Conforto sem ostentação de Punta Arenas a Ushuaia

Mesmo já tendo passado das 18 horas, o sol brilhava e o céu estava totalmente azul quando os passageiros do cruzeiro Stella Australis embarcaram, no início do mês, para uma jornada em direção ao Cabo de Hornos, ponto mais ao sul das Américas. O navio pequeno, com capacidade para 210 passageiros, vai de Punta Arenas, no lado chileno, a Ushuaia, na Argentina, em quatro noites. No caminho, paradas estratégicas para observar a flora e a fauna da região, além, é claro, dos glaciares belos e eternos da Patagônia.

PUNTA ARENAS, O Estado de S.Paulo

26 Novembro 2013 | 02h18

A viagem começa pelo Estreito de Magalhães e passa por fiordes e cadeias de montanhas nevadas da Cordilheira Darwin. Das cabines, com grandes janelas de vidro, dá para ver tudo lá fora. Mas bom mesmo é ir ao convés - mantenha as baterias do celular e da câmera carregadas, não vai faltar o que fotografar.

Lá fora faz frio, mas dentro do barco impera o conforto, sem ostentação. Os quartos são como os de um bom hotel, com a diferença de não haver TV, internet ou telefone. Ótimo para deixar as preocupações em terra.

As três refeições do dia são anunciadas pelo sistema de som do navio. Não tem como perder o café da manhã, às 8 horas - quem acorda mais cedo para ver o nascer do sol (antes das 6 horas), pode fazer seu desjejum mais cedo, sem problemas.

Almoço e jantar são preparados para satisfazer paladares de todo o mundo - eu tinha como companheiros de viagem, entre outros, americanos, europeus, australianos e até uma cambojana. Mas não faltam representantes da culinária chilena. Afinal, a tripulação, de 62 pessoas, se orgulha de ser toda do Chile. Pelo menos uma vez você vai comer empanada de carne como entrada e leite nevado na sobremesa. E, certamente, vai aprovar os pratos com centolla, um caranguejo gigante (e delicioso) encontrado nas águas frias da região.

O bar está sempre aberto, servindo petiscos e bebidas. Depois de alguns piscos sours, quem sabe você também não se anime para o karaokê (depois das 22 horas). Mas vá com calma: o dia começa cedo.

Quatro estações. Navegando na Patagônia há 25 anos, o capitão Enrique Rauch é a imagem da serenidade. Parece que nada é capaz de abalar seu semblante, nem mesmo a previsão de uma noite com ventos e ondas fortes. "Aqui temos as quatro estações em um dia, o tempo muda muito rápido, é normal."

A sala de comando é toda informatizada, mas o percurso do navio é marcado a lápis, como antigamente, em cartas de navegação. "O GPS pode não ser tão preciso", diz o capitão. /M.P.

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