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Crimeia, para desbravar em russo. Ou em silêncio

SIMFEROPOL, - O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2013 | 03h 18

Você fala inglês, espanhol, francês e italiano fluentemente? Pode esquecer tudo isso ao aterrissar na República Autônoma da Crimeia, onde a única solução para conseguir estabelecer uma comunicação verbal com alguém é falar russo. Essa grande península situada ao sul da Ucrânia ocupa uma posição central no Mar Negro: ao seu redor, Bulgária, Moldávia, Turquia, Geórgia, Rússia e a parte continental da Ucrânia cercam o território de todos os lados.

A região foi parte da Rússia de 1783 até 1954, quando foi cedida à República Socialista Soviética Ucraniana. Com o fim da União Soviética em 1991, a área passou a ser um Estado autônomo da Ucrânia, mesmo que a maior parte de sua população seja de origem russa.

A história da região, carregada de guerras, invasões e disputas territoriais por causa de seu posicionamento geográfico estratégico, ganhou um adicional ainda mais dramático durante a 2.ª Guerra Mundial.

De 1941 a 1944, a área foi ocupada pelos nazistas. Quando os soviéticos recuperaram a região, decidiram punir o povo local - os tártaros da Crimeia - por terem colaborado com o regime de Hitler. Todos os habitantes foram deportados para Usbequistão, Casaquistão e Rússia em 1944, deixando para trás suas casas e seus pertences.

Segundo associações humanitárias locais, cerca de 46% deles morreram nos trens de carga antes de chegar às destinações finais. Os tártaros só foram autorizados a voltar à Crimeia com o início da Perestroika - abertura econômica da ex-União Soviética - na década de 1980. Eles tiveram de reconstruir suas vidas do zero, pois suas posses não lhes foram devolvidas.

Nostalgia perene.Conhecer a dinâmica da população nativa é interessante para entender os olhares tristes e nostálgicos que estampam os rostos até mesmo das crianças. Esse povo essencialmente agrícola voltou ao seu país há cerca de 30 anos e ainda tenta se readaptar à realidade da terra deixada para trás.

Assim, a região basicamente visitada por turistas que vêm da Rússia, da Bielo-Rússia e, claro, da própria Ucrânia é parte integrante de uma oposição histórica aos Estados Unidos e, também por isso, ignora o idioma inglês. Trabalhadores de bares, restaurantes e até mesmo passeios turísticos não falam nem mesmo uma palavra da língua considerada universal.

A solução face à supremacia do alfabeto cirílico é guardar a paciência e a mente abertas para o fato de que entender o que se passa ao seu redor será improvável na maior parte das vezes. É preciso estar pronto para mergulhar em uma viagem em que os diálogos verbais não farão parte do seu dia a dia. / R.R.

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