Edison Veiga/AE
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'Destino de verão' conquista adeptos na baixa temporada

Pistas de nível fácil a muito difícil levam visitantes a Cerro Castor, a surpresa para quem acha que Ushuaia, na Argentina, é apenas ponto de partida para os cruzeiros até a Antártida

EDISON VEIGA / USHUAIA, O Estado de S.Paulo

24 Julho 2012 | 03h12

Até os anos 1990, a argentina Ushuaia era um destino de verão. A piada, repetida por dez entre dez guias turísticos na cidade que se diz a mais ao sul de todo o mundo, indica que verão por aquelas bandas não é sinônimo de calor. "Temos duas estações, o inverno e a de trem", brincam.

Há pouco mais de dez anos, quando mesmo no inverno nevado e com termômetros chegando a 8 graus negativos começou a aumentar gradativamente a frequência de voos para lá, a cidade passou a explorar também o que era considerada baixa temporada. O branco por todos os lados favorece a prática dos esportes de inverno. E não apenas esqui e snowboard. As opções vão de leves caminhadas na neve com raquetas nos pés até altas doses de adrenalina a bordo de um snowmobile, ou moto de neve.

Os números ainda mostram que são mais turistas no verão (206 mil no último) do que no inverno (42 mil, em 2011). Mas quem for nos meses mais frios encontrará uma estrutura consolidada. E uma vontade explícita dos locais de se diferenciarem da popular Bariloche. "Aqui não tem fila, não tem tumulto e cada um faz o que quiser a seu tempo", diz Gabriela Clara Schneier, professora do Centro Invernal Ushuaia Blanca; (caminhada com raquetas, 40 pesos ou R$ 18 por hora e passeio de snowmobile de 10 quilômetros, 400 pesos ou R$ 180).

Na estrutura do local, conhecido pela modalidade esqui de fundo (ou cross country) - uma espécie de maratona com esqui -, destaca-se a preocupação com acessibilidade. "Damos condições para que qualquer um possa praticar os esportes, de acordo com suas limitações e possibilidades", continua. Ou seja, pessoas com deficiência, idosos e todos os que têm mobilidade reduzida também podem se deliciar na neve.

Cada centro invernal tem seu ponto forte. Llanos del Castor é parada obrigatória para passeios de trenó puxado por cães, tanto que é ali que ocorre o campeonato sul-americano do esporte.

"Infelizmente, manter os cães acaba sendo um problema. Porque só temos neve no inverno, mas os animais comem o ano todo", brinca o administrador do local, Alberto Cichero. São três as raças que vivem por ali: husky siberiano, que atinge 8 quilômetros por hora, husky-do-Alasca, 30 quilômetros por hora, e greyster, impressionantes 45 quilômetros por hora.

Mas a cereja do bolo, ou melhor, a calafate do sorvete - para usar uma metáfora mais condizente com as sobremesas da região -, é Cerro Castor (tarifas de 140 a 320 pesos por dia ou R$ 62 a R$ 142). Inaugurada em 1999 e localizada a 26 quilômetros da cidade de Ushuaia, a estação de esqui é moderna e completa e funciona como chamariz para os turistas que vão para o extremo sul do continente em busca de emoções no gelo.

São 28 pistas, de fáceis a muito difíceis - a mais alta tem 1.050 metros de altitude e quase 5 quilômetros de extensão. A estrutura ainda conta com cafés, restaurantes, playgrounds, uma escola de esqui e um ambulatório.

É nossa. Os brasileiros são imensa maioria entre os turistas que escolhem a cidade no inverno. "Já representam quase 70% do total dos que vêm para cá nesta época", afirma o secretário de Turismo, Daniel Leguizamón. "Os argentinos são 30%. Outros países ainda representam uma fração muito pequena."

Não à toa, os centros invernais têm uma atenção muito grande com visitantes do Brasil, inclusive ajudando - e alertando - os que experimentam em Ushuaia sua primeira experiência na neve. "A maior dificuldade dos brasileiros é que muitos chegam com roupas inadequadas ao frio", diz Pedro Vergara, diretor da escola de esqui do Cerro Castor.

Por isso, antes de enfrentar os esportes de gelo, convém passar em uma das lojas do centro de Ushuaia que alugam trajes e calçados impermeáveis e próprios para a neve.

 

A bordo de um trem ou catamarã, outros ângulos

Passeio imprescindível para quem vai a Ushuaia - por cruzar os bosques do Parque Nacional da Terra do Fogo -, o Trem do Fim do Mundo é garantia de paisagens surpreendentes, com rios congelados e pegadas de animais, como coelhos.

O trem está relacionado à história da cidade. Em 1883, o governo argentino criou uma penitenciária na região, então praticamente desabitada. No início do século 20, a ferrovia foi instalada para o transporte dos presos. Deixou de operar em 1952 e, 42 anos mais tarde, foi reativada turisticamente. O passeio custa 155 pesos (R$ 68).

Reserve uma tarde para um tour de catamarã pelo Canal Beagle (250 pesos ou R$ 110), para avistar colônias de lobos marinhos e cormorões. É dali que partem os navios rumo à Antártida.

 

Gastronomia. A estrutura de bares e restaurantes de Ushuaia vem melhorando. Aposte no modernoso Küar (kuar.com.ar) e no simpático Bodegon Fueguino (tierradehumos.com/bodegon). Na zona portuária, o El Almacén de Ramos Generales (Avenida Maipu, 749) é decorado com máquinas de escrever, caixas registradoras, lamparinas e outras quinquilharias divertidas. /E.V.

 

* Viagem a convite de Inprotur e Secretaria de Turismo de Ushuaia

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