Como lidar com a claustrofobia

Mr. Miles agradece pelos muitos e-mails que recebeu nesse período de férias. E informa que, após uma profícua temporada de birdwatching na Colômbia, voltará ao Condado de Essex para comemorar o "aniversário inventado" de Trashie, sua raposa das estepes siberianas. Nosso correspondente, aliás, acumula, em sua caixa postal, uma série de mensagens de leitores eventuais, que querem saber mais sobre a cadelinha que o grande viajante encontrou, há muitos anos, em Irkutsk, na Sibéria. Decidiu responder à questão mais frequente que é sobre como ela o acompanha nos aviões: "Well, my friends: Trashie é um pouco grande para viajar na cabine, mas algumas comissárias minhas amigas fazem vistas grossas para essa exigência. Ela jamais as decepciona, porque viaja em silêncio absoluto, nunca sequer urinou a bordo de uma aeronove - siberian self-control, I suppose - e senta-se sob a poltrona quando há turbulências. However, quando é obrigada a viajar no compartimento de cargas fica triste, mas também não reclama. Desde, é claro, que eu a deixe abastecida com uma mamadeira de scotch 12 anos. Ela sabe sugá-la parcimoniosamente, of course". A seguir, a pergunta da semana:

O Estado de S.Paulo

15 Janeiro 2013 | 02h10

Querido mr. Miles: cada vez que leio seus artigos fico com mais vontade de viajar. Meu marido, porém, sofre de claustrofobia e não entra, nem amarrado, em aviões ou navios, de modo que meu horizonte é diminuto. O que você sugere?

Carolina Peters Azevedo, por e-mail

"Well, well, my dear Caroline, eis uma questão delicada. A claustrofobia, as you know, é um distúrbio de intensidade variável, cuja superação é possível, mas, sometimes, longa e penosa. Tenho alguns amigos que padecem desse mal, com reações distintas. O caso mais radical que conheço é de um antigo comandante de submarinos da Royal Navy, que, após anos de imersão, pediu baixa e decidiu nunca mais entrar em qualquer recinto fechado. Hoje, Riddick - esse é seu nome - é personagem popular em Chesil Beach, no sul da Inglaterra. Dorme nas praças, jamais entra em qualquer recinto fechado e quando quer beber uma Guinness ou comer uma kidney pie, faz seu pedido pela janela dos pubs que já o conhecem.

O caso de Riddick é incorrigível, my dear. Mas há outros que, apesar do sofrimento, não permitem que o mundo lhes feche a porta. My good friend Tony Queiroga (também chamado Tony on the Rocks, por seu apreço a bebidas com gelo) não entra em elevadores ou aviões. Contudo, darling, para não diminuir seus horizontes, tomou two very wise decisions. Abriu uma hospedaria, onde recebe gente do mundo todo, e comprou uma motocicleta Triumph, com a qual tem viajado fartamente. É uma logística engenhosa. Ele parte para um determinado destino na companhia de seu springer spaniel Jimmy Hendrix (que usa o capacete sem ganir) e, ao chegar, vai direto ao aeroporto para encontrar a esposa que, of course, viaja de avião.

I don't know, my dear, se seu marido tem o espírito criativo de Tony ou a triste apatia de Riddick. Mas lembro-me, vagamente, de que o casamento tem algo a ver com compartilhar alegrias e tristezas. Am I right? Se você tem compartilhado a triste realidade da claustrofobia de seu companheiro, é justo que ele se esforce para compartilhar a sua alegria de viajar, buscando auxílio profissional ou soluções criativas.

Em último caso, I must say, viajar sozinha pode ser uma ótima alternativa. Converse com ele e, for sure, as coisas se arranjarão. Ou estaríamos diante do primeiro caso de claustrofobia infecciosa jamais descrito?"

É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO. ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E 16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

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