Mônica Nobrega/Estadão
Mônica Nobrega/Estadão

Dia 1 - O encontro

O M. Monteiro cruzou o Encontro das Águas, principal atrativo turístico de Manaus, deixando para trás o Rio Negro e começando a jornada correnteza acima pelas águas cor de barro do Solimões...

Mônica Nobrega, O Estado de S.Paulo

02 Maio 2017 | 05h12

Ansiosa pela primeiro mergulho em águas amazônicas, mergulhei na cama daquele que seria o meu quarto ao longo daquela semana.

Era meio-dia de sábado, horário e dia da semana habitualmente marcados para a partida do M. Monteiro do porto de Manaus para sete dias de navegação pelo Rio Solimões, em direção a Tabatinga, na tríplice fronteira do Brasil com a Colômbia e o Peru. Todos devem estar a bordo pontualmente, mas a saída quase sempre atrasa. O M. Monteiro é um barco regional, não um navio de cruzeiro, e seu funcionamento depende sobretudo da carga. Naquele dia, uma picape vermelha levou um tempo a mais para ser embarcada.

Meu grupo de turistas viajaria no cercadinho vip do barco; para nosso uso exclusivo havia um refeitório e uma sala com sofás e redes, tudo no convés superior, onde também ficam as cabines individuais. Elas são espaçosas e muito simples: além da cama de casal – aprovada no primeiro mergulho-teste –, têm ar condicionado, varanda, geladeirinha e banheiro. O chuveiro é frio e despeja água que vem direto do rio.

No convés principal vão os passageiros em redes. Cabem ali 300 pessoas. No inferior, ou passadiço, seguem carregamentos de milho de pipoca, arroz, açúcar, cerveja, melancias, fogões, geladeiras, esquadrias de janela, cimento. O acesso é livre, e cada visita é uma descoberta.

Partimos de fato às 13h40. Cerca de 40 minutos depois, o M. Monteiro cruzou o Encontro das Águas, principal atrativo turístico de Manaus, deixando para trás o Rio Negro e começando a jornada correnteza acima pelas águas cor de barro do Solimões. Uma cena que encanta turistas, mas não chegou a lotar as amuradas do convés principal: para boa parte dos passageiros, aquela era só mais uma viagem de Manaus, aonde vão visitar parentes, consultar médicos e resolver burocracias, até suas cidades de origem no extremo oeste do Brasil, região chamada de Alto Solimões.

A floresta marcada pela linha d’água da cheia do ano passado, palafitas ribeirinhas, gado, plantações de banana, a primeira chuva forte e um resto de sinal de celular, oscilante, mas ainda suficiente para postar fotos nas redes sociais, ocuparam as horas daquela primeira tarde. No finalzinho dela, as nuvens sumiram e deram lugar ao pôr do sol nas águas do Solimões. Pensando bem, o rio é tão largo que estranho seria se o sol tivesse achado algum canto seco para se pôr.

Horas mais tarde, de algum ponto da floresta, por detrás das árvores surgiu uma brilhante lua cheia que acompanhou o barco até alta madrugada.

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