Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Em busca de um responsável de carne e osso

O incansável viajante foi admoestado por seu leitor João Motta por não ter dito que o preço cobrado por um corretto no Florian, de Veneza, é extorsivo. “Indeed”, respondeu Mr. Miles, lembrando que a bebida na clássica cafeteria não custará menos de 10 euros (ou seja, pelo menos R$ 35).

Mr. Miles, Estadão

13 Setembro 2016 | 00h05

O mesmo leitor, porém, pontificou que um corretto é um café expresso com sambuca – e não com grappa, conforme dito pelo correspondente britânico. “Nessa questão, I’m afraid to say, seu protesto não é razoável, dear John

In fact, pode-se tomar um corretto ao gosto do freguês. A grappa é o ingrediente mais solicitado pelos italianos; o sambuca (um licor de cereais com infusão de anis estrelado) também é largamente usado. Há gente que prefere misturar o café a um conhaque ou a um brandy. Para mim, não importa a infusão. O fundamental – e o correto – é que ela faça parte do expresso. Ou mesmo que a grappa, o sambuca, o conhaque ou o brandy venham sem o café. Fica ótimo.”

A seguir, a pergunta da semana:

Caro Mr. Miles: reservei um voo pela internet e, por motivos técnicos, ele foi adiado por mais de um dia. A empresa mexicana não nos hospedou em um hotel próximo ao aeroporto, nem nos ofereceu um jantar – nem sequer nos deu uma alternativa para que chegássemos ao destino. O senhor não considera isso um desrespeito?

Ian Senatore, por e-mail 

Well, my friend: eis porque aprecio a tecnologia mas não me fio nela. Marcar viagens por meio eletrônico pode, in fact, ser uma mão na massa. A questão é que nunca vemos quem está por trás daquela tela que nos oferece tantas vantagens, fotos tão artificiais (sometimes) e elogios que, muitas e muitas vezes, provêm do próprio dono do estabelecimento, de seus familiares, funcionários e afins.

Mencionarei, a propósito, o caso de um antigo amigo americano, Mr. Robinson, que passou por uma desagradável experiência na Escócia.

Como não existem castelos reais nos Estados Unidos, o sonho de Mr. Robinson era viver a experiência de ter sido um nobre ou um cruzado em priscas eras. O pobre homem, depois de grande procura, encontrou na internet um castelo promissor, do longínquo ano de 1347, totalmente remodelado. Como o preço lhe cabia – e o destino também –, lá foi Mr. Robinson rumo ao país em que, apesar de os homens usarem saias, produz-se um uísque muito viril. 

Havia, de fato, um castelo do século 14. E, conforme dito, ele havia sido totalmente remodelado. Unfortunately, a reforma ocorreu no século 18, de modo que os sinais do tempo eram de novo evidentes em todos os ambientes. A aventura foi valorizada com a presença de grandes morcegos e gritos infantis invadindo a madrugada. É o que alguns chamam de “uma experiência”.

O seu caso, my dear Ian, parece-me o mesmo, em escala menor – ou, pelo menos, sem morcegos e assombrações. Para não correr riscos desnecessários, o melhor mesmo é que, depois de escolhido o destino e a companhia aérea, você recorra a um profissional confiável da área de turismo. Pode ser um agente, um operador ou um consultor. Mas tem de ser sério. E seria ainda melhor se fosse seu amigo ou viesse com ótimas referências.

Se você tivesse tomado essa decisão – que não lhe custaria nada, porque esses experts são remunerados por meio de comissões –, o problema teria, ao menos, um responsável de carne e osso. Conhecedor das regras do turismo, ele possivelmente faria valer seus direitos e o livraria da enrascada. Um conselho que valeria também para Mr. Robinson que, miserably, resolveu nunca mais sair de sua pequena Springfield (uma das muitas que existem na América).

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É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO.

ELE ESTEVE EM 312 PAÍSES E  

16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

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