Ana Carolina Sacoman/Estadão
Ana Carolina Sacoman/Estadão

Dia 3: Vou me entorpecer bebendo vinho

Separe o último dia para conhecer as vinícolas dos Vales do Maipo e do Colchagua, nos arredores de Santiago

Ana Carolina Sacoman/ Do Vale do Maipo, O Estado de S. Paulo

13 Fevereiro 2018 | 05h28

Separe o último dia para conhecer as vinícolas nos arredores de Santiago, nos Vales do Maipo e do Colchagua. A boa notícia? É possível chegar com uma dobradinha de metrô e ônibus a várias delas, incluindo a famosa Concha y Toro (conchaytoro.com). 

Qual escolher depende do gosto do freguês e da disponibilidade de vaga nos tours da vinícola, mas tenha em mente que mais do que duas no mesmo dia pode ser bobagem. Se quiser fazer um roteiro mais apertado, arrisque ir a três, mas duvido que dê para aproveitar como manda o figurino.

Por ser provavelmente a mais badalada do Chile, a Concha y Toro exige reserva com muito tempo de antecedência. Uma alternativa é a Cousiño Macul, no Vale do Maipo. É preciso sair do centro de Santiago com mais ou menos uma hora de antecedência, tempo suficiente para pegar metrô e ônibus e driblar qualquer imprevisto pelo caminho.

Você precisa descer na Estação Quilín (Linha 4 Azul do metrô), já na região metropolitana, e caminhar na direção do Paseo Quilín, um shopping ao lado da parada. No estacionamento dele há um terminal de ônibus. Pegue o D57 e avise o motorista onde quer ir, ele indicará o ponto em que deve descer.

Aqui como em outras vinícolas há dois tipos de passeio: um standard, que inclui o tour pelo lugar e degustação de quatro vinhos (por 14 mil pesos, R$ 76, por pessoa, tem duração de pouco mais de uma hora), e o premium, um pouco mais longo, dura 1h30, inclui degustação de queijos e aumenta para seis o número de vinhos provados, tudo a 24 mil pesos por pessoa (R$ 130). Os roteiros são em inglês ou espanhol, e os guias estão bem preparados para responder a todo tipo de pergunta.

Os tours começam pelos vinhedos, onde é possível entender o ciclo de produção no Vale do Maipo, seguido pela antiga bodega e a cave subterrânea da família, do século 19. Depois vem a degustação, já ao lado da loja, para emendar umas compras. Reservas: cousinowinetour.cl/tours.

Dobradinha etílica. Ao sair da Cousiño Macul, faça o caminho de volta no mesmo ônibus D57 até o Paseo Quilín e, de lá, para o metrô. O ideal é já ter a visita para outra vinícola engatilhada e nem voltar para Santiago. A Santa Rita, dona do famoso vinho 120 Reserva Especial, é uma opção. Se puder, planeje um almoço lá mesmo antes do passeio.

Bem famosa no Brasil, a Santa Rita fica mais distante de Santiago, mas nem por isso é impossível de chegar. O esquema é descer na Estação Las Mercedes, na mesma Linha 4 Azul do metrô. Na saída há um ponto de ônibus. Pegue o Alto Jahuel, sentido Buin. No ônibus, diga que quer descer na Santa Rita e espere. A viagem é longa, e até parece que você está no caminho errado, principalmente depois de passar por várias vinícolas, incluindo a Concha y Toro. Tenha um pouco de paciência.

Ao chegar, uma carroça leva o visitante da entrada até o centro da vinícola. Ali há um café para refeições rápidas, restaurante, loja e o Museu Andino, com 1,8 mil peças de arte pré-colombiana e entrada grátis – se tiver com tempo, vale conferir as peças, especialmente as joias de ouro do povo Mapuche.

Filminho. O esquema do passeio é o mesmo: começa nas parreiras, conta a história da vinícola, etc. Mas na Santa Rita a produção está a todo vapor, então o legal é poder ver engarrafamento, rotulagem e outras etapas da fabricação de vinho.

O roteiro termina no porão da casa-sede, onde aconteceu um evento histórico: 120 soldados do Exército chileno ficaram escondidos ali por um tempo em 1814, durante a guerra de independência do país, escaparam da morte, viraram heróis nacionais – e batizaram o famoso vinho da Santa Rita. A história é contada em um bem-feito filminho de animação, num cenário com bonecos articulados e efeitos de luz e som.

No fim, degustação de três vinhos e lojinha. Além das bebidas, dê alguma atenção aos produtos de beleza feitos na vinícola com uvas que não foram aproveitadas na fabricação do vinho. Há xampus, condicionadores e cremes de mão feitos de cabernet sauvignon. Na hora da empolgação, lembre-se que terá de carregar as compras na volta para Santiago. Reservas: santarita.com. Tour clássico custa 12 mil pesos e o premium, 40 mil. 

Direção única. A noite de Santiago é bem vivida em Lastarria (Estações Universidad Católica, na Linha 1 Vermelha, ou Bellas Artes, na Linha 5 Verde). O bairro é supercharmoso, com cafeterias, restaurantes, festinhas, lojas, brechós e galerias. Lota nos fins de semana, o que pode resultar em espera para almoçar ou jantar.

Perto do centro da cidade, a região é excelente opção também para se hospedar – e evitar o óbvio bairro de Providencia, amado pelos brasileiros e visitantes em geral, mas, vamos falar a verdade, já “batido”, com restaurantes caros e sem graça.

A Rua José Victorino Lastarria deve servir como ponto de partida. Ali ficam o Museu de Artes Visuales (mavi.cl; 1 mil pesos) e o Cinema El Biografo (elbiografo.cl; entradas de 3 mil a 4 mil pesos, R$ 16 a R$ 21), dedicado a filmes de arte. Lá também está localizada uma das unidades do Emporio La Rosa (emporiolarosa.com), onde os chilenos gostam de dizer que são feitos os melhores sorvetes da América do Sul. Será? 

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