Centenário do Titanic inspira homenagens

Seria de se perguntar o que vestidos coloridos e chapéus emplumados do começo do século 20 estariam fazendo em frente ao moderníssimo edifício de fachada metalizada na capital da Irlanda do Norte. Mas, em pleno 31 de março de 2012, as animadas mulheres em trajes de época não tinham nada de deslocadas. Participavam, isso sim, da festa de inauguração do Titanic Belfast, maior museu dedicado ao transatlântico no mundo - e mais um capítulo da obsessão planetária pelo naufrágio mais famoso da história, que completa exatos 100 anos no sábado, dia 14.

MÔNICA NÓBREGA, O Estado de S.Paulo

10 Abril 2012 | 03h08

Foi ali mesmo em Belfast, 103 anos atrás, que começou a construção do famoso navio. Mas, apesar desse papel decisivo na saga de glamour e tragédia, a capital mantinha-se afastada do interesse geral pelo Titanic - e do vaivém turístico que ele inspira.

Agora, ao mesmo tempo em que até o diretor James Cameron viu na efeméride a oportunidade de lançar uma reedição em 3D de seu filme com Kate Winslet e Leonardo di Caprio, 15 anos após a versão original (leia mais ao lado), Belfast decidiu sair do esquecimento. Seguindo palpites de Robert Ballard, o oceanógrafo que achou os destroços do Titanic no fundo do Atlântico em 1985, a cidade colocou de pé o novo ícone local. Com arquitetura que lembra quatro proas unidas, dez galerias, recursos tecnológicos de cair o queixo e a expectativa de atrair mais de 400 mil visitantes por ano.

Do contexto econômico que levou à escolha de Belfast como local para a construção do navio à elegância das cabines de luxo, dos momentos finais da viagem aos destroços submersos, o museu mostra a trajetória do Titanic em ambientes interativos, projeções e imagens gigantescas. Não há peças originais da embarcação - tudo é novo, reproduzido.

A experiência é também sensorial: o espaço dedicado à noite do naufrágio, por exemplo, tem temperatura e luzes mais baixas. E, no fim da mostra, surge uma réplica da grande escadaria, à imagem e semelhança da original. Para você se sentir Rose, a mocinha vivida por Kate Winslet, ou Di Caprio-Jack Dawson. Mais: titanicbelfast.com; entrada a 13,50 libras (R$ 39).

Festival. A inauguração do Titanic Belfast deu a largada também ao Festival do Titanic, série de eventos na capital da Irlanda do Norte que segue até o dia 22. Show de luzes, projeção de imagens e um baile de gala estão programados. Ingressos, no caso dos eventos pagos, estão à venda no site do governo local (www.belfastcity.gov.uk/titanic), que patrocina a movimentação.

E as celebrações para lembrar os 100 anos do naufrágio do Titanic se espalham por outros pontos do planeta, como você verá a seguir. Da inglesa Southampton, de onde o transatlântico partiu rumo ao seu fim, à improvável Cingapura, com artefatos expostos em um hotel de luxo.

 

Estados Unidos

 

Em 1987, John Joslyn foi um dos líderes de uma expedição que, em 44 dias e 32 mergulhos às profundezas do Atlântico, resgatou centenas de artefatos dos destroços do Titanic e mostrou ao mundo as primeiras imagens do gigante naufragado. Hoje, Joslyn é proprietário do Atração Titanic (titanicattraction.com; desde US$ 20,68 ou R$ 38), um dos museus mais interativos sobre o navio famoso.

 

Em duas unidades, nos Estados americanos de Missouri e Tennessee (nenhum deles à beira-mar, não custa citar a título de curiosidade) o museu reúne uma ampla coleção de objetos e experiências. “Quero que o público sinta o mais fielmente possível o que os verdadeiros passageiros e tripulantes do Titanic vivenciaram”, disse Joslyn na inauguração. Ele define seu museu como um “teatro ao vivo”, que tem os visitantes como parte da encenação. Faz sentido: você pode até casar no Titanic. Os espaços estão abertos a esse tipo de cerimônia, com agendamento e pagamento extra, claro.

 

Entre réplicas e peças reais, é possível tocar objetos de madeira finamente esculpidos que faziam parte da decoração original do Titanic; girar o leme na ponte de comando; ver como eram enviadas mensagens; sentir a temperatura de um iceberg; e, por fim, subir os degraus da grande escadaria central. Sempre ela. 

 

Nova York

 

Caso tenha à disposição a soma de US$ 189 milhões – em torno de R$ 346 milhões –, você pode se tornar o proprietário de uma coleção composta por cerca de 5,5 mil artefatos, como a luva da foto ao lado, recuperados entre os destroços do Titanic. Conduzido pela casa Guernsey’s (guernseys.com), em Nova York, o leilão foi determinado pela justiça dos Estados Unidos. A boa notícia para os meros mortais sem tanto dinheiro em caixa é que o novo proprietário será obrigado a manter partes da coleção expostas ao público em museus. Enquanto as preciosidades não são vendidas, algumas peças estão em exibição no Hotel Luxor (luxor.com), em Las Vegas. 

 

Cingapura

 

Até a distante Cingapura, no leste asiático, ajuda a turbinar a Titanicmania por conta do centenário do naufrágio. A mostra Titanic, A Exibição de Artefatos é destaque no ArtScience Museum, dentro do complexo de hospedagem e lazer Marina Bay Sands (titanic.sg; 24 dólares de Cingapura ou R$ 34), até o dia 29. Estão por lá 275 objetos recuperados dos destroços – 14 deles, segundo o museu, nunca foram expostos antes.

 

E para entender o que, afinal de contas, Cingapura tem a ver com o Titanic, vá à sala Singapore 1912. Com artigos de jornal e outros itens, ela mostra que o naufrágio teve forte repercussão no país asiático – embora nem eles pareçam saber bem o porquê.

 

Southampton

 

A cidade inglesa de onde o Titanic partiu para sua primeira e última viagem também criou seu próprio museu – a inauguração está marcada para hoje. Poderia ser só mais um. Mas seu foco é, no mínimo, incomum. O SeaCity Museum (seacitymuseum.co.uk; 8,50 libras ou R$ 25) decidiu analisar como o mundo conta, reconta e, algumas vezes, mostra completa obsessão pela saga do transatlântico.

 

“Procuramos contar uma parte diferente da história do Titanic”, disse o membro do Conselho Municipal de Southampton, Mike Harris. A primeira exibição temporária, batizada de Titanic: A Lenda, lança um olhar sobre as circunstâncias que permitiram que o navio se tornasse um mito global.

 

Em um mapa-múndi estão marcadas as localizações dos 1.160 memoriais espalhados por 34 países. Telas mostram trechos de cinco filmes inspirados na tragédia, do blockbuster de James Cameron ao mudo In Night and Ice. Itens menos óbvios são mostrados nas salas. Produtos da cervejaria O Titanic (titanicbrewery.co.uk), aberta em 1985 na cidade inglesa de Stoke-on-Trent, que fabrica ales inspiradas no navio, com nomes como Bote Salva-Vidas e Capitão Smith. O Titanic como tampa de ralo de banheira. Geringonça para fazer gelo em formato de iceberg. Diante das opções, até que os cartões- postais parecem souvenirs bem normais. /COM AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.