Copenhague tem a sua versão do Meatpacking District

Kodbyen é mais autêntico que o bairro de NY: ao fim da balada, você vê os açougueiros

Seth Sherwood, THE NEW YORK TIMES, COPENHAGUE, O Estado de S.Paulo

20 Outubro 2009 | 03h16

As indicações para chegar até a galeria de arte mais descolada de Copenhague parecem um delírio carnívoro. Entre no complexo industrial Kodbyen, o Meatpacking District da cidade, siga uma rua chamada Slagterboderne (algo como açougue), passe pelo edifício enfeitado com uma enorme vaca no topo e ande na direção da Flaesketorvet (ou Praça do Porco) até o número 69.

As peças de carne que você teria encontrado em outros tempos foram substituídas pelas obras modernosas da galeria V1 (www.v1gallery.com). A combinação de espaço e arte não poderia ser mais perfeita - uma exibição recente incluiu trabalhos de Neckface, um americano conhecido por seus desenhos inspirados em cartoons e recheados de violência.

Essa mudança de ares só se tornou possível graças ao avançado plano de revitalização desenvolvido pela prefeitura, dona dos terrenos. Os açougues e os galpões abandonados foram cedidos para virar galerias, lojas de design, cafés e casas noturnas. E a chegada desses novos ocupantes está gradualmente transformado uma área degradada em reduto de criatividade. Só que, ao contrário de bairros semelhantes em cidades como Nova York, a vizinhança de Kodbyen (o nome significa cidade de carne) ainda abriga frigoríficos e pequenas empresas de processamento.

"Se você chegar aqui por volta das 4 horas, verá jovens saindo das discotecas e os açougueiros chegando para o trabalho, com suas roupas manchadas de sangue", diz Jesper Elg, diretor da V1. A galeria, por sinal, já abrigou mostra de gente tão festejada quanto o grafiteiro Banksy e Shepard Fairey.

A localização de Kodbyen, nas bordas da cidade, funciona como boas-vindas para tudo o que é provocativo e inovador - atitudes que talvez não fossem tão bem vistas no gentil centro de Copenhague.

A loja Art Rebels (www.artrebels.com), por exemplo, usa como provador o antigo espaço de guardar carne. Por lá as fashionistas vão encontrar vestidos de zebrinha e itens do gênero. Já o Karriere (www.karrierebar.com) é adorado pelos coquetéis. A atitude é outro forte por lá. O próprio cardápio se encarrega de fazer a advertência: yuppies serão obrigados a pagar mais pela cerveja.

Perto dali, debaixo da estátua de vaca, está um dos restaurantes mais disputados de Copenhague. O Fiskebaren (www.fiskebaren.dk) se tornou notório pelo interior chique e pela lealdade aos pratos feitos com peixes fresquinhos.

Em uma visita recente, a festa rolava solta no Jolene Bar (www.myspace.com/jolenebar). Uma multidão dançava lá dentro. O bar, como o nome indica, é um tributo à cantora country americana Dolly Parton. Dora Duna, sócia do Jolene, diz que foi salva pelo ressurgimento de Kodbyen. Por causa do barulho, o bar tinha virado o terror da vizinhança de Norrebro, sua primeira localização. "Aqui podemos tocar música tão alto quanto quisermos."

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