada a mais por isso.

Contudo, é preciso planejamento. “Organize tudo com antecedência para que os convidados possam se programar. É aí que você ganha as pessoas”, afirma a gestora comercial Renata Schwegler, de 33 anos, que, ao lado do marido Adam, de 30, agendou a festa em um cruzeiro de três noites entre Búzios e Ilha Grande para 164 convidados, no início deste ano.

Tanto Renata quanto Paula começaram os preparativos um ano antes da data. “A tabela de preços para temporada costuma abrir em maio, então comecei a planejar em fevereiro. É importante também para conseguir coisas diferentes”, conta Paula, que “perdeu” convidados que tentaram fechar de última hora e não conseguiram: o navio já estava lotado.

Praticidade. “Coisas diferentes” significa acertar detalhes importantes para deixar o casório do seu jeitinho. Explica-se: os pacotes oferecidos pelas companhias têm itens básicos – rosas brancas, bolo quadrado, sabores fixos. “Para pessoas práticas, é ótimo”, ressalta Paula.Para algo mais exclusivo, no entanto, é preciso negociar.

Adam e Renata, por exemplo, fizeram questão de um bolo falso (para as fotos), guardanapos temáticos e outros adereços. Também contrataram um fotógrafo particular para uma sessão extra de fotos em uma praia da Ilha Grande. Para se arrumar, a noiva reservou horário com o profissional do navio: “Foi arriscado, mas deu tudo certo”. Paula preferiu optar por um bom salão de beleza em Santos. “Uma galera foi lá se arrumar comigo”, lembra. Nem poderia ser diferente. Afinal, estavam todos no mesmo barco – e felizes, se não para sempre, ao menos por três noites.

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