É tudo verdade

Mitos e lendas fazem parte do dia a dia das comunidades ribeirinhas na Amazônia. Não há morador, seja ancião ou jovem, que se furte a relatar alguma história extraordinária. Se não viram com os próprios olhos, conhecem alguém que viu ou viveu alguma experiência relacionada ao que eles chamam de "espíritos da selva". O folclore amazônico peruano tem muito a ver com o brasileiro. Confira, a seguir. / por FÁBIO VENDRAME

O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2013 | 02h13

1 Curupira peruano

Chullachaqui é a versão peruana do curupira brasileiro. Espírito da selva, guardião da mata, tem os pés disformes e aparece para castigar caçadores de animais e gente que derruba árvores. "Ele pode transformar o caçador em caça e o desmatador em árvore", diz Santos Aricari, de 77 anos. O nome do ser mitológico tem origem quíchua, a língua mais difundida nos Andes centrais, como muitas das palavras empregadas na Amazônia peruana. Foram os jesuítas, em seu afã evangelizador, que levaram o idioma dos incas à selva no intuito de catequizar os nativos. Curiosamente, hoje em dia o quíchua tem mais influência na região que as línguas locais, como o kukama, a etnia mais populosa.

2 Sereias fêmeas e machos

Sem exceção, os amazônicos relatam a existência de sereias. Elas habitam os rios e encantam os humanos, homens e mulheres, porque são uma espécie e, portanto, há sereias fêmeas e sereias machos. "Meu primo caiu no canto de uma e enlouqueceu. Acordava à noite gritando como um animal. Corria em direção ao rio, querendo revê-la", conta Juan Tejada Genjifo, de 47 anos. Nascido em um povoado de 120 habitantes, trabalha há 27 anos como guia e fala três idiomas. "Deu trabalho curá-lo. Só o xamã, depois de meses, conseguiu desfazer o feitiço." A figura da sereia aparece até no aeroporto de Iquitos (foto).

3 A culpa é sempre do boto Na selva peruana também dizem que os botos saem dos rios nas noites de luar e se convertem em homens bonitos que seduzem as jovens. "Ainda hoje há muitos filhos sem pai por aqui", conta Rosa Espinosa, natural de Ica e radicada na Amazônia há mais de dez anos.

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