Adriana Moreira/Estadão
Adriana Moreira/Estadão

Dia 1: de Ilhota a Gaspar, 46 km

Seguindo o curso do Rio Itajaí-Açu

Adriana Moreira, Blumenau / O Estado de S.Paulo

18 Julho 2017 | 04h20

Foram 50 minutos de carro do centro de Blumenau, onde estávamos hospedados, até o ponto de encontro com o resto do grupo, em uma estrada de terra em Ilhota. Nossas bicicletas nos esperavam prontinhas: antes de viagem, Fernando havia perguntado a altura dos participantes para deixar os bancos pré-ajustados. Nenhum trabalho, a não ser encher as garrafinhas d’água para o percurso.

Embora a previsão do tempo anunciasse chuva (no dia anterior, havia chovido muito e o céu continuava nublado), nenhuma gota caiu durante o trajeto. O clima estava agradável e percebi que tinha tomado uma boa decisão seguindo o conselho dos meus colegas mais experientes, que sugeriram bermuda em vez de legging. Fazia frio nas primeiras horas da manhã, mas na hora em que pegamos as bicicletas já começava a esquentar (fora o calor extra, causado pelo exercício).

O primeiro trecho foi mais de adaptação do que de belas paisagens. Era minha primeira vez em uma viagem de mountain bike, com longos trechos em estrada de terra – em minhas viagens, sempre procuro pedalar, mas em área urbana. 

Dudu era o guia que ia à frente do grupo e Bruno, atrás. A van, pilotada pelo simpático Otacílio, estava sempre próxima, com galões de água e lanchinhos para aqueles momentos em que é preciso recuperar as energias. 

Logo deu para perceber que aquele grupo, com pessoas entre 40 e 60 anos, tinha ótimo preparo físico. Fiquei para trás – Bruno ia pertinho. Mas não me senti pressionada: estava tranquila, pedalando no meu ritmo. 

Dava para ouvir o Rio Itajaí-Açu serpenteando ao nosso lado, ou mesmo vê-lo em alguns trechos. Do lado oposto, casinhas típicas, de madeira, com jardim bem cuidado. Alguns moradores acenavam; outros olhavam desconfiados. A maioria sorria.

Ficar para trás implica não participar do bate-papo ciclístico, mas permite ouvir os sons ao redor. Pássaros, cães, uma música no rádio, a vida que segue, tranquila. Em meio a tudo isso, chegamos à parada para o lanche (ufa!), em frente à igreja de São Brás, ainda em Ilhota.

Castanhas, frutas (especialmente bananas, que ajudam a prevenir cãibras), barras de cereais, bate-papo e recuperação de fôlego incluídos, logo seguimos juntos, até cada um encontrar seu ritmo de pedalada novamente. 

Para o alto, e avante

E assim continuamos até a hora do almoço, quando o terreno, até então majoritariamente plano, começou a apresentar subidas mais exigentes. Até que comecei bem, considerando que não pedalava com afinco há vários meses. Mas quando senti os músculos queimarem, desci da bicicleta para empurrar. Dava para ver uma descida e uma subidinha que não parecia lá grande coisa. Mas a verdade é que a subidinha era uma subidona, e depois dela vinha outra. E outra.

 Decidi não ir na van porque o local do almoço estava próximo, e tinha esperanças que daquele ponto para frente o terreno ficasse plano novamente. Mas quando cheguei ao local, vi que era só o começo de uma sequência de morros, que se estenderiam por quase 10 quilômetros. Troquei a estrada pelo ar condicionado.

 Depois, para fotografar, passei para o carro de apoio de Fernando, o que permitiu conhecer Ari Krauser, de 84 anos. Já estávamos em Gaspar, e fiquei encantada com sua casinha vermelha, bem cuidada, parecendo um cartão-postal. Puxei conversa: “Que linda sua casa”, disse. “Vamos entrar para tomar um café”, convidou ele.

Descendente de alemães, como boa parte dos moradores da região, ele contou que sempre viveu naquela casa, construída por seu pai quando ele tinha 6 anos. “Vivo aqui desde menino.” Depois da conversa, nos despedimos. Faltava pouco para chegarmos à DasBier, que fica ao lado de um pesqueiro – ambos propriedade da mesma família. 

Hora de degustar

A cervejaria tem clima de barzinho descolado, com mesas do lado de fora e petiscos tradicionais, como a linguiça alemã. Esqueça aquela visita para conhecer a fábrica e um monte de nomes técnicos. A pedida é curtir o ambiente, relaxar.  Ao todo, são 12 tipos de chope e 10 cervejas. Se tiver na dúvida, peça a opção degustação, com oito copinhos (R$ 12). Fica o alerta: chope de vinho é um hit por lá, e ele também vem na degustação. A pilsen não agradou; fez mais sucesso a weizen e a pale ale (R$ 8; 330 ml). Site: dasbier.com.br.

Mais conteúdo sobre:
Blumenau

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.