Disputa por turistas a pleno vapor

Quer embarcar no próximo verão? Aproveite: empresas apostaram nas promoções

Mônica Nóbrega, O Estado de S.Paulo

21 Abril 2009 | 00h55

Segundo passageiro grátis (ou terceiro). Desconto de até 27% para roteiros nacionais. Facilidade de pagamento. A temporada de cruzeiros no litoral brasileiro mal acabou - o MSC Opera deixa hoje o Porto de Santos -, mas a disputa por passageiros para o próximo verão no mar já está acirrada entre as operadoras de turismo.

Tentativa de garantir o crescimento diante da crise econômica e das notícias negativas que marcaram a estação 2008/2009, como mortes e virose a bordo? Embora o setor não admita, estudiosos afirmam que a imagem das viagens marítimas sofreu, sim, alguns arranhões (leia mais abaixo).

As projeções das operadoras para 2009/2010 são ambiciosas. Há possibilidade de que até 20 navios cheguem aos mares brasileiros - 18 estão confirmados - e fala-se em um número recorde de 832 mil viajantes a bordo, crescimento 73% em relação aos 480 mil passageiros desta temporada. Talvez por isso, as novidades já estejam sendo anunciadas aos quatro ventos, exatos seis meses antes da primeira saída, marcada para 22 de outubro.

A MSC (www.msccruzeiros.com.br) abre a estação - e já lançou a promoção que dá a viagem grátis ao segundo passageiro. A empresa terá a temporada mais longa da costa brasileira - até de 3 de maio de 2010.

Com a tarifa Pague Já, a Costa (www.costacruzeiros.com) pretende estimular a compra muito antecipada - quanto antes, maior o desconto, até o limite de 27%. A Royal Caribbean (www.royalcaribbean.com.br) anuncia pacotes por a partir de US$ 299. E as vendas promocionais da CVC (www.cvc.com.br) incluem terceiro passageiro grátis e desconto de 10% para quem fizer reserva já.  

 

Para experts, socorro e portos são os pontos fracos

 

Ainda que não tenham significado redução de passageiros em relação ao ano anterior, os percalços da temporada 2008/2009 serviram para lembrar a viajantes e a empresários do setor turístico que os navios não estão imunes a problemas. Segundo a professora de Sistemas de Transporte e Turismo da USP, Debora Cordeiro Braga, alguns tipos de cruzeiros devem sentir mais o impacto das notícias negativas.

 

"Viagens para universitários devem sofrer consequências. Só não é possível, ainda, medi-las", diz. A Associação Brasileira de Representantes de Empresas Marítimas (Abremar) divulgou comunicado sobre os problemas. "Nenhum caso de óbito (...) teve relação, direta ou indireta, com a qualidade dos produtos e serviços oferecidos nos navios", informa o texto, assinado pelo presidente da entidade, Eduardo Vampré do Nascimento. "O surto de gastroenterite (...) foi causado por ação de novovírus, de origem externa." Mas Debora acredita que falta integrar esforços de socorro nas emergências, como a contratação de helicópteros, comum em rotas no Mediterrâneo.

 

Outra dificuldade, citada pelo professor da mesma disciplina do curso de Turismo da Unesp, Fernando Protti Bueno, é a precariedade dos portos. "Em muitos é impossível atracar navios desse porte."

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