Mônica Nobrega/Estadão
Mônica Nobrega/Estadão

Dia 7 - A colombiana

A hora de ver a vitória-régia chegaria na parada seguinte do passeio. A localidade de Puerto Alegria fica em território peruano...

Mônica Nóbrega, O Estado de S. Paulo

02 Maio 2017 | 05h07

Faltava ainda um item para completar o check-list turístico da Amazônia: a vitória-régia. Mesmo em um roteiro nada convencional e pautado pelas surpresas, seria frustrante não ver a planta. Mas sim, teve vitória-régia. Duas vezes – mas sem a flor desabrochada.

Na manhã do sétimo dia, a quase 1.600 quilômetros de Manaus, soou o último apito do M. Monteiro. Chegávamos à cidade brasileira de Tabatinga, na tríplice fronteira com a Colômbia e o Peru. 

Com 60 mil habitantes, Tabatinga tem bases das três forças armadas para o controle de fronteiras. Conta com câmpus da Universidade Estadual do Amazonas. Tem o aeroporto onde, no dia seguinte, embarcaríamos em um voo da Azul de volta para Manaus. E só. Por isso, seguimos de táxi direto para a cidade vizinha, Letícia, já do lado colombiano da fronteira. 

Letícia trouxe para o nosso roteiro a primeira infraestrutura turística mais profissional. Tem agências de receptivo, excursões, parques naturais como o Mundo Amazônico (mundoamazonico.com), pousadas.

Para o meu grupo estava reservado um passeio à Isla de los Micos. A lancha rápida parte do malecón (o calçadão) de Letícia e viaja por 50 minutos rio acima – da fronteira para lá, o Solimões volta a se chamar Amazonas. Na ilha vivem cerca de 1.500 macaquinhos, e os turistas são convidados a caminhar por uma trilha e alimentá-los com bananas. Alguns visitantes se divertem ao serem escalados por dezenas de micos em busca da fruta; outros ficam incomodados. 

A hora de ver a vitória-régia chegaria na parada seguinte do passeio. A localidade de Puerto Alegria fica em território peruano; assim, acrescentou o terceiro país à nossa viagem. Na vila fica o Albergue Irapay, que tem restaurante, quartos e está construído em uma área alagável com alguns lagos de vitórias-régias. Dá pena quando os moradores trazem filhotes de animais criados em cativeiro, jacaré, preguiça, porco-espinho e até uma anaconda (ou sucuri) para serem vistos, tocados e fotografados pelos turistas em troca de gorjetas. O passeio completo custa R$ 200 por pessoa.

Em Letícia, ainda deu tempo de visitar o bom Museu Etnográfico, com acervo sobre povos amazônicos nativos. E de reencontrar os mochileiros estrangeiros do M. Monteiro para assistir à revoada de andorinhas que acontece todo fim de tarde diante da Igreja Nossa Senhora da Paz, na Praça Santander. A praça tem seu próprio lago de vitórias-régias. 

Em tempo: reencontrei também Ari, o argentino do barco que só tinha 20 reais. Ele estava contente: tinha conseguido trabalho em um hostel.

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