Igor Giannasi/Estadão
Igor Giannasi/Estadão

De olhos abertos no Bosquepiedra

Local reserva trilha no lado oeste do arquipélago, na Ilha de Cucao

Igor Giannasi, O Estado de S. Paulo

18 Abril 2017 | 04h30

CUCAO - O cajado de madeira na mão demonstra a intimidade de Elena Bochetti com a natureza. Na caminhada pela mata, é o instrumento que ajuda a responsável pelo Bosquepiedra, em Cucao, no lado oeste da ilha principal do arquipélago de Chiloé, ao conduzir os visitantes do parque privado de preservação ambiental. 

Acredite: você também vai precisar de um. Os aventureiros (oito pessoas no máximo) recebem bastões de trekking profissionais para realizar a trilha. O objeto é muito útil, especialmente se o passeio for acompanhado pelas típicas chuvas da região, que deixam a terra úmida e escorregadia – o repórter comprovou isso, se equilibrando após alguns deslizes. Todo o percurso é composto de passarelas, apoiadores e pontos de observação.

São mais de 30 espécies de árvores, com destaque para caneleiras e aveleiras, num total de 10 hectares (100 mil metros quadrados) de parque. Nada melhor do que ficar com os sentidos atentos para desfrutar dessa imersão verde. O aroma de uma folhagem, a “fofura” da terra que cobre um entrelaçamento de raízes, o som da água da corredeira, a coloração surgida do desgaste de uma rocha... 

A mata nativa, explica a guia, tem formação secundária, originada por cima da vegetação que restou das queimadas provocadas pelos antigos colonos, nos anos 1940. Durante o trajeto, Elena mostra exemplos da força da natureza: árvores que brotaram por cima de troncos afetados pela ação do fogo. 

“A ideia é que não seja apenas um conhecimento intelectual, nós perseguimos que as pessoas tenham um compromisso com a preservação ambiental”, diz ela, que deu início ao parque em 1991. Nascida em Santiago, Elena foi criada no sul do Chile e, desde pequena, manteve uma relação de proximidade com a natureza do local. 

De volta às raízes. Ao ingressar na faculdade de agronomia, em Veneza, na Itália, percebeu a necessidade de preservar a região onde cresceu – e começou a correr atrás do projeto assim que voltou da Europa. “Não havia dinheiro, não havia luz elétrica, não havia telefone, não havia nada”, conta. Naquele momento, o dinheiro de um fundo governamental de preservação ambiental tirou a ideia do papel.

No primeiro ano de funcionamento, ela lembra, apenas 75 pessoas passaram pelo parque. Já em 2016, o número foi multiplicado por sete: 525 visitantes – metade deles, estrangeiros. Parece pouco? “Não é muito. Porém, nosso objetivo não é ser um turismo massivo”, explica.

Os passeios pelo bosque ocorrem todos os dias, às 11 e às 15 horas, mas é preciso fazer a reserva por telefone ou e-mail. As visitas guiadas são em espanhol, inglês e alemão. Os ingressos custam 10 mil pesos chilenos (cerca de R$ 50) para adultos e 6 mil (cerca de R$ 30) para crianças.

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