Natália Mazzoni/Estadão
Natália Mazzoni/Estadão

De bike, pelas montanhas de Gstaad

As paisagens são lindas, mas fique atento ao caminho para não ver a grama mais próxima do que você desejava...

Natália Mazzoni, O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2016 | 00h05

É meu segundo dia em Gstaad. O vilarejo, a 220 quilômetros de Zurique e 10.050 metros acima do nível do mar, faz parte do município de Saanen, no interior do cantão de Berna. No inverno, suas montanhas alpinas ficam repletas de neve, mas é verão, o gelo derreteu e deu lugar a uma grama impecavelmente verde, nova, brilhante. 

Desde que chegamos está difícil parar de olhar a paisagem. O céu é muito azul, as montanhas têm desenhos perfeitos. Um chalé, outro chalé, uma vaquinha lá longe. Minha bicicleta elétrica parece voar enquanto eu passeio pela paisagem. Não tem uma nuvem sequer no céu, o único branco está no pico de uma das montanhas mais altas, onde o gelo é eterno. No inverno, a neve toma conta de tudo, e os turistas endinheirados chegam de todo o mundo para deslizar em seus mais de 220 quilômetros de pistas de esqui.

Mesmo tendo e atraindo tanto dinheiro, os suíços por aqui são modestos. Esses chalés parecem simples, passando assim rápido na frente deles é difícil imaginar que a maioria esconde em seu subsolo salões enormes, cozinhas equipadas com artigos de luxo, quartos e mais quartos. Quem conta esse segredo é Daniel Matti, dono da construtora mais antiga da cidade, a Chaletbau Matti. 

“Os suíços não gostam de exibir o que têm, são muito reservados. Mas posso dizer que um projeto costuma custar a partir de 2 milhões de francos suíços (algo em torno de R$ 7 milhões)”, diz Matti. Pois é, o da cantora Madonna, que se encantou pela cidade e encomendou o seu, deve ter ficado muito bom.

Passear de bicicleta elétrica é uma das formas mais bacanas de conhecer Gstaad. São cerca de 150 quilômetros de vias onde o ciclismo é bem-vindo. No site oficial da cidade, é possível escolher sua rota por critérios de altitude, dificuldade e tempo. Quando chega a subida, paro de olhar a paisagem e me concentro: esse passeio exige certo preparo físico, a bicicleta é elétrica mas você tem de pedalar bastante mesmo assim. A nossa alugamos no Fredy’s Bike Wält, 50 francos (R$ R$ 170) para pilotar um modelo suíço de US$ 7 mil por 4 horas, ao longo de 20 quilômetros (ida e volta). 

Faço um intervalo, respiro, a volta deve ser mais suave. “Vamos, temos reserva no restaurante”, diz nossa guia. Fácil falar: no inverno ela esquia, voa de paraglider, no verão faz trilha de bicicleta, escala montanha. Gstaad é “esportes friendly”, essas e outras modalidades são organizadas por rotas no schweizmobil.ch, site dedicado só a pratica de esportes no país.

De volta ao caminho, nosso objetivo é chegar ao Lago Lauenen. A recompensa vale a pena: uma paisagem ainda mais bonita (como pode?) e um bom prato de salsicha com salada de batatas (23 francos suíços ou R$ 78) no restaurante Lauenensee, que tem vista para o lago. Hora de voltar. 

O vento no rosto lembra nossas primeiras horas em Gstaad. Nesse dia, subimos de teleférico a estação de esqui Wasserngrat até o restaurante que leva seu nome, lá no topo. A vista da subida é arrebatadora, e o picadinho de vitela, o mais delicioso que comi na viagem (45 francos suíços ou R$ 153). A sobremesa, merengue suíço com frutas vermelhas (15 francos, R$ 51) é simples e inesquecível.

Piquenique. Falando em comida, comer em Gstaad é um acontecimento. A cidade tem mais de 100 restaurantes, mas fazer piquenique de fondue na aldeia de Schönried, no chamado Fondueland, é a maneira mais divertida de jantar. O ritual inclui sentar-se em uma mesa com formato de panela gigante, deixada à disposição no meio da montanha batizada de Stalden. O esquema é encomendar seu kit em lojas especializadas, como a Fromage & Pain, um dia antes. Os preços variam de 18 a 21 francos suíços por pessoa (R$ 60 a R$ 70), incluindo a mistura de queijo, pães, vinho e o aluguel da panela.

A volta, como eu previa, é mais fácil. Parece que agora eu peguei o jeito de controlar o computador de bordo dessa bicicleta. Como é gostoso descer as montanhas. Vejo mais vaquinhas. No verão elas são levadas até o topo dos Alpes para produzir leite, ritual que vira festa na cidade. Por aqui, as vacas não são consideradas sagradas, mas fazem milagre produzindo o leite perfeito para os mais variados tipos de queijo. E tem uma vaca para cada um: 7 mil habitantes, 7 mil vacas. 

Um segundo de distração e eu perco o controle dessas rodas caríssimas. Não tem mais jeito, eu vejo essa grama novinha mais de perto do que eu gostaria. Máquina fotográfica quebrada, alguns arranhões, nada demais, tudo certo. Quem sabe fica uma marca. Um dia alguém me pergunta o que aconteceu e posso dizer que estive aqui.

QUEIJOS A PERDER DE VISTA

Famoso em Gstaad, o passeio da Gruta do Queijo é perfeito para quem quer conhecer as peculiaridades que envolvem a produção do alimento nos Alpes Suíços. O lugar é pequeno, e para chegar até onde são armazenadas as 300 peças de até 10 quilos é preciso se encolher e descer uma pequena escada. 

Música ambiente, prateleiras lotadas e candelabros criam uma atmosfera que parece propor um culto ao queijo. As explicações do guia responsável pela visita são tão minuciosas que fazem com que os visitantes fiquem ansiosos pela degustação. Caso o dia esteja bonito lá fora, peça para comer ao ar livre e ele montará uma simpática mesa com vista para as montanhas. A visita custa 28 francos suíços (R$ 95) por pessoa incluindo degustação com tábua de queijos, pães, água e vinho.

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Madonna Alpes

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