Bruna Tiussu/AE
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Contornos de Versalhes no refúgio de um rei excêntrico

Foram nove anos de obras e reformas, inúmeras ideias arquitetônicas inspiradas no Palácio de Versalhes e um cuidado excessivo na montagem do gigantesco jardim que o contorna. Finalmente, em 1878, o Castelo de Linderhof, no vilarejo de Ettal, ficou pronto e passou a servir de moradia para o rei Ludwig II. Afinal, a grande alteza haveria de usufruir de pelo menos um de seus tão idealizados palacetes.

Bruna Tiussu, O Estado de S. Paulo

26 Abril 2011 | 06h00

Se o tamanho modesto (para os parâmetros dos castelos reais) e a fachada toda clarinha perdem a atenção do visitante para a exuberante natureza alpina, seu interior ganha em dobro. Como Ludwig viveu ali, cada canto do Linderhof foi decorado a seu gosto, sem nenhuma modéstia ou medo de ser extravagante.

Em estilo barroco rococó, a decoração esbanja ouro e prata, refletidos pelas dezenas de espelhos dos corredores. Nas paredes e tetos, é como se as tapeçarias concorressem com os detalhes em cerâmica, vidro e os enormes lustres de cristal - o mais impressionante deles carrega 108 velas.

Ludwig não teve interesse em retratar a própria dinastia: preferiu espalhar quadros da família real francesa em algumas salas do castelo. No próprio quarto do monarca, pinturas do Palácio de Versalhes dividem a atenção com a belíssima fonte instalada logo à frente da cama real.

Além da decoração deslumbrante, o castelo reúne instalações supermodernas para o fim do século 19. Caso das lareiras da maioria dos cômodos, que funcionavam como um sistema de aquecimento central. Ou, ainda, da magic table, na sala de jantar. Como se fosse um elevador, ela descia vazia para a cozinha e surgia novamente com o menu arrumadinho para o monarca.

Peculiaridades

Reservado, de alma absolutista e sem nenhuma disposição para se relacionar com desconhecidos, Ludwig sempre preferiu a solidão, sentimento que curtia embalado pela mesma trilha sonora: as óperas de Wagner. Aficionado pela obra do compositor, decorou a sala de música em sua homenagem, toda dourada e com um piano.

Quando em casa, queria privacidade plena. Exigia que os serviçais colocassem um pavão na janela anunciando sua presença e, principalmente, avisando que não queria ser incomodado. Nos últimos anos de vida, mal aparecia em público. Se acostumou a trocar o dia pela noite e, assim, passou a ter ainda menos contato com as pessoas. O hábito lhe rendeu o apelido de The Moon King - ou Rei da Lua.

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