Desconstruindo o lar dos vikings

A partir de Svolvaer, no coração do arquipélago de Lofoten, a brincadeira consiste em explorar de bote seus admiráveis canais e conhecer de perto costumes dos filhos de Thor

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

01 Outubro 2013 | 02h24

SVOLVAER - Criada ao redor da pesca do bacalhau, Svolvaer tem clima de cidade pequena, mas se esforça para parecer cosmopolita. Em meio a paisagens rurais e o jeitão desconfiado do povo, que ainda está se acostumando ao crescente número de turistas, a cidade guarda um centro repleto de lojas, além de restaurantes e bares refinados.

Svolvaer é o coração do arquipélago de Lofoten, conhecido por seus belos fiordes. Não por acaso, portanto, o passeio clássico por ali é desbravar os canais próximos em um speedboat, bote dotado de motores potentes. A paisagem, refletida nas águas plácidas, é deslumbrante, mas vá preparado: cachecol e touca são fundamentais para aguentar o vento frio do mar norueguês, mesmo nos dias mais ensolarados.

Na volta, um bom lugar para recarregar as energias é o Bacalao (bacalaobar.no), um charmoso barzinho à beira do cais, cujas mesinhas ao ar livre são disputadíssimas no verão. A casa é conhecida por seu viés artístico e programação musical de qualidade. Não precisa nem dizer que as porções de pescados e frutos do mar vêm conduzidas com primor.

Vizinhança. A 40 minutos de Svolvaer está Bostad, outra das cidades que compõem o arquipélago de Lofoten. E é ali que boa parte de seus mitos sobre os vikings cairão por terra. Para isso, basta uma visita ao Lofotr Viking Museum (lofotr.no).

Capacetes com chifres, como o do empolgado turista da foto abaixo, não existiam naqueles tempos. Aliás, o povo que pôs medo ao Império Romano ia para as batalhas sem capacete, como explica o filme exibido logo na entrada. Mas, à exemplo de seu deus Thor, agora famoso pelos filmes de Hollywood, o martelo era a arma favorita desses exímios navegadores.

A ideia de criar o museu surgiu após a descoberta, nos anos 1980, de resquícios de uma casa viking do século 9.º A moradia foi reproduzida, na íntegra, ao lado da área da descoberta. No tour guiado pelos objetos encontrados na escavação - há versões em inglês, italiano e espanhol - descobre-se, por exemplo, que um copo de vidro custava cerca de 2.500 cabras.

O local mantém um restaurante que serve um jantar tradicional viking, com atores-garçons interpretando uma família real da época. O menu custa desde 668 coroas norueguesas (R$ 248) por pessoa.

*O repórter viajou a convite do Conselho Norueguês da Pesca.

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