Viagem

Cinco curiosidades sobre o Caminho de Santiago

1. 'O' CAMINHO NÃO; 'OS' CAMINHOS

05/09/2015 | 00h01    

Felipe Mortara - O Estado de S. Paulo

Peregrinos em Atapuerca, nas proximidades de Burgos

Peregrinos em Atapuerca, nas proximidades de Burgos Foto: Felix Ordonez/Reuters

Caminho Aragonês, Francês, Sanabrês, Primitivo, do Norte, Vasco, Baztanês, de San Salvador, de la Plata. Ufa. Bem como a Roma, muitos percursos levam a Santiago de Compostela. Isso porque, a partir da Idade Média, as pessoas saíam de suas casas para rumar ao santuário, criando várias rotas. O Caminho Francês (que será percorrido pela equipe do Viagem) é o mais famoso, já que era a rota de entrada na Península Ibérica para peregrinos de toda a Europa e, do ponto de vista geográfico, é o mais simples. Ao longo dos séculos, este passou a ser considerado o Real Caminho de Santiago. Curioso pensar que, por qualquer caminho que se viesse, até o século 19, a única forma de retornar de Santiago também era a pé ou a cavalo e carroça. Hoje não se vê peregrinos no fluxo oposto: a maior  parte encerra ali a jornada e volta para casa de trem, ônibus ou avião.

2. AFINAL, O QUE É A COMPOSTELA?

A compostela ou compostelana é o certificado de peregrinação concedido pela Igreja Católica aos que percorrem ao menos os últimos 100 quilômetros a pé ou 200 quilômetros em bicicleta. Para obtê-la, os peregrinos devem conseguir suas credenciais com as juntas religiosas de cada cidade – é algo absolutamente fácil ao longo do percurso, e cada uma custa de 1 a 3 euros. A ideia é que, a cada parada em lojinhas, albergues e igrejas, o passaporte peregrino seja carimbando para comprovar a passagem por todos os cantos.  

3. PARA ZERAR OS PECADOS

Os anos tradicionalmente mais cheios no Caminho são os chamados anos compostelanos ou ano santo jacobeu. É o ano em que o dia do apóstolo, 25 de Julho, cai em um domingo. O último foi em 2010 e o próximo será apenas em 2021. Peregrinos que realizarem seus caminhos, orarem e comungarem nestes anos recebem da igreja indulgência completa de seus pecados.

4. SIGA A SETA

Peregrinos em Villafranca Montes de Oca, próximo a Burgos

Peregrinos em Villafranca Montes de Oca, próximo a Burgos Foto: Felix Ordonez/Reuters

As setas amarelas pintadas em placas, pedras e paredes que orientam os peregrinos ao longo de todo o trajeto foram criadas na década de 1980 1950. Mesmo quem não tem mapa, pode se situar apenas seguindo as setas. Alguns albergues até entregam setas aos peregrinos, para que sejam repostas em determinados lugares ao longo do Caminho. Considerado o impulsionador do caminho na era moderna e autor da ideia, o padre Elias Valiña (1929-1989) delimitou e sinalizou o Caminho. Sua sepultura está em O Cebreiro.

5. DEFUMADOR GIGANTE

Defumador é "manobrado" por seis pessoas

Defumador é "manobrado" por seis pessoas Foto: Divulgação

Objetivo final e permanente do Caminho, a Catedral de Santiago de Compostela não alcançou o status de lugar santo à toa. Foi erguida sobre o local onde foram achadas as relíquias de Tiago Maior, um dos 12 apóstolos de Cristo. Desde 1128 a estrutura foi sendo incrementada, com destaque para as torres barrocas do século 17. Entre as tradições, os peregrinos costumam abraçar o santo e muitas vezes tirar uma foto com ele. Mas a unanimidade é assistir à missa dos peregrinos, todo santo dia ao meio-dia e às 19h30. Ali, o peregrino conhecerá o botafumeiro, imenso porta-incenso (o atual tem 1,60 metro de altura e pesa 80 quilos)  balançado por seis homens com a ajuda de cordas, de um lado para o outro da catedral. Acredita-se que foi criado entre os séculos 13 e 14 para defumar a catedral e tentar amenizar o odor intenso dos peregrinos que se amontoavam para assistir à missa. A peça despencou quatro vezes até hoje, mas nunca feriu ninguém.