Pedro Venceslau/Estadão
Pedro Venceslau/Estadão

Comida boa morro acima: saiba onde comer bem em favelas do Rio de Janeiro

Encarar ladeiras e escadarias das comunidades pacificadas rende belas vistas, além de bebidas e petiscos memoráveis

Pedro Venceslau , O Estado de S. Paulo

05 Agosto 2016 | 15h29

RIO DE JANEIRO - Oito anos depois de o Rio de Janeiro anunciar a criação das polêmicas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nas favelas cariocas, a estratégia de segurança pública traçada pelo ex-governador Sérgio Cabral deixou ao menos um legado turístico: um roteiro gastronômico nada óbvio.

É preciso estar com o fígado em dia e ter disposição para encarar subidas e escadarias que parecem não ter fim. Ou coragem para se aventurar na garupa dos pilotos de mototáxis, que não fariam feio em algum dos filmes da franquia Velozes e Furiosos. Em troca, os melhores visuais panorâmicos da Cidade Maravilhosa, drinques, cervejas e suculentas comidas de boteco.

O trajeto começa no Morro da Babilônia, no Leme, em local que em outros tempos só era acessível a moradores, além de policiais, traficantes e consumidores de drogas. Na Ladeira Ari Barroso, faça uma primeira parada no tradicional Bar do David para experimentar os suculentos tacos de costela de porco com geleia de abacaxi, pimenta e hortelã (R$ 30). O principal prato da casa, no entanto, é a feijoada de frutos do mar (R$ 35).

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Siga pela Ladeira Ari Barroso de táxi ou mototáxi. No fim, encare sem pensar muito um labirinto de escadarias seguindo sempre a marcação ‘BA’ pintada nos degraus. 

Chegar ao Bar do Alto é notar que estrangeiros formam a maioria do público. A vista aérea cobre toda a extensão das praias do Leme e Copacabana. Os drinques são preparados com espumante e frutas como açaí e morango (R$ 24). A peça de resistência é o apetitoso harumaki de feijoada (R$ 25, oito unidades).

Adiante pela rota Leme-Pontal, a próxima parada é a comunidade do Vidigal, entre o Leblon e São Conrado. No morro que inspirou o fictício Morro da Macaca na novela A Regra do Jogo, da TV Globo, está localizado o Bar da Laje.

Não há vista mais deslumbrante do Rio de Janeiro – pelo menos em uma mesa de bar. O bar fica ao lado do “arvrão”, onde antes funcionava a base do tráfico na região. Está junto ao Morro Dois Irmãos, perto do Parque Sitiê (parquesitie.org). O cardápio é bem variado. Tem bolinhos de vaca atolada (R$ 27), pastel de camarão (R$ 7) e porções com preços mais salgados, como o camarão da laje (R$ 60). 

 

Com apoio. Publicada em novembro do ano passado, a segunda edição do Guia de Favelas Rio, iniciativa do Sebrae, inclui 11 comunidades (veja em visitefavelario.com.br). Só na Rocinha, maior favela da América Latina, são 27 paradas para forrar o estômago.

Entre os locais mais bem avaliados na comunidade virtual de viajantes TripAdvisor.com.br estão a Cozinha das Baianas (Travessa Oliveira, 8) e a Barraca das Baianas (Travessa Aníbal Félix de Souza), ambas sob o mesmo comando. Na primeira, come-se sentado à mesa em um espaço fechado; a segunda funciona na rua e com porções menores. O prato mais procurado é o estrogonofe baiano, com tempero especial, que custa R$ 14 na Cozinha e R$ 8 na Barraca. Para chegar, siga pela Via Ápia, a principal da Rocinha, a partir da Passarela da Rocinha. Informações: barracadasbaianas@hotmail.com; tel.: 21-9-8406-4349.

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Seguindo para o centro está o Bar do Tino, uma das paradas gastronômicas mais famosas do Morro dos Prazeres, no simpático bairro de Santa Teresa.

Especializado em comida nordestina, o local ganhou notoriedade entre o público do asfalto principalmente depois de ter vencido o concurso Comer & Beber da Paz promovido pela revista Veja Rio em 2013. O bar do paraibano Severino Alves Sobrinho, o Tino, venceu com o melhor prato – frango no bafo completo, a R$ 55 para três pessoas (saiba que é possível trocar pela costela no bafo, R$ 85) – e com a melhor vista – da Baía de Guanabara ao Corcovado. 

O Bar do Tino está na casa 7 do número 3780 da Rua Almirante Alexandrino. Abre de sexta a domingo, das 13 às 19 horas, e nos outros dias da semana sob reserva (21-2225-5780). Chegar até ele caminhando morro acima demora cerca de dez minutos, a partir do Condomínio Equitativa.

QUIOSQUES SERVIRÃO DRINQUES REGIONAIS

Se a caipirinha já é o drinque mais típico do Brasil do ponto de vista dos turistas estrangeiros, por que não prepará-la também com cajá, cupuaçu, carambola e outros ingredientes tipicamente brasileiros? Até 30 de setembro, os quiosques das praias de Copacabana, Leme e alguns da Barra da Tijuca oferecerão um cardápio especial de bebidas batizado Sabores do Brasil. 

A iniciativa é da Orla Rio, empresa que administra 309 quiosques na orla carioca, do Leme à Prainha. Além das caipirinhas feitas com variadas frutas regionais brasileiras, há opções com chá mate e café. Os preços começam em R$ 18 – com 20% de desconto para quem tiver o Passaporte Cultural Rio. / COLABOROU BRUNA TONI

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