Comida de grife em pleno voo

Chefs brasileiros e restaurante com estrela Michelin ocupam mesinhas de aviões para melhorar a experiência dos passageiros nas alturas, inclusive na classe econômica

MÔNICA NOBREGA, O Estado de S.Paulo

15 Julho 2014 | 02h06

Grife por todo lado (chefs Rodrigo Oliveira e Thiago Castanho, café Suplicy). Um cafuné na brasilidade (cuscuz, beijinho), outro tanto de sabores conhecidos (queijadinha). São estes os ingredientes da receita atual das companhias aéreas para melhorar a experiência dos passageiros à mesa. Mesinha, melhor dizer. Vale comemorar: a sofrida classe econômica, aquela que come com movimentos curtos e calculados para não despejar no cobertor o copo de guaraná do vizinho, também está, enfim, merecendo um pouco de atenção gastronômica.

Novidade expressiva está na ponte aérea da Gol (voegol.com.br), que entrou junho com cardápio reformulado: saíram bolachas e salgadinhos, entraram queijadinha, bolo de queijo com goiabada e torta salgada, servidos de manhã (6 horas às 9h40) e das 15h40 em diante. "É uma evolução geral da indústria", disse o diretor de Produtos da Gol, Paulo Miranda.

Miranda afirma ainda que a companhia não optou por lanches aquecidos porque o tempo de voo no trecho entre os aeroportos de Congonhas e Santos Dumont, menos de uma hora, impossibilita um serviço de bordo complexo. "Em dois meses de pesquisa, ouvimos dos passageiros que queriam opções leves e práticas", disse.

Os tais bolos e tortas chegam apenas à ponte aérea, trecho no qual a Gol opera 62 voos dos seus 920 diários e que recebe 50% dos passageiros em viagens de negócios.

Nos demais voos da companhia com duração superior a uma hora, permanece a venda de lanches e bebidas, implantada há três anos, sem opções oferecidas como cortesia. Voos curtos (menos de 60 minutos) em outros trechos seguem no velho esquema do amendoim com bebida.

Grãos. A TAM trouxe para os voos operados entre os aeroportos de Confins (Belo Horizonte), Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Santos Dumont (Rio) e Congonhas (São Paulo) o café Suplicy, marca que tem uma dezena de cafeterias descoladas pelo País.

Segundo a companhia, serão oito milhões de passageiros por ano a desfrutar do café especial nos voos pelo Brasil - trechos internacionais servem o produto desde novembro passado. A escolha da marca coube à consultoria da barista e mestre de torras Isabela Raposeiras, do paulistano Coffee Lab.

Para comer, sanduíches de peito de peru e lombo canadense, servidos regularmente nos voos da TAM. A empresa não aderiu aos petiscos industrializados que, por anos, viraram febre nas alturas e, agora, para felicidade geral dos passageiros, parecem ter caído em desgraça.

 

Mais conteúdo sobre:
Viagem Avião Passagem Aérea

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.