Adriana Moreira/Estadão
Adriana Moreira/Estadão

Dia 3: de Nova Rússia ao centro de Blumenau, 23 km

De olhos bem abertos

Adriana Moreira, Blumenau / O Estado de S.Paulo

18 Julho 2017 | 04h20

O último dia foi o mais leve e com a paisagem mais bonita, cruzando o Parque Nacional do Itajaí. A saída foi do Recanto Paraíso do Miguel, por onde passa o Ribeirão Garcia, formando piscinas naturais e pequenas quedas d’água entre as pedras. 

Embora o sol brilhasse forte naquela manhã, a água estava gelada. Ainda assim, houve quem entrasse na água antes de começar a pedalada. Preferi me refestelar nas pedras, me aquecendo sob o sol e ouvindo o relaxante som da água corrente. 

Nesse dia, o grupo pedalou junto o tempo todo. Era domingo, e como o distrito de Nova Rússia, em Blumenau, tem muitos sítios, havia um movimento razoável pela estrada de terra. “Todos pedalam à direita”, avisou Dudu.

Com poucas subidas, a pedalada foi mais contemplativa e menos exigente, onde era possível observar o Ribeirão quase o tempo todo. No caminho, passamos por um ponto impressionante onde, há alguns anos, o curso d’água subiu e arrastou tudo pelo caminho. Uma gigantesca pedra caiu no leito e mudou a margem de lugar. A placa no local explica o impressionante episódio em detalhes. 

A parada para o lanche foi numa ruazinha tranquila, mas já urbanizada. Ouvindo o movimento, dona Otacília saiu de casa e foi conversar com os ciclistas. “Se precisarem de banheiro, podem entrar.” Muitos aceitaram o convite, com alegria (e certo alívio).

Pneu furado

O trecho final da pedalada passa pela BR-470, que tem uma ótima ciclovia por onde se deslocam os moradores da região. E foi nesse trecho que furou o pneu do guia Dudu – o único acidente do tipo durante toda a viagem.

Pneu trocado, seguimos até o centro histórico de Blumenau, passando pelas casas de estilo enxaimel e o icônico prédio da prefeitura. Aos fins de semana, as ruas do centro ficam fechadas para carros, enchendo a região de crianças em suas próprias bicicletas. Pena, porém, é não haver sequer uma loja aberta por lá. 

O almoço foi no restaurante Thapyoca, um self-service familiar à beira-rio, com um cardápio repleto de cervejas artesanais e muitos pratos típicos, como joelho de porco, chucrute e pato com molho de maçã. Antes de matar a fome, a despedida: era hora de dizer adeus às bikes, fiéis companheiras ao longo dos últimos dias.

Para fazer a digestão, ainda dá para passar no Museu da Cerveja, em frente. A entrada é grátis, e o acervo, composto por antigos barris, garrafas, pôsteres e maquinário, pertenceu à antiga Cervejaria Feldmann, de Blumenau. Fundada em 1898, ela produziu seu último lote em 1954. Os objetos se concentram em duas salas – ou seja, dá para visitar tudo rapidamente. 

O que mais ver em Blumenau

1. Vila Germânica. Conhecida por ser o palco da Oktoberfest – este ano, de 4 a 22 de outubro –, a Vila Germânica fica aberta o ano todo. Embora turístico, o ambiente é bastante agradável, com boas opções de restaurante e uma ótima cervejaria, a Biervila, com 400 tipos de cerveja e chopes artesanais (a partir de R$ 9; 300 ml) e petiscos. A Eisenbahn montou ali sua bierhaus bem ao estilo germânico, com cervejas da marca e pratos saborosos. Aproveite também para comprar lembrancinhas, embutidos e, claro, tirar uma foto vestido a caráter. 

2. Casas eixamel. A XV de Novembro é a principal rua do centro histórico, por onde desfilam carros alegóricos na Oktoberfest. A partir dela, dá para acessar os principais cartões-postais da cidade: a prefeitura, em estilo enxaimel, o castelinho da loja Havana e outras construções. 

3. Museus. Próximos ao centro histórico, eles podem ser visitados rapidamente, em uma tarde. O da Família Colonial (Al. Duque de Caxias, 64) fica numa casa de 1864 e expõe pertences do Dr. Hermann Blumenau, fundador da cidade. O de Hábitos e Costumes (XV de Novembro, 25) abriga peças que retratam o cotidiano da sociedade local a partir do século 19. 

4. Cemitério de gatos. Um ponto curioso de Blumenau é o Cemitério de Gatos, no Parque Edith Gaertner. Autoproclamado único no mundo, tem nove sepulturas dos mais de 50 gatos que viveram com Edith (1882-1967).  Eles eram enterrados nos fundos de sua casa, hoje um museu.

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