Dia 5 - A castanha

Além de comer castanhas, nadamos por ali, nas águas pretas do igarapé...

Mônica Nobrega, O Estado de S.Paulo

02 Maio 2017 | 05h08

À medida que nos aproximamos do limite oeste do mapa do Brasil, as cidades vão se apresentando um pouco mais estruturadas. Tonantins tem 18 mil moradores e dois centrinhos. O histórico fica na vila de São Francisco de Tonantins, comunidade a 15 minutos – de moto, meio de transporte terrestre mais popular por ali – do centro mais novo, junto do porto. 

Em São Francisco de Tonantins visitamos uma produção de castanha brasileira. É a castanha-do-pará, mas amazonenses ficam bravos se você as chama pelo nome do Estado vizinho. Além de comer castanhas, nadamos por ali, nas águas pretas do igarapé. 

Neste trecho a cheia parecia ter avançado mais. Navegamos entre árvores das quais só tinha sobrado a copa acima da linha d’água. Um barco emborcado, parcialmente submerso, teria de esperar as águas baixarem, a partir de maio, talvez junho, para sair dali. Por falar em barcos, há alguns pequenos estaleiros nestas margens.

Santo Antonio de Içá é um município em forma de cone (ou de gramofone) que tem uma beirada no Solimões e a maior parte do território em torno do Rio Putumayo, e só vai acabar lá na fronteira colombiana. Tem 23 mil habitantes, o terminal portuário mais ajeitado até ali, coberto, e uma pequena unidade da maior universidade privada do País. 

Pode parecer que, para além do mirante no alto de uma falésia, não há o que ver na cidade. O olhar atento, no entanto, vai perceber que a população tem características específicas. O português vai perdendo a importância como idioma do cotidiano. Em Santo Antônio de Içá há muita gente de origem peruana e, principalmente, ticuna, etnia nativa do Alto Solimões e composta, hoje, por 40 mil a 45 mil pessoas. 

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