Victor Collor
Victor Collor

Cuidado com os 'big five' que os 'big five' te pegam

Descubra como são os safáris na Madikwe Game Reserve, que limita o número de visitantes e carros

Sofia Patsch, MADIKWE GAME RESERVE / O ESTADO DE S.PAULO

25 Julho 2017 | 04h30

O Parque Nacional Kruger é a mais conhecida opção para quem procura fazer safári na África do Sul, mas o país oferece muitas outras reservas, menos divulgadas e igualmente conceituadas. Foi buscando lugares mais exclusivos que encontramos a Madikwe Game Reserve, uma das maiores áreas de conservação do sul do continente africano, na divisa com Botsuana, a 4h30 de carro de Johannesburgo. 

A reserva impõe restrições ao número de visitantes e carros circulando. Com 75 mil hectares, está em uma área considerada livre do mosquito da malária. Os safáris são divididos em dois turnos: o primeiro sai às 6 horas da manhã – e, dependendo da estação do ano, pode brindar o visitante com um ventinho bem frio. É bom levar um casaco. Já o segundo turno sai às 15h30 e volta ao anoitecer. Em média, os passeios duram de três a quatro horas e são liderados pelo ranger – como são chamados os guias que conduzem os safáris. O nosso se chamava Sean, um especialista nos bichos da reserva, que ele chama pelos nomes. 

Como não se trata de um zoológico, nem sempre dá para ver todos os animais de primeira. Dentro os chamados big five, os cinco mamíferos selvagens de grande porte mais difíceis de serem encontrados e caçados pelo homem – leões, elefantes, búfalos, leopardos e rinocerontes – demoramos três dias para achar os leões, por exemplo. E eles são, mesmo, intimidantes. 

É como um jogo de esconde-esconde. O guia segue as pegadas e checa informações com outros guias para encontrar os animais. Em um dos passeios, deparamos com uma manada de cerca de 300 búfalos, considerados os mais perigosos dentre os big five, experiência bastante amedrontadora. Na reserva Madikwe vivem ainda cachorros-selvagens e guepardos, formando assim os “super seven”. 

Projeto. Com os guepardos vivemos uma experiência rara: acompanhamos o processo de troca de colar de um macho da espécie. A ação é parte Projeto Cheetah, patrocinado pelo lodge Rhulani, onde ficamos hospedados, que consiste em criar na reserva uma população estável e própria desses animais, considerados os mais velozes do mundo – chegam a atingir uma velocidade de mais de 110 quilômetros por hora. 

Posso dizer que eu e meus amigos nos sentimos protagonistas de um programa do Discovery Channel. Com nosso guia, fomos ao local onde os felinos descansavam após a refeição. Eram dois irmãos machos, de aproximadamente 4 anos de idade. No outro carro estavam o veterinário e mais alguns visitantes. Com uma espingarda de pressão, o veterinário anestesiou um dos bichos – uma cena de cinema – e seu irmão, assustado, saiu correndo. Já fora de combate, todos nós, atônitos, descemos do carro para observar o guepardo mais de perto. E acariciá-lo, enquanto o veterinário trocava seu colar de identificação. 

À luz de velas. Em nossa última noite no lodge Rhulani, participamos de um “jantar Boma”, comemoração que só pode ser feita em noites de tempo bom, sem vento e chuva. Sob a lua cheia, enquanto nos deliciávamos com a comida, fomos surpreendidos com uma cantoria, que vinha da cozinha e ficava, a cada segundo, mais e mais próxima. Até que os funcionários do hotel chegaram em nossa mesa e iniciaram um show exclusivo, cantando e dançando as canções populares das muitas tribos que compõem a África do Sul. A voz de alguns deles era de impressionar.

Mais conteúdo sobre:
África do Sul

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.