Lucineia Nunes/Estadão
Lucineia Nunes/Estadão

Entre a polêmica e o aroma do absinto

Chamada de 'fada verde', a bebida consumida pelos intelectuais no fim do século 19 chegou a ser proibida por quase 80 anos

O Estado de S.Paulo

11 Julho 2017 | 03h56

Pertinho da Suíça, Pontarlier é famosa por fazer parte da rota do absinto que atravessa os dois países. Atualmente, há apenas duas destilarias em funcionamento no lado francês. Mas nem sempre foi assim. Antes da proibição da bebida, por volta de 1910, a região tinha 20 casas produzindo absinto.

Acredita-se que na época do veto algumas destilarias usaram metanol e os viticultores aproveitaram para fazer campanha contra os efeitos colaterais do absinto que, pelo grau altíssimo de álcool, causaria loucura. Somente em 1988 a produção foi liberada.

Fundada em 1890, a premiada destilaria Emile Pernot manteve-se com a produção de licores, como o de anis, até voltar a fabricar o absinto em 2000. Ali, a receita da bebida é secreta, com teor alcoólico entre 62% e 75%. Leva álcool de vinho ou de beterraba, mais 8 a 15 plantas diferentes. Hoje, a destilaria produz 35 mil litros de absinto e exporta 80%.

Com propriedades medicinais, a planta do absinto nasce espontaneamente, suporta diferenças bruscas de temperatura e é carregada em aromas. Antes de provarmos a bebida, ela foi preparada conforme a tradição. Um copinho com absinto – e sobre ele uma peneira com torrão de açúcar – foi colocado sob a torneira de um filtro com água que pingava lentamente. À medida que a água e o açúcar derretido se misturam à bebida, o teor alcoólica baixa a 12% e ela fica ideal para tomar como aperitivo. No local dá para comprar absinto (12,55 euros a garrafa de 500 ml) e os outros licores.

Aproveite o passeio em Pontarlier para comprar também queijos típicos como o comté. Há muitas queijarias na estrada.

Castelo. Por fim, inclua no roteiro uma visita ao Château de Joux, que durante séculos foi um forte militar estratégico por sua localização e depois virou uma prisão. O lugar promove uma viagem no tempo de mais de mil anos, com cinco fortificações construídas ao longo dos séculos, sendo a última de 1880, subterrânea.

No castelo há muitas lembranças de Toussaint Louverture, primeiro general negro do exército francês, líder da revolução haitiana e que foi preso ali por Napoleão por lutar pela abolição da escravatura nas colônias francesas. A visita custa 7 euros e termina diante de um enorme poço com 30 metros de profundidade, cavado entre 1690 e 1693, em uma área subterrânea úmida e com temperatura constante de 13 graus.

Chega-se à cidade saindo de Paris em um trem de alta velocidade, o TGV, com destino à Besançon, e depois seguindo de carro por mais 1 hora.

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