Viagem

Degustação de ilhas e mar azul no Caribe

Experimentamos um cruzeiro pelas Antilhas, com sete paradas em portos pouco visitados pelos brasileiros e voo fretado incluído no pacote

15/11/2016 | 17h22    

Marcia Pezenti - O Estado de S.Paulo

O cruzeiro parte de Fort de France, capital a Martinica, one também pousa o voo fretado incluído no pacote da MSC - na temporada 2015/2016, pacotes custam de R$ 3.895 a R$ 8.249

O cruzeiro parte de Fort de France, capital a Martinica, one também pousa o voo fretado incluído no pacote da MSC - na temporada 2015/2016, pacotes custam de R$ 3.895 a R$ 8.249 Foto: Marcia Pezenti/Estadão

Novembro marca o fim da temporada de furacões no Caribe – e o recomeço da época ideal para curtir dias de sol, praia e o mar transparente que colocou a região nos sonhos dos viajantes.

Voar entre as ilhas não é tão fácil quanto a proximidade no mapa pode sugerir. Para quem sonha conhecer várias ilhas em uma só viagem, o produto sob medida é o cruzeiro.

Experimentamos o roteiro de 7 noites pelas Antilhas no navio MSC Orchestra, com partida de Fort de France, na Martinica, paradas em outros seis portos e a facilidade de incluir, no pacote, o voo fretado desde o Brasil.

Graças às pequenas distâncias, o navio ancora sempre pela manhã e parte no fim da tarde ou já de noite – ou seja, são dias inteiros para explorar cada destino.

Claro que não vai ser possível ver tudo. Cruzeiros são assim mesmo, um menu degustação. Prova-se pequenos bocados de cada destino para talvez, em outra viagem, saborear com calma os pontos preferidos. A seguir, você sente um gostinho desse delicioso cardápio caribenho. Atenção: na temporada 2016/2017, o roteiro será feito pelo navio Poesia, gêmeo do Orchestra.

Como ir: com 7 noites, o roteiro custa entre R$ 3.859 e R$ 8.249 por pessoa, com aéreo fretado e refeições. Em até 10 vezes na MSC: msccruzeiros.com.br

Leia mais: Os principais parques aquáticos do Brasil

O território é dividido em duas porçoes, Grande Terre, onde estão as praias, e Basse-Terre, com montanhas e vegetação tropical

O território é dividido em duas porçoes, Grande Terre, onde estão as praias, e Basse-Terre, com montanhas e vegetação tropical Foto: Marcia Pezenti/Estadão

Guadalupe. Da partida de Martinica ao primeiro porto de desembarque do roteiro, tecnicamente continuamos em solo francês. Guadalupe é uma província dividida em duas ilhas com características distintas. Basse-Terre, a oeste, tem montanhas e vegetação tropical; Grande-Terre, a leste, praias e mar azul da cor do céu limpo do momento de nossa chegada à capital, Pointe-à-Pitre (leia mais: guadeloupe-islands.com).

A 30 minutos e US$ 20 do porto, valor que demandou muita barganha com o taxista, está o paraíso de Sainte-Anne. Com areia branca e poucas ondas, a praia é frequentada por famílias e velejadores, que chegam em busca da brisa fresca, responsável por amenizar o calor em torno dos 30 graus.

Coqueiros garantem a sombra. A praia calma e segura é queridinha dos franceses, mas também atrai visitantes de outros países da Europa. O fim de tarde é especialmente bonito.

Basse-Terre rompe esse clima de ócio. La Grande Soufrière, sua maior montanha, com 1.647 metros de altitude, é um vulcão ativo. A última erupção aconteceu em 1976. Visitas às Cachoeiras Carbet e à floresta tropical no Parque Ecológico são os passeios indispensáveis nesta parte. Vá de tênis para a caminhada e saiba que o mergulho não é permitido.

Pelas estradas é possível observar as plantações de cana-de-açúcar, banana e outras frutas tropicais que mantêm boa parte da economia da ilha. Por US$ 8, compra-se uma garrafa do bom rum local.

As montanhas gêmeas Pitons são o principal cartão-postal de Santa Lúcia - pegue um passeio de barco na capital, Castries, para vê-las 

As montanhas gêmeas Pitons são o principal cartão-postal de Santa Lúcia - pegue um passeio de barco na capital, Castries, para vê-las  Foto: Daniel Nunes Gonçalves/Estadão

Santa Lúcia. A calmaria absoluta de uma ilha caribenha chique e avessa à badalação atrai celebridades em rota de fuga dos paparazzis. Amy Winehouse era frequentadora de Santa Lúcia – o que acabou colocando os olhos do mundo sobre a ilhota de 43 quilômetros de comprimento por 22 de largura, descoberta por Cristóvão Colombo em 1502.

Oprah Winfrey e Justin Bieber também se tornaram fãs do território recortado por montanhas, dentre as quais as gêmeas Gros Piton e Petit Piton, com quase 800 metros de altitude cada, são as mais famosas. No extremo sul da ilha, na Baía Soufrière, receberam a classificação de Patrimônios da Unesco.

De catamarã (72 euros por pessoa), saímos da capital, Castries para um passeio com 4 horas de duração. Passamos pela Baía Marigot, cujas construções têm influência inglesa, usada por diretores de Hollywood como cenários. Rodney Bay, no norte, concentra o movimento de hotéis, restaurantes e lojas. Como souvenir, aposte nos chocolates – a ilha produz ótimo cacau. Leia mais: bit.ly/santaluciacaribe.

Os horários de entrada e saída das escolas deixam o agitado centro de Carlisle, capital de Barbados, com um clima retrô

Os horários de entrada e saída das escolas deixam o agitado centro de Carlisle, capital de Barbados, com um clima retrô Foto: Marcia Pezenti/Estadão

Barbados. Barbados ficou conhecida como “o país da Rihanna”, mas tem outros predicados. A ONU, por exemplo, considera que o país tem a melhor qualidade de vida do Caribe.

Nas ruas da capital, Bridgetown, a arquitetura inglesa contrasta com o calor tropical. Os mercados são coloridos, aromáticos, repletos de especiarias e frutas. É uma cidade agitada, reggae tocando alto nas esquinas, trânsito, uma ebulição. Horários de entrada e saída nas escolas lotam as ruas de estudantes uniformizados. Meninas de saias e cabelos impecáveis parecem saídas de um filme dos anos 60.

A uma distância caminhável do centro de Bridgetown está a praia Carlisle Beach, na costa oeste, voltada para o Caribe, com boa infraestrutura turística. O mar é quente, sem ondas, azul turquesa, emoldurado por areia branca e fofa.

Carlisle tem bares, espreguiçadeiras e tendas para locação. O assédio dos vendedores ambulantes que oferecem bebidas, mergulho com tartarugas e aluguel de stand up paddle incomoda um pouco – contorne esse momento comprando uma boa cerveja local, como a Banks, a mais consumida pelos barbadianos, ao custo de 5 euros nos bares da praia.

Barbados não tem ruas à beira-mar: é preciso caminhar até a areia. Mais: visitbarbados.org.

Apelidada de “ilha das especiarias”, Granada fica marcada na memória do visitante também por seus aromas. A produção de noz-moscada, baunilha, canela e cravo é uma das importantes atividades econômicas. Para provar os sabores locais, aposte em um roti, espécie de crepe ou tortilla com recheios de peixe, frango ou vegetais

Apelidada de “ilha das especiarias”, Granada fica marcada na memória do visitante também por seus aromas. A produção de noz-moscada, baunilha, canela e cravo é uma das importantes atividades econômicas. Para provar os sabores locais, aposte em um roti, espécie de crepe ou tortilla com recheios de peixe, frango ou vegetais Foto: Marcia Pezenti/Estadão

Granada. Apelidada de “ilha das especiarias”, Granada fica marcada na memória do visitante também por seus aromas. A produção de noz-moscada, baunilha, canela e cravo é uma das importantes atividades econômicas – e o mercado da capital, Saint George, onde ocorre o quinto desembarque do nosso cruzeiro, é o primeiro e intenso contato com esse mundo sensorial. Às sextas e sábados pela manhã, a lotação e a experiência são maximizadas.

O mar azul-turquesa se exibe escandaloso desde a chegada, e continua o seu desfile de beleza nas praias que vamos visitar a seguir. A Grand Anse Beach tem 3 quilômetros de extensão a justificar-lhe o nome, com restaurantes, quiosques para alugar cadeiras ou agendar um passeio de barco e um centrinho comercial junto da praia. Além de Wi-Fi aberto para postar as fotos entre um mergulho e outro no mar. É a mais famosa e concorrida da ilha.

Do outro lado da península que limita Grand Anse, Morne Rouge Beach é uma praia pequena, sem ondas e com mar incrivelmente azul-esverdeado. Seus frequentadores são famílias com crianças e viajantes em busca de sossego. Por ali, diante do mar, há um típico restaurante granadino que vende comida boa e barata. Por US$ 12, comemos um roti, um tipo de crepe ou tortilla que pode levar várias opções de recheio. Pedi o de peixe e frutos do mar com curry – os curries, aliás, são outra presença frequente na mesa local –, e havia ainda as versões com frango e vegetariana. Informações: grenadagrenadines.com.

Cheia de palmeiras, Maracas é a praia ideal para relaxar em Trinidad

Cheia de palmeiras, Maracas é a praia ideal para relaxar em Trinidad Foto: Marcia Pezenti/Estadão

Trinidad. Duas ilhas formam Trinidad e Tobago, um pequeno país na costa da Venezuela. Port of Spain, a capital, fica em Trinidad e sofre alguns dos males de cidades grandes, como trânsito caótico e insegurança urbana. Por isso, serve apenas como ponto de desembarque, o quarto do cruzeiro. Ali pegamos um ônibus em direção à praia de Maracas, distante cerca de 40 minutos do porto.

Por ¤ 39, o passeio é bonito já durante o trajeto, graças à paisagem verde que se mostra na janela. Na chegada, um momento de tensão: o guia gasta algum tempo para nos alertar sobre a ocorrência de roubos na praia e a existência de policiais à paisana entre os banhistas. Uma recepção incomum no Caribe; na dúvida, não deixe seus pertences desacompanhados e mantenha a atenção.

A beleza de Maracas dá conta de desfazer o clima ruim do primeiro momento. Não muito grande e cheia de palmeiras, tem sombra por toda a extensão. A praia é emoldurada por montanhas e o mar, o mais agitado que vimos até aqui, tanto que há bandeiras e salva-vidas de prontidão. Para quem vai com crianças, é mais um motivo para ficar esperto.

Quando der fome, atravesse a rua para experimentar o sanduíche típico de Trinidad e Tobago, o fried shark and bake, ou carne de tubarão frita no pão. Entre na fila da barraca Richard’s. No balcão, você recebe pão e carne de tubarão à milanesa em uma caixa de isopor; adiante estão os molhos e saladas. Delicioso e custa algo como US$ 3 – por isso a fila. Mais:gotrinidadandtobago.com.

Montanhas vulcânicas cobertas por uma densa floresta úmida fazem da nossa sexta e última parada, Dominica um destino caribenho muito diferente do padrão mar transparente, areia talco e coqueiros

Montanhas vulcânicas cobertas por uma densa floresta úmida fazem da nossa sexta e última parada, Dominica um destino caribenho muito diferente do padrão mar transparente, areia talco e coqueiros Foto: Marcia Pezenti/Estadão

Dominica. Montanhas vulcânicas cobertas por uma densa floresta úmida fazem da nossa sexta e última parada, Dominica (visit-dominica.com), um destino caribenho muito diferente do padrão mar transparente, areia talco e coqueiros.

Depois de uma trilha simples pela floresta com duração de 15 minutos, chega-se à deslumbrante Emerald Pool – uma piscina de tão cor de esmeralda quanto seu nome afirma. Sobre o poço esverdeado despencam as águas de uma cachoeira de 12 metros de altura. O banho é gelado e revigorante.

Emerald Pool está a cerca de 25 quilômetros da capital, Rouseau, onde está o porto de cruzeiros e onde começa o passeio. As ruas são pequenas e estreitas; os moradores, que somam 72 mil no país, receptivos.

Independente desde 1978, Dominica continua, no entanto, a compor a Comunidade Britânica. Uma boa porção do território é protegida por três reservas nacionais, Northern Forest, Central Forest e Morne Trois Piton – esta última, ao sul, incluída pela Unesco entre os patrimônios da humanidade em 1997. Graças à origem vulcânica, as águas sulfurosas e naturalmente aquecidas são valiosos patrimônios turísticos.

Em Champanhe, em meio à água transparente, em plena praia, somos surpreendidos por fumarolas vulcânicas. Depois de uma corrida de 10 a 15 minutos de táxi, chega-se à vila de Soufrière. A praia de 500 metros de extensão tem pequenas jacuzzis construídas artesanalmente com pedras. A água e a areia são bem quentes; do chão brotam bolhas. Mas, exatamente quando você acha que está ficando calor demais, uma onda fria do mar invade a piscina, refresca corpos e mentes e, na iminência do fim do cruzeiro, semeia mais um pouco de saudade do Caribe.

Leia mais: Os muitos perfis da Região dos Lagos, no Estado do Rio de Janeiro

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