Shannon Stapleton/Reuters
Shannon Stapleton/Reuters

Como ser um viajante-bambolê

Dicas para desviar de imprevistos de viagens

Adriana Moreira, O Estado de S. Paulo

15 Maio 2018 | 03h00

Você pode planejar as suas viagens detalhadamente, checar as datas e horários mais de uma vez, fazer tudo como manda o manual do bom viajante. Mas, às vezes, as viagens – ou melhor, a vida –, têm seus próprios planos, aparentemente baseados na famigerada Lei de Murphy. E são nesses momentos que o viajante-bambolê vai se dar melhor.

Como se pode presumir, o viajante-bambolê é aquele com jogo de cintura, o que tem a malemolência de um Keanu Reeves em Matrix para se desviar de roubadas e não se deixar abalar quando as coisas não saem exatamente como planejadas.

Posso dizer que, nesses anos de viajante contumaz, já trago o bambolê logo na bagagem de mão (metaforicamente, ok?) – Murphy pode atacar a qualquer momento. Aqui, listo algumas dicas para você também ter o seu a postos.

1. Inverta as expectativas: parta do princípio que sua mala não vai chegar. 

Não é coisa de pessimista nem “vai atrair coisa ruim”, como dizem as avós. Conexões curtas, greves ou erro humano são suficientes para sua querida mala não desembarcar com você – e se tiver invertido as expectativas, você estará prevenido. Foi exatamente isso que aconteceu depois do meu longo voo até a Austrália, tema da minha última coluna . Não fui só eu: todo mundo que veio de São Paulo e fez conexão em Santiago ficou sem bagagem. Eu, porém, tinha na bagagem de mão tudo que precisava para ficar até dois dias sem mala. De quebra, ganhei 120 dólares australianos da empresa aérea para despesas de emergência e a promessa (cumprida) que a mala seria entregue no meu hotel no dia seguinte. Fica a lição: não despache nada que seja imprescindível para você, como câmeras, remédios ou material de trabalho.

2. Faça do limão uma limonada (ou uma caipirinha).

A previsão do tempo era de sol, mas choveu. O museu que você mais queria ver estava fechado no dia de sua visita. A comida daquele restaurante caro, que você estava louco para conhecer, não correspondia à fama (e aos preços do menu). Ficar emburrado não vai resolver nada. Choveu? Que tal aproveitar o dia livre para descansar e curtir o hotel, pegar um cinema ou fazer as inevitáveis comprinhas? Museu fechado? Use o tempo livre para curtir a cidade sem roteiro definido ou substitua por outro passeio próximo – ter um plano B na manga (e internet à mão, quando possível) ajuda. Restaurante ruim? Não volte – e use os fóruns de viajantes para alinhar as expectativas de outros turistas em relação ao lugar. E, para aplacar o mau humor, coma uma excelente sobremesa. Em outro lugar, claro. 

3. O dólar subiu? Não se desespere. 

Quem segue as dicas que damos aqui no Viagem sabe que o ideal é comprar uma quantia de moeda estrangeira por mês para não sofrer tanto com as oscilações do câmbio. “Ih, mas decidi tudo em cima da hora”, você pode dizer. Bem, se esse é o caso e seu orçamento é limitado, use seu bambolê dourado e troque de destino. Argentina, Bolívia, Tailândia são algumas opções baratas para brasileiros – e por que não escolher um destino nacional? O site Quanto Custa Viajar pode ajudar nessa adequação do orçamento. Tudo isso, logicamente, se não tiver feito as reservas; caso tenha, coloque no papel se seu prejuízo será maior cancelando a viagem ou aumentando o orçamento.

4. Melhor que remediar.

Não dê espaço para as roubadas. Faça seguro viagem; leve dinheiro de várias formas (cash, cartão de crédito, débito pré-pago); desconfie de mercadorias com preço muito abaixo do normal; não descuide da segurança; evite fazer um roteiro apertado demais (você pode ser surpreendido por uma greve, como a da Latam no fim de abril, e ter seu voo cancelado); saia cedo para o aeroporto; tenha seu passaporte escaneado na nuvem, mas não confie apenas no celular: leve informações importantes (como telefone da embaixada brasileira, endereço do seu hotel) escritos em um caderninho. Afinal, é bom ter o bambolê a postos – mas melhor ainda é não precisar usá-lo.

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