Pitaya Filmes/Divulgação
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Corpos no meio do caminho estão entre os desafios do Everest

Antes de chegar ao ponto mais alto do mundo pela 2ª vez, Karina Oliani passou por colegas que não resistiram à missão

Bibiana Borba, O Estado de S.Paulo

25 Maio 2017 | 14h51

SÃO PAULO - Com muita tosse e queimaduras no rosto causadas pelo frio de -35ºC, a médica e aventureira Karina Oliani - que assina o blog "Viajando com Karina Oliani", no Estadão - retorna de sua segunda escalada ao topo do Everest, desta vez pelo caminho mais desafiador. Antes de se tornar a primeira mulher sul-americana a escalar a montanha pela Face Norte, localizada no Tibete, ela passou por mais de dez corpos de colegas que não conseguiram completar a missão. Na manhã de domingo, 21, Karina e os colegas de expedição atingiram o cume de 8.848 metros de altura, o mais elevado do mundo. 

"A zona da morte é toda a área acima dos 8 mil metros de altura. É praticamente impossível resgatar os corpos nessa área. Na Face Sul, no Nepal, há helicópteros, mas no lado controlado pela China não chegam equipamentos", explicou, em entrevista por ligação de áudio.

Agora em um acampamento base a 5.200 metros de altitude, o grupo tem acesso a internet por satélite, mas sites como Google, YouTube e Facebook são bloqueados pelo governo.

A escalada durou 20 dias, dez a menos do que a meta estabelecida no início, mas foi muito mais difícil do que a anterior, em 2013, quando Karina demorou 55 dias para chegar ao topo pela Face Sul. A equipe dormiu dois dias a 8.300 metros de altura, em barracas inclinadas presas por rochas às paredes de gelo. A temperatura e o vento de mais de 50 km/h chegaram a provocar um princípio de hipotermia. 

"Acordei tremendo muito dentro da barraca e percebi que estava coberta de gelo. Meu amigo acendeu o fogareiro e encheu meu saco de dormir com garrafas de água quente", relata.

Além de dois parceiros sherpas, tibetanos nativos da região, Karina foi acompanhada pelo brasileiro Marcelo Rabelo, responsável por imagens em 360º que serão exibidas no programa 'Fantástico'.

Ao menos doze alpinistas morreram na Face Norte nesta temporada de escalada do Everest, do total de cerca de 100 que decidiram encarar o desafio, segundo Karina. O período do ano recomendado para as escaladas dura apenas dois meses, entre abril e maio, quando há menor risco de avalanches.

De volta ao acampamento, a médica especialista em urgências e "Wilderness Medicine" já tratou um alpinista que perdeu completamente a voz e outro com pneumonia. Ela deve retornar ao Brasil na próxima quinta-feira, 1º de junho.

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