Cultura sem os clássicos

Prado, Reina Sofia e Thyssen-Bornemisza são museus tão especiais que valem ser visitados e revisitados inúmeras vezes, sem medo de enjoar. Mas Madri guarda outros espaços culturais que merecem a visita - alguns, acessíveis a pé a partir da área onde ficam estes três grandes ícones da cidade.

MADRI, O Estado de S.Paulo

04 Novembro 2014 | 02h06

A 300 metros do Reina Sofia, por exemplo, está o belo prédio de ferro oxidado da Caixa Forum, projeto que usou a base de uma antiga estação elétrica com autoria dos premiados arquitetos suíços Jacques Herzog e Pierre de Meuron. Ali são promovidas grandes exposições - Gênesis, de Sebastião Salgado, por exemplo, passou por lá. Além de palestras e seminários aprofundarem o tema em cartaz, a livraria do térreo oferece mais de 50 títulos sobre o que está sendo exibido.

Saindo da Caixa Forum, 10 minutos de caminhada levam a La Casa Encendida, síntese de vários conceitos culturais atuais: entrada gratuita, apoio a arte jovem, loja solidária, política ambiental, cursos, oficinas e uma área dedicada à educação. As exibições buscam nomes menos consagrados e a curadoria costuma ser extremamente eficiente. Preste atenção também a eventos como concertos, projeções e encontro com autores.

Para quem quer ir além na escala alternativa, são mais 400 metros para alcançar o La Tabacalera, projeto independente que desde 2009 aproveita salas e corredores amplos e descascados de uma antiga fábrica de cigarros ativa por mais de 150 anos, onde trabalharam milhares de mulheres conhecidas como cigarreras. Além de eventos culturais diversos, há sempre duas exposições.

A duas quadras dali, a Biblioteca Escuelas Pías (oesta.do/bibliomadri) se mostra como um dos supertrunfos arquitetônicos de Madri. O espaço recuperou as ruínas da igreja das escolas Pias de São Fernando, do século 18. A visita é permitida no começo e no final do dia: das 9h15 às 10h e das 21h às 21h45. Aprecie o lustre gigantesco na nave central e a sutileza com que as partes originais e recentes da construção se intercalam. Na parte de trás da biblioteca, a subida até um terraço revela mais da área interna e leva a um café ajardinado com ótimas opções de almoço.

Para completar o circuito cultural na parte sul da cidade, entre no metrô de Lavapiés e desça quatro estações depois, em Legazpi, onde fica o Matadero Madri. Os edifícios, que integraram um matadouro e um mercado de gado no século 20, aparecem em cenas de O Feitiço de Xangai (2002), de Fernando Trueba, e de Matador (1986), de Almodóvar. Em anos recentes, as construções foram se tornando espaços de leitura, música, cinema, teatro e artes visuais, que hoje somam mais de 20 eventos diários. Após a visita, tome um café ao ar livre na Praça do Matadero.

Rumo ao norte. Na Rua Alcalá, na região central, a cinco minutos a pé do museu Thyssen-Bornemisza, está o Círculo de Belas Artes, outro centro artístico interdisciplinar, com cinema, livraria, oficinas culturais, cafeteria e salas de exposições. Além disso, o prédio é conhecido por seu terraço (entrada: € 3), de onde se contempla todo o centro madrilenho, com destaque para a vista no fim da tarde. Nos sábados de verão, espreguiçadeiras e baldes de cerveja remetem a um parador de praia.

Mais ao norte, uma atração pouco lembrada pelos turistas é o Conde Duque, centro cultural de 59 mil metros quadrados aberto em 1983, cuja renovação foi concluída em 2011. No local, que serviu como quartel de uma guarda militar de elite do início do século 18 a 1969 (pouco antes do término da ditadura franquista), são realizadas exposições que vão além das artes visuais, abarcando temas como história ou literatura. Outros destaques são os concertos de música clássica.

Curioso também é o CentroCentro, aberto em 2011, que funciona no mesmo prédio da Prefeitura de Madri (o Palácio Cibeles). Em cada um dos oito andares do prédio ocorrem exposições temporárias, havendo ainda áreas reservadas para estudo e leitura. A visita fica mais completa com a subida ao mirante (€ 2) e, aos domingos, com um passeio pela Galeria de Cristal - espaço com uma linda abóbada de quase 2 mil triângulos de cristal formados por barras metálicas. /T.M. e G.M.

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