Jota Marincek/Divulgação
Jota Marincek/Divulgação

Com viajante idoso, planejamento é tudo

Repórter conta quais cuidados que ela própria teve de ter para viajar com a avó de 81 anos à Polônia

Aryane Carraro/Estadão,

14 Outubro 2013 | 18h43

Recentemente, levei minha avó de 81 anos à Polônia, sua primeira viagem internacional. Dona Angélica toma lá seus remédios para a pressão e o coração, mas tem boa saúde. Anda sem apoio, mas sofre com escadas e não consegue caminhar rapidamente. A viagem era uma promessa e um presente: eu a levaria para o país de onde vieram seus ancestrais. Mas virou uma dúvida: que cuidados devemos ter com idosos que não estão acostumados a grandes deslocamentos?

Na consulta ao cardiologista tiramos as dúvidas sobre sua condição para enfrentar um voo de 12 horas. Recebemos apenas recomendações triviais: beber bastante líquido durante a viagem, usar meia-calça de compressão média e caminhar de duas em duas horas.

A preocupação seguinte foi avisar à agência que nos receberia na Polônia de sua condição física. Ainda assim, fiz questão de perguntar se havia elevadores nos hotéis no ato de reserva - naquele em que minha vigilância falhou, tivemos de enfrentar as escadas. Resultado: ela não quis sair do quarto para jantar. A localização deve ser analisada com cuidado. Dei preferência a hotéis que ficavam no centro antigo das cidades, pois a chance de ter restaurantes por perto era maior, o que facilitaria a saída noturna para o jantar.

Para circular entre várias cidades de norte a sul da Polônia optamos por um carro com motorista e guia que falava espanhol. A van à disposição evitaria o corre-corre dos pacotes tradicionais e seria uma garantia de um banco confortável quando ela se cansasse.

E na conexão? Uma última coisa me preocupava: nossa conexão para Varsóvia seria em Amsterdã, um aeroporto gigante onde já tive de correr para não perder o voo seguinte. É claro que havia optado por uma conexão em que teríamos duas horas e meia de espera, uma boa folga. Mas há sempre a possibilidade do voo atrasar, e fazer dona Angélica correr estava fora de cogitação. Além disso, a distância entre uma asa e outra certamente a cansaria. A solução foi pedir à companhia aérea que providenciasse uma cadeira de rodas na chegada a Amsterdã. Foi a melhor decisão da viagem. A cadeira (ou o carrinho elétrico, na volta) estava à espera dela assim que passamos pela primeira revista, perto do avião. E, pela expressão de satisfeita em seu rosto, tive certeza de que fiz a coisa certa. / ARYANE CARARO

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