Christian Hartmann/Reuters
Christian Hartmann/Reuters

Conheça algumas das mais simbólicas estações da história de Paris - Parte I

ANTIGO MERCADO - SAINT GERMAIN-DES-PRÉS, LINHA 4

Renata Reps, O Estado de S.Paulo

03 Setembro 2013 | 02h17

A igreja de Saint Germain-des-Près marca a chegada ao bairro de mesmo nome. Hoje central e elegante, a região estava fora dos limites de Paris quando a primeira abadia homônima foi construída, no século 11 - as pedras da torre da igreja atual são desta época. É nessa região que ficava também, no século 7, o mercado anual de Paris. Ele durava de três a cinco semanas e lá eram vendidos alimentos, tecidos e peles. Era mais ou menos o lugar onde hoje se situa o Marché Saint Germain-des-Près (marche-saint-germain.com), um pouco mais glamouroso que seu ancestral, com 21 butiques de moda e 5 opções de cafés e restaurantes.

Seguindo a agitada Rua du Four (foto) - uma das melhores para fazer compras na cidade - até a esquina, no número 26, chega-se a uma parada fundamental para os ávidos pelos milagres da cosmética francesa: a farmácia Citypharma, provavelmente a mais barata de Paris. Sempre repleta de brasileiros, oferece produtos das grandes marcas de beleza com reduções de até 50%. O melhor é ir no fim do dia, para não perambular segurando as sacolas que certamente vão sair de lá bem pesadas.

Para a pausa do almoço, passe no pouco dispendioso Chez Gladines (gladines-restaurant-paris.fr), simpático restaurante especializado em culinária do sudoeste da França. Você vai gastar entre 8 e 13 para experimentar as típicas e generosas porções de saladas de moelas e o frango ao molho basco. Em seguida, os amantes de vinho devem caminhar até a altura do número 6 da Rua do Odéon até a adega Ambassade de Bourgogne (ambassadedebourgogne.com). Os excelentes vinhos vendidos em taças variam entre 4 e 17 - dá até para se inscrever em um dos cursos de degustação.

O COMEÇO - CITÉ, LINHA 4

A Île de la Cite é, atualmente, uma das regiões mais nobres e valorizadas de Paris. Trata-se de uma ilha que separa os dois lados da cidade divididos pelo Rio Sena: a margem esquerda, ou Rive Gauche, e a margem direita, ou Rive Droite. É lá que está, por exemplo, um dos maiores atrativos turísticos da capital, a Catedral de Notre Dame. Já a sua vizinha, a Île Saint-Louis, abriga o apartamento em que Chico Buarque reside durante suas estadias anuais na cidade.

Foi em uma das duas ilhas - não se sabe exatamente qual - que se deu o surgimento de Paris. Em 52 a.C., romanos invadiram o acampamento gaulês que ocupava a área, venceram os residentes em batalhas sangrentas e instauraram a cidade gaulo-romana que seria chamada de Lutécia. Na divisão, gauleses ficaram com a Île de la Cite e romanos começaram a expansão da cidade pela Rive Gauche. A Cité, então, é a mais antiga das regiões da cidade e o berço não apenas de Paris, mas de toda a França tal qual a conhecemos hoje.

As margens dessas duas ilhas - especialmente a próxima à Pont Neuf, a ponte mais antiga de Paris - são os pontos mais disputados da cidade por aqueles que passaram todo o inverno ávidos para a temporada dos piqueniques à beira do Sena. No fim do dia, de lá avista-se um dos pores do sol mais bonitos da capital, idealmente acompanhado de um bom vinho rosé que combina com as altas temperaturas do verão. Na Île Saint-Louis, faça uma pequena pausa para o sorvete mais célebre da cidade, da marca Berthillon, mesmo se estiver fazendo frio. Ele é vendido no pequeno café Estérina (31 Rue Saint-Louis en l'Île). Subindo um pouco a mesma rua, você verá a loja Pylones (pylones.com), que tem uma filial no Brasil, no Shopping Iguatemi de São Paulo. Trata-se de uma marca de utensílios domésticos divertidos: objetos para cozinha, artigos de decoração ou gadgets coloridos que são uma graça.

Para uma visita mais introspectiva, a ponta da ilha mais próxima a Notre Dame guarda um monumento em homenagem às vítimas do Holocausto que faz lembrar algumas das obras de Berlim dedicadas ao mesmo tema. É o Memorial dos Mártires da Deportação (www.onac-vg.fr) uma homenagem aos judeus franceses deportados durante a Segunda Guerra Mundial. Da superfície, não se vê muita coisa: a visita começa descendo uma pequena escada que dá para grandes corredores de pedra e uma instalação de 200 mil hastes de vidro que simbolizam as vítimas. Toda a arquitetura do prédio proporciona uma leve e proposital sensação de mal-estar. Em alguns pontos, o visitante percorre o monumento à mesma altura do Sena, e nas paredes pode ler poemas de Paul Elouard e Louis Aragon. Grátis.

NAS CATACUMBAS - DENFERT-ROCHERAU, LINHA 4

A entrada das Catacumbas de Paris (catacombes.paris.fr) é tão discreta que poderia passar despercebida não fossem as imensas filas que se formam em torno da praça Denfert-Rochereau para visitá-las - especialmente no verão, quando a cidade é abandonada pelos parisienses e inundada pelos turistas.

As mais de 6 milhões de ossadas começaram a ser depositadas ali em 1786, quando o governo decidiu desocupar o fétido e anti-higiênico Cemitério dos Inocentes, situado em pleno centro de Paris e utilizado como sepulcrário desde a época dos reis francos no século 5º. O passeio é um tanto mórbido e deve ser completamente cortado do roteiro pelos claustrofóbicos: a mais de 20 metros de profundidade, os grandes túneis têm teto baixo e são repletos de goteiras, além de terem uma iluminação propícia para dar ao ambiente ares de Halloween.

No ossuário, a proximidade com os esqueletos é perturbadora. Contudo, as escrituras nas paredes das galerias e os painéis descritivos do processo de construção das catacumbas dão uma ideia mais nítida da simbologia do lugar e de todas as dificuldades de realização de um projeto árduo e trabalhoso. Além disso, é uma visita bem diferente de todas as outras que se faz em Paris.

"Na época da transferência dos ossos, a região ficava fora de Paris. Os limites da cidade como conhecemos hoje só foram impostos em 1860, quando Napoleão Bonaparte decide anexar as periferias à cidade para conquistar o apoio popular", explica o professor de História da Universidade Sorbonne Paris IV, Dominique Barjot. Assim, a região, que fica próxima à Torre de Montparnasse, tem pontos interessantes fora do roteiro clássico a descobrir.

É o caso da agradável Rua Daguerre, onde é possível encontrar todos os artefatos básicos da vida parisiense: belas lojas de queijos, vinhos, frios, floriculturas, pequenos mercados e cafés convidativos, que enfeitam e colorem a via de ponta a ponta.

É no sul de Paris que se situam também as melhores creperias da cidade. Aproveite então para conhecer uma delas: La Belle Ronde, um pouco escondida em uma entrada do número 19, oferece várias opções de qualidade da iguaria bretã. Se estiver com alguma saudade da comida de casa, mas nem tanto a ponto de procurar um restaurante brasileiro, a culinária crioula no Restaurante da Ilha da Reunião (restoiledelareunion.fr) é uma ótima alternativa. Os molhos e temperos africanos das carnes e frutos do mar lembram os nossos - e são uma delícia.

No caminho de volta entre a saída das catacumbas e a estação de metrô, os apaixonados por porcelanas podem encontrar peças originais da famosa cidade de Limoges na loja M.P Samies (porcelainesmpsamie.fr). Na frente da butique, dispostas em pequenas cestas, se encontram peças em liquidação por preços simbólicos.

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