Bruna Tiussu/Estadão
Bruna Tiussu/Estadão

Com sol ou chuva

São apenas 100 dias secos durante o ano, segundo as estatísticas. Por isso, não se intimide se o dia estiver cinzento: pegue sua capa e vá explorar os cantinhos dessa capital com jeito de interior

BRUNA TIUSSU / BELFAST, O Estado de S.Paulo

12 Fevereiro 2013 | 02h07

As marcas do turbulento passado de conflitos entre católicos e protestantes hoje se restringem aos grafites dos muros da chamada Shankill Road, via que liga o centro à região oeste de Belfast. E, obviamente, à memória dos moradores que, naquele inglês com sotaque difícil, pouco se mostram dispostos a falar sobre o Exército Republicano Irlandês (IRA) e fatos sombrios que habitam sua história recente. Eles querem é mostrar as belezas de seu país, a capital cheia de novidades para estrangeiros - os quais, por ora, também são novidade por lá. Panorama que faz aumentar a euforia hospitaleira dos norte-irlandeses, que só faltam pegar na sua mão para mostrar cada cantinho do destino.

Optando ou não por um guia nativo, é fácil e agradável conhecer Belfast. Com ares de cidade do interior, os prédios simbólicos ficam no centro: a prefeitura, cujo interior guarda lindas pinturas e está aberta a visitas, a Catedral St. Anne e o Albert Clock, símbolo local, instalado no meio de uma das principais vias.

O bacana mesmo é caminhar pelas ruas dali com tempo para conferir uma ou outra prateleira e araras das lojinhas e se habituar com os bares sempre movimentados. Tire a prova - e garanta seu pint - nas ruelas ao redor da Howard Street, a qualquer hora do dia. Apesar da fábrica original estar na outra Irlanda, em Dublin, as Guinness também se espalham pelos pubs de Belfast.

Um outro balcão curioso atrai visitantes para as margens do Rio Lagan - que corta a cidade e abriga, de um lado da orla, casas e prédio baixos bem planejados. Instalado dentro de um barco, o Belfast Barge (belfastbarge.com) é uma mistura de galeria, bar e centro cultural. Além dos eventos que promove, tem amplo acervo de objetos e fotos sobre a vida marítima na capital, organizados em uma breve exposição. Sem falar nos caprichados drinques e cafés que compõem o cardápio.

Foi lá que recebi de um senhor irlandês a sugestão de visitar o St. George's Market, dessa vez para conhecer as delícias gastronômicas locais. Realizado às sextas-feiras, sábados e domingos, conta com barracas de pães e bolos feitos na hora, frutas e legumes produzidos nos arredores e, claro, ampla variedade de frutos do mar frescos. O mercado, ainda bem, tem área com mesas para o visitante provar o que mais lhe agradar ali mesmo.

Ícone. Mas a menina dos olhos da capital no momento é o Centro Titanic (eles preferem o termo experiência a museu). Explica-se: o navio, que afundou em abril de 1912 em sua viagem inaugural, foi construído nas docas da cidade - e a atração fica a menos de 100 metros do ponto de onde o gigante zarpou. Antes mesmo de ser aberto ao público, um mês antes do centenário da embarcação, celebrado no ano passado, o prédio com fachada de placas de alumínio tridimensionais (que se assemelham ao casco da embarcação) já fascinava os locais.

São 10 galerias em seis andares que relembram a concepção do navio (obra da empresa local Harland & Wolffem), suas particularidades, detalhes do naufrágio e das buscas por vestígios. A interatividade é constante: um simulador viaja pelo Titanic ainda em construção, como se você fosse um dos operários. O vídeo 3D passeia pelos andares da embarcação durante o último jantar, quando parte dos passageiros perceberam a água que entrava no salão. Graças ao chão de vidro, você caminha sobre um aquário que simula o fundo do mar onde jaz o navio.

Como de praxe, uma lojinha e um café somam-se aos ambientes. Neste último, provei mais uma atração: a cerveja Titanic. Dica de outro morador de Belfast.

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