Dia 4: descanso merecido antes do 'grand finale'

Depois de três dias de caminhada, finalmente um dia mais relaxante e com os dois grupos juntos o tempo todo. Na véspera, saímos de Pachacancha e dormimos em Ollantaytambo, vilinha gostosa com apenas 700 habitantes cuja população se multiplica diariamente. Afinal, sua ruína homônima é a mais visitada - depois de Machu Picchu, claro.

Felipe Mortara/Estadão, O Estado de S.Paulo

25 Novembro 2014 | 02h07

Apesar de simples, os jardins e o café da manhã valem a hospedagem no Hotel Pakaritampu (pakaritampu.com; diárias desde US$ 173,21 o casal). Dali, são só 10 minutinhos a pé até o sítio arqueológico. A entrada é com boleto turístico, o mesmo necessário para visitar patrimônios como Sacsayhuamán, Moray e Pisac (desde 130 novos soles ou R$ 112 em cosituc.gob.pe; não é válido para Machu Picchu). Uma vez perfurado, subimos pelos terraços íngremes que guardam as impressionantes ruínas.

O guia Guido Huaman Serrano explica que Ollanta era o nome de um guerreiro inca; tambo significa lugar de descanso. "Este sítio foi erguido no século 15 sobre ruínas de civilizações pré-incas. Porém, nunca foi acabado, como indicam algumas pedras soltas pelo caminho", aponta.

Em 1536, o rebelde Manco Cápac II havia recuado para essa fortaleza após ser derrotado em Sacsayhuamán. Hernando, o irmão mais jovem de Francisco Pizarro, o principal conquistador espanhol a se aventurar no Peru, tentou derrotar o líder inca com uma força de 70 cavaleiros. Ali, a tropa espanhola foi recebida com uma chuva de flechas e pedras vindas do morro. Além disso, Manco Cápac II construiu canais para alagar a planície abaixo da fortaleza e, assim, os cavalos atolaram na água.

O arqueoastrônomo Andrés Adasme se entusiasmava mostrando in loco as linhas de construção. "O sol bate aqui no solstício e no equinócio e a linha de pedras acompanha o giro do sol. Os incas queriam conectar os edifícios com o céu, onde estão as divindades", esclarece.

Quase lá. Das ruínas saímos apressados para não perder o trem rumo a Águas Calientes, cidade de acesso a Machu Picchu. Após 1h30 de um suave chacoalhar, adentramos a compacta vila de Águas Calientes, espremida entre montanhas verdes e verticais e o caudaloso Rio Urubamba. Exclusivamente turística, vive em função do sítio arqueológico, distante oito quilômetros. Para chegar no alto da montanha, são 30 minutos de ônibus (US$ 19) ou 1h30 de caminhada morro acima por uma trilha paralela, sem muitos atrativos.

A subida, entretanto, seria só no dia seguinte. Enquanto isso, uma visita ao mercado de souvenirs oferece opções coloridas para agradar àqueles que vieram na viagem. Estamos a 2.400 metros de altitude, ou seja, quase mil metros abaixo de Cuzco, e a grande questão é a umidade. A forte chuva que chegou enquanto pechinchávamos foi a prova disso.

O ideal para aproveitar ao máximo o melhor horário em Machu Picchu é chegar na véspera a Águas Calientes. Trata-se de um povoado simples, com opções de hospedagem tanto para mochileiros como para quem busca conforto. O Sumaq (machupicchuhotels-sumaq.com) é um cinco-estrelas pomposo, com decoração clean nos quartos, adornos dourados no hall e excelente gastronomia (diárias a partir de US$ 383). Já a proposta do Inkaterra (desde US$ 318; inkaterra.com) é bem diferente, com casinhas espalhadas pela mata, onde são cultivadas espécies raras de orquídea e é mantido um projeto de reintrodução de ursos-de-óculos em seu hábitat.

Fazer compras ou descansar pela tarde é a melhor alternativa para estar pronto para madrugar e alcançar a cidadela antes de a muvuca tomar conta. Embora o primeiro ônibus parta apenas às 5h30, as filas podem começar às 4 horas. É cedo demais, sim. Mas, convenhamos: você chegou até aqui. Vai trocar a experiência de viver e fotografar Machu Picchu quase sem ninguém por causa de uns minutos a mais de sono? Eu, não.

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