Chile, 45 dias depois

Chile, 45 dias depois

Ricardo Freire, O Estado de S.Paulo

13 Abril 2010 | 02h13

Highlights. A capital Santiago continua pronta a receber os turistas. Foto: Ricardo Freire/AE

 

  Dia 27 de fevereiro, sábado, 7h30 da manhã. Você provavelmente nem tinha acordado, mas eu já estava grudado à tela da televisão, assistindo às imagens do terremoto que, durante a madrugada, tinha devastado o centro do Chile. Havia o perigo de réplicas e um alerta de tsunami. E havia também uma passagem emitida no meu nome para um cruzeiro que sairia naquela noite de Ushuaia, na Terra do Fogo argentina - onde eu estava - até Punta Arenas, na Terra do Fogo chilena. No meu lugar, você embarcaria ou desistiria?

Tranquilizado pela informação de que a Patagônia não tinha sentido o terremoto, embarquei - e mantive o plano original de fazer um zigue-zague entre Argentina e Chile durante 40 dias. Desta maneira tive a oportunidade de testemunhar in loco aquilo que o nosso mr. Miles, o homem mais viajado do mundo, tinha apurado na semana seguinte ao terremoto: que o Chile estava pronto para continuar recebendo quem quisesse ver suas belezas. Veja um breve relatório do que vi em cada região do país.

Santiago. O aeroporto operou de maneira precária por três semanas (a ala doméstica funcionando sob tendas), mas agora todos os embarques e desembarques voltaram a ser feitos pelo prédio principal. Fiz três voos domésticos, todos pontuais. Na cidade, tudo normal: metrô funcionando, museus abertos, bairros boêmios (Bellavista, Lastarria, avenida Nueva Costanera) com restaurantes e bares lotados. A moderna Santiago foi construída para suportar sismos e resistiu bravamente ao megaterremoto de fevereiro.

Esqui. Nem as estações, nem as vias de acesso sofreram danos estruturais importantes - mesmo nos arredores de Santiago. Quem aproveitar o melindre do brasileiro em ir para o Chile neste inverno vai encontrar bons preços e pistas desobstruídas.

Viña del Mar e Valparaíso. O passeio a Viña del Mar, que normalmente já é menos interessante no inverno - afinal, trata-se de um balneário - perdeu mais um atrativo: os palácios que formam o patrimônio histórico da cidade (Vergara, Carrasco, Rioja, além do Teatro Municipal) permanecerão fechados ao público por tempo indeterminado, até passarem por reformas. Em compensação, a vizinha Valparaíso continua animadíssima (programe um fim de semana hospedado num dos hotéis dos cerros Alegre ou Concepción, que são o epicentro da muvuca).

Enoturismo. De todos os assuntos de interesse do visitante no Chile, este foi o mais prejudicado - afinal, muitas das vinícolas têm sedes, ou bodegas, muito antigas, construídas antes do advento da tecnologia antissísmica. Pouco a pouco, porém, as vinícolas vão voltando ao normal; a maioria estará reaberta ainda em abril (inclusive no vale do Colchágua, que foi o que sofreu mais). Antes de programar sua viagem, entre nos sites das vinícolas que você quer visitar: se não houver informação sobre as atividades pós-terremoto, mande um e-mail, que será respondido.

Atacama. Não se impressione com as notícias de tremores no norte do Chile: foram eventos menores que não se fizeram perceber na região turística. É uma excelente época para viajar para lá - é no inverno que os gêiseres de Tati ficam mais imponentes.

Lagos Andinos. O terremoto chegou a ser sentido em Puerto Montt e Puerto Varas, assustando moradores e turistas - mas não houve nenhuma sequela. Tudo está funcionando normalmente - com exceção dos estabelecimentos que costumam fechar na baixa temporada.

Patagônia e Terra do Fogo. A chamada Patagônia austral ficou totalmente de fora do foco dos tremores. A nova temporada começa em setembro; fique de olho nas promoções.

Travessia a Mendoza. O trecho chileno da travessia dos Andes entre Santiago e Mendoza já estava em reformas antes do terremoto. Há alguns pontos de retenção, mas nada que chegue a transtornar a viagem, que é espetacular. (Atenção: no inverno a estrada pode fechar durante várias horas por conta de excesso de neve.) A região de Mendoza, do lado argentino dos Andes, não sentiu o terremoto - nos próximos meses, é a região mais indicada para quem quer fazer enoturismo.

Réplicas. Todo grande terremoto vem acompanhado por tremores secundários, conhecidos como réplicas. Algumas réplicas viram notícias distribuídas por agências internacionais, que acabam dando a impressão de que o Chile continua tremendo. Na verdade, nenhum tremor abaixo dos 6 pontos na escala Richter faz cócegas no Chile moderno; são acontecimentos corriqueiros que passam despercebidos. É altamente improvável que um outro megaterremoto ocorra nos próximos anos no país.

Promoções. Até quinta-feira, dia 15, a LAN vai vender passagens de ida e volta a 14 destinos chilenos por US$ 299 (mais taxas), para viagens até 16 de junho - confira se ainda sobrou alguma. E fique atento para ofertas de passagens, hospedagem e pacotes que devem aparecer até que o mundo esqueça o que aconteceu naquela madrugada de fevereiro.

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