Mônica Nóbrega/Estadão
Mônica Nóbrega/Estadão

Chapada dos Veadeiros

Centro-Oeste convida a banhos de cachoeira em meio ao Cerrado

Felipe Mortara, Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

13 Junho 2017 | 04h00

Previsibilidade pode ser algo entediante, mas não quando se trata de planejar viagens. Certeza de tempo firme, por exemplo, pode transformar qualquer lugar. E, em termos de clima, poucos lugares no Brasil são tão previsíveis quanto a Chapada dos Veadeiros, em Goiás. De maio a setembro, dificilmente chove e o céu azul do Cerrado só faz inspirar a descoberta de um dos biomas mais incríveis do País, por entre cachoeiras multicoloridas, veredas e complexas formações rochosas. 

A proximidade do Distrito Federal torna a Chapada dos Veadeiros um lugar prático de chegar. Do aeroporto de Brasília, são 230 quilômetros pela BR-010 – uma boa pedida é alugar um carro e ir direto. O veículo será uma baita mão na roda para ir de um atrativo a outro, ainda que depois seja preciso caminhar para alcançar as cachoeiras. 

Espécie de balneário dos brasilienses, a chapada fica bem cheia em feriados e no mês de julho. Por sinal, de três a quatro dias são suficientes para visitar o essencial. Asfaltada, Alto Paraíso é a maior e mais organizada cidade, mas mantém um clima holístico e esotérico. Já a pequena São Jorge é mais anárquica e mochileira. Menos falada, Cavalcante tem agência do Banco do Brasil e concentra algumas das cachoeiras mais lindas. 

Uma vez por lá, comece com os clássicos. A 15 minutos a pé da entrada do parque nacional, São Jorge é um ótimo ponto de partida. Mais fácil de todas, a Trilha da Seriema tem 800 metros e é indicada para grupos com crianças e idosos. As outras duas trilhas principais, a dos Cânions e a dos Saltos demandam algum preparo físico para os circuitos de 11 e 12 quilômetros em cinco ou seis horas. O ideal é um dia para cada. Os percursos contam com boa sinalização, mas contratar um guia (R$ 100 por grupo) vale muito. E as recompensas vêm na forma de quedas d’água inesquecíveis. A dos Cânions leva à Cachoeira da Carioca e à do Rio Preto. Já a dos Saltos é a estrela do parque, um dueto simétrico de quedas de 80 e 120 metros.

Várias atrações estão em propriedades particulares, fora do parque. A mais famosa é o Vale da Lua (ingresso a R$ 15), formação rochosa que dá a um longo trecho do Rio São Miguel um aspecto lunar, repleto de pequenas crateras, grutas, passagens e piscinas naturais. Na alta temporada, tente ir cedinho ou ao entardecer para evitar tanta gente.

Nos arredores de Alto Paraíso, a Cachoeira das Loquinhas é uma parada surpreendente com seus sete poços cristalinos – basta seguir as placas até a fazenda homônima (R$ 20). A dez quilômetros, no caminho para São Jorge, a Fazenda São Bento concentra três belezuras, a cachoeira homônima e as Almécegas 1 e 2. Mas talvez a mais fotogênica de todas as quedas da chapada esteja em Cavalcante, a 90 quilômetros de Alto Paraíso. Com 30 metros de queda, a Cachoeira Santa Bárbara deixa todos boquiabertos com seu poço verde-esmeralda, muito distinto da coloração mais escura dos outros rios da Chapada dos Veadeiros. Sem dúvidas, um fim de viagem maravilhoso.

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