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Adriana Moreira, O Estado de S.Paulo

31 Maio 2016 | 04h20

Se você pretende aproveitar as férias de julho para fazer um intercâmbio, fique tranquilo: ainda dá tempo. Mas se a sua meta for economizar e garantir o melhor preço, espere – e, quem sabe, escolha outro período, fora da alta temporada. Afinal, não é só o dólar (ou euro, ou libra) que pesa no valor final de seu curso no exterior. Custo de vida, acomodação e passagem aérea são os fatores que mais impactam no preço.

De acordo com levantamento divulgado pela Belta, associação que reúne agências especializadas do setor no Brasil, 53,5% das pessoas que fizeram um intercâmbio no ano passado gastaram até R$ 10 mil. Realizado com 135 agências e 1.925 estudantes, o estudo registrou também os destinos mais procurados. Graças à combinação de boas escolas, custo de vida e moeda (1 dólar canadense vale R$ 2,73, frente aos R$ 3,58 do dólar americano), o Canadá se manteve na primeira colocação, com Estados Unidos em 2.º. Houve crescimento na procura pela Austrália, que subiu do 5.º para o 3.º lugar, e por Malta, pela primeira vez na lista, em 7.º lugar. A Irlanda ficou em 4.º, o Reino Unido, em 5.º e a Nova Zelândia, em 6.º. 

O ranking demonstra que o preço não é a única coisa levada em conta na hora de escolher onde estudar – se fosse assim, além do Canadá, África do Sul e Malta seriam os três mais procurados para quem quer aprender inglês. “A gente faz um, dois intercâmbios na vida. É preciso ir para o destino sonhado”, diz Guilherme Reischl, diretor comercial da Egali Intercâmbio.

Para ajudar a realizar esse sonho, a Experimento criou a ferramenta online Vaquinha. A ideia é pedir a ajuda de amigos e familiares para conseguir o montante desejado, via crowdfunding. “É uma maneira de compartilhar o sonho com aqueles que gostam de você”, diz a diretora de Produtos da empresa, Fernanda Zocchio Semeoni. Pela plataforma, o futuro estudante escolhe o país para onde quer ir, define o valor e como quer receber o dinheiro: via PagSeguro ou PayPal.

Parcelar o curso também ajuda. A maioria das escolas oferece essa possibilidade, mas o montante deve ser quitado antes da viagem. Na CVC, que recentemente passou a vender cursos no exterior, o parcelamento pode ser feito em até 10 vezes sem juros, mesmo que as parcelas tenham de ser pagas depois da viagem. “O objetivo é democratizar, fazer com que o curso caiba no bolso do brasileiro”, diz Tutty Bicalho, diretora do departamento de intercâmbio da empresa.

Vida online. Pesquisar é palavra de ordem para quem quer pagar menos – e a internet é uma grande aliada. Além da ferramenta Vaquinha, da Experimento, é possível conseguir informações via chat, sem sair de casa, no site da STB

Já a startup Descubra o Mundo permite que o cliente não só faça toda a pesquisa de escolas, destinos e preços pelo site, mas também conclua a compra sem que seja necessária qualquer interação. Mas, em caso de dúvida, é possível conversar com especialistas via chat ou Skype. “A gente trabalha três pilares: preço até 25% mais barato, variedade e serviço”, diz Bruno Passarelli, um dos sócios da empresa – ele mesmo um ex-intercambista. 

Adaptações. Se o dinheiro encurtou e não dá mais para pagar aquele curso sonhado, considere adaptar o plano original. Transforme o curso de três meses em um intensivão de um mês. Divida o quarto. Troque Londres por uma cidade do interior da Inglaterra. Ou a Espanha por Buenos Aires. Ou ainda Estados Unidos por África do Sul. 

Quer saber como economizar ainda mais no seu curso? O Viagem fez essa pergunta para especialistas de seis agências do setor. As dicas para conseguir o melhor custo-benefício estão abaixo.

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31 Maio 2016 | 04h10

Há opções a partir de duas semanas (segundo Tutty Bicalho, da CVC, o equivalente em termos de carga horária a um semestre de curso no Brasil). Mas, para aproveitar melhor o investimento – e o destino –, pense num tempo mínimo de quatro semanas. “Você tem a oportunidade de viver ali como se fosse um morador. Esse ganho que a pessoa tem é exponencial”, diz Tutty. Vale dizer também que quanto maior a duração do programa de intercâmbio, mais barato ficará o valor por semana. 

Decida também suas prioridades. Do que você não abre mão: do destino? De um quarto só para você? Ou de ter o menor custo possível? Com isso em mente, fica mais fácil fazer eventuais ajustes no programa para que ele não apenas caiba no seu orçamento, mas também nas suas expectativas.

Se para você a infraestrutura da escola é fundamental, fique atento. Muitas agências trabalham com três tipos: budget (mais baratas e simples), smart (intermediárias, geralmente com bom custo-benefício) e premium (melhores do segmento). 

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31 Maio 2016 | 04h10

A Belta, associação que reúne empresas do setor no Brasil, recomenda começar o planejamento da viagem com no mínimo seis meses de antecedência. Dessa forma, é possível, por exemplo, escolher a data de início do curso de acordo com o melhor preço de passagem aérea. “Quem está buscando economia não deve embarcar na alta temporada”, explica Bruno Passarelli, da startup Descubra o Mundo.

Fique atento: a alta temporada de um destino não é necessariamente o verão. Leve em conta também feriados e férias escolares. “De modo geral, a alta no Hemisfério Norte vai de junho a agosto. Em dezembro e janeiro, por causa das festas de fim de ano, há um impacto direto nos custos das passagens”, alerta Bruno.

Quer ir na alta de todo jeito? Ainda assim, quem se planeja tem mais chances de conseguir passagem aérea com melhores preços.  Planejamento significa pagar menos também pelo curso. Luiza Vianna, gerente de Produtos da CI, explica que várias escolas oferecem condições especiais – e, em alguns casos, dá para garantir o preço do curso antes dos reajustes que costumam ocorrer na virada do ano. Por outro lado, há escolas que colocam adicional de alta temporada no preço do pacote. Fique atento.

 É importante também fazer um cálculo médio de quanto você pretende gastar por dia com alimentação e transporte para não ser pego de surpresa. “Pense no valor do curso como um todo”, ensina Fernanda Zocchio Semeoni, da Experimento. 

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31 Maio 2016 | 04h10

Na hora de escolher o destino, o intercambista precisa levar em conta fatores como custo de vida e deslocamento até a escola. “Às vezes, a simples escolha de uma cidade menor já faz diferença”, explica Luiza Vianna, da CI. A libra cara, na casa dos R$ 5, fez com que o Reino Unido passasse da 3ª para a 5ª posição entre os destinos mais procurados, segundo pesquisa da Belta. Mas se o seu sonho for passar um tempo na Inglaterra, a substituição de Londres por outra cidade (mesmo que a 1h ou 2h da capital) já reduz o custo de vida. Gastos com transporte também diminuem, já que as chances de você morar perto da escola aumentam. “Em Londres, tempo é dinheiro. O valor da acomodação é mais acessível no subúrbio, mas vai ter um custo maior com transporte”, diz Bruno Passarelli, da Descubra o Mundo. 

O interesse por Malta, uma ilha de língua inglesa no Mediterrâneo, vem crescendo nos últimos anos graças ao baixo custo de vida, embora a moeda local seja o euro. “Os preços são pau a pau com o Canadá”, explica Tutty Bicalho, da CVC. Fique atento: de junho a agosto os preços sobem, mas entre abril é maio o clima é agradável e os valores, convidativos.

Mesmo no Canadá, o queridinho dos intercambistas brasileiros por conta da qualidade das escolas e do preço favorável, trocar Toronto, que tem custo de vida mais alto, por Montreal já representa uma economia. Vancouver, por sua vez, pode ser interessante em razão do grande número de escolas, que competem entre si e acabam praticando preços mais baixos que em outras cidades.

Com custo de vida acessível, boas escolas e diferença cambial favorável (1 rand equivale a R$ 4), a África do Sul é ótimo negócio para quem precisa dar um upgrade no inglês, mas está com o orçamento comprometido. “A economia pode significar fazer mais passeios e atividades no país”, destaca Luiza. Para intercâmbios de longa duração, Irlanda, Austrália e Nova Zelândia são os mais procurados por oferecerem permissão de trabalho (leia mais no item 5)

Fique atento, contudo, às despesas com visto, exigido por Estados Unidos, Canadá e Austrália. Dependendo da duração do curso, você não terá essa despesa se a sua escolha for um país da Europa, onde o turista pode ficar por até três meses sem precisar do visto.

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31 Maio 2016 | 04h10

Há um consenso entre os especialistas a respeito de hospedagem. Quem quer economizar deve escolher se hospedar em casa de família. “Em geral, custa 40% menos que a residência estudantil”, explica Fernanda, da Experimento, acrescentando que em casa de família o estudante costuma ter duas refeições incluídas – geralmente, o café da manhã e o jantar. E, de quebra, faz uma imersão cultural, já que vai ter contato direto com os costumes locais. 

Para poupar ainda mais, Bruno Passarelli, da Descubra o Mundo, sugere que o intercambista considere dividir o quarto – com uma ou mais pessoas. “Negociamos diretamente com alguns albergues que nós conhecemos. O preço é imbatível.” Segundo ele, quatro semanas de hospedagem em Malta, em quarto para dois, custa entre 500 e 550 euros; nos quartos coletivos do hostel esse valor fica em 250 euros. “Mas o estudante tem de estar ciente de suas escolhas”, avisa. 

Se você não abre mão da liberdade e prefere ficar em residência estudantil, para economizar será preciso fazer a própria comida. “Tem que virar dono de casa”, diz Guilherme Reischl, da Egali. 

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31 Maio 2016 | 04h10

Alguns destinos dão permissão de trabalho para estudantes de intercâmbio, o que ajuda a pagar as despesas ou mesmo viagens curtas durante o programa. Recentemente, Nova Zelândia e Austrália passaram a permitir atividade remunerada para quem se matricula em cursos de no mínimo 14 semanas de duração. Na Irlanda, o mínimo é de 25 semanas. 

“O processo na Irlanda é simples, a idade não é levada em consideração. É exigido que o estudante leve ¤ 3 mil e se matricule em uma das escolas cadastradas”, explica Bruno Passarelli, da Descubra o Mundo. Vale lembrar que, nesses casos, conseguir o emprego fica por conta do estudante. “A maior parte das vagas é na área de serviços, em restaurantes e hotéis”, explica Luiza, da CI. 

Segundo Fernanda Zocchio Semeoni, da Experimento, os programas de au pair ainda têm grande procura. Voltados apenas para meninas de 18 a 26 anos, são populares por combinar estudo e trabalho a um preço razoável. “No Canadá, há cursos profissionalizantes que não exigem grande domínio do idioma e permitem atividade remunerada”, diz Fernanda. 

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31 Maio 2016 | 04h10

Não é apenas antes da viagem que é preciso pensar em economizar. Uma vez no destino, fique atento às gratuidades em atrações locais – museus costumam oferecer ingressos grátis um dia por semana ou em horários específicos. Estudantes, mesmo intercambistas, podem se beneficiar com descontos em atrações e no transporte público – a ordem é perguntar. Peça dicas na sua escola, seguramente um bom ponto de informações sobre descontos na cidade. 

No quesito transportes, atenção a passes semanais ou mensais, com preços compensadores. Considere ainda usar bicicleta para se locomover. Algumas escolas emprestam magrelas aos alunos mas, dependendo do tempo que você for passar na cidade, pode valer a pena comprar uma, mesmo usada – mercados de pulgas, oficinas e o painel de avisos de sua escola são bons pontos de negócio. 

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31 Maio 2016 | 04h10

Agora que você já tem todo passo a passo para escolher seu curso, veja sugestões de pacotes. Os preços não incluem a parte aérea.

AUSTRÁLIA

R$ 8.728

Na CVC, o curso de 14 semanas em Sydney dá direito a trabalhar no país, mas não inclui hospedagem.

IRLANDA

R$ 9.373,50

Na STB, curso de 25 semanas, em Dublin, com hospedagem em casa de família e duas refeições incluídas. Nesse programa, é permitido trabalhar no país.

R$ 12.045,80

Na World Study, o programa de 25 semanas em Dublin inclui acomodação na universidade.

ESTADOS UNIDOS 

R$ 5.341,14

Voltado para o aprendizado do inglês no ambiente corporativo, o curso de Business English da Global Study é voltado para pessoas de 20 a 28 anos. As aulas são em Los Angeles – sem hospedagem. 

 

R$ 1.807

Duas semanas de curso de inglês em Boston, sem hospedagem. Na CVC.

MALTA

R$ 5.271,42

Quatro semanas de curso de inglês, com hospedagem em quarto compartilhado em hostel e café da manhã. Inclui seguro saúde. Na Egali.

 

R$ 3.150

Duas semanas de curso, com hospedagem em casa de família em quarto individual e café da manhã. Na CI

CANADÁ

1.790 dólares canadenses (cerca de R$ 5 mil)

Quatro semanas em Vancouver, com 20 aulas semanais de inglês. Inclui acomodação em casa de família em quarto individual, com direito a café da manhã e jantar. Na Experimento.

REINO UNIDO

R$ 7.726

O curso de quatro semanas na cidade de Brighton inclui material didático e hospedagem em casa de família, com café da manhã e jantar. Na Descubra o Mundo.

 

R$ 16.411,08

Nove semanas de curso em Londres, com hospedagem em casa de família, sem refeições. Na Egali.

ÁFRICA DO SUL

R$ 2.693,75

Na CI, duas semanas de curso com acomodação em quarto individual em casa de família na Cidade do Cabo. Inclui café da manhã.

NOVA ZELÂNDIA

R$ 9.072

O curso de 14 semanas em Auckland dá direito a trabalhar no país. Não inclui acomodação. Na Descubra o Mundo.

 

R$ 2.139,44

Duas semanas de curso em Auckland, com hospedagem em casa de família. Na STB

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