Entre curry e miçangas, a Durban zulu

Representantes do maior grupo étnico do país e da comunidade indiana estão por toda parte. A mistura dita cores, sabores e aromas na cidade conhecida pelas praias de ondas fortes e orla badalada

Mônica Cardoso, DURBAN

25 Maio 2010 | 01h55

Longe da maresia. Mercados informais estão espalhados por todo o País. Há todo o tipo de especiarias e muita pechincha. Foto: Chris Kirchhoff, MediaClubSouthAfrica.com 

 

 

Antes mesmo de pisar na areia e sentir a brisa morna de Durban, o viajante terá se deparado com pelo menos duas outras faces da cidade: a zulu, maior grupo étnico do país, e a indiana, maior comunidade fora da Índia. Eles estão por toda parte, nas ruas, na orla, no comércio.

Tanto que um dos símbolos de Durban é o Victoria Street Market, que exala curry. Lemon pepper, gaum masala, piclemasala e outros temperos indianos dão ainda mais cor e sabor às bancas do mercado e à mesa sul-africana. Por causa da influência das especiarias, a culinária de Durban é a mais apimentada da África do Sul. Para não errar, os vendedores, todos indianos, dão a receita: o verde para peixes, o vermelho para carnes vermelhas e o amarelo para molhos. Prove antes de comprar.

Além de produtos indianos, como incensos e lenços, o mercado é procurado pelo artesanato sul-africano. São máscaras, roupas e estátuas dos big five, além das pulseiras, colares e bonequinhos com miçangas - herança dos primeiros colonizadores, que presenteavam os nativos com as peças como sinal de boa vizinhança. Em véspera de Copa, o amarelo e o verde, cores também da Bafana Bafana, estão por toda a parte.

Uma dica: pechinche. Os vendedores colocam etiquetas com preços meramente ilustrativos. Após uma boa negociação, uma máscara de 250 rands (R$ 59) pode sair por 50 rands (R$ 12).

Os zulus também são referência em Durban. Em Botha''s Hill, a meia hora do centro da cidade, o parque PheZulu Safari recria o modo de vida das aldeias antes da colonização holandesa e inglesa (www.phezulusafaripark.co.za; ingresso: 100 rands ou R$ 23,50). Um chifre de antílope na entrada das ocas garante a proteção dos antepassados à tribo.

Poligamia. O passeio é praticamente uma aula de história. As mulheres zulus ficavam encarregadas de preparar as refeições, inclusive a cerveja, umqombothi, servida lá. Feita à base de farinha de milho, farinha de malte e sorghum (erva africana), tem um gosto bem amargo. Já os homens eram responsáveis pela caça e lutavam nas guerras. Por segurança, eles eram os primeiros a sair das ocas, chamadas pelo complicado nome de oguqasithandaze. Em forma de colmeia, eram feitas de bambus e sapé.

A poligamia era e é uma marca da cultura zulu. O presidente sul-africano, Jacob Zuma, que pertence à etnia, acaba de se casar pela quinta vez. Depois de casadas, as mulheres usavam um chapéu quadrado, o isicholo, pois o cabelo só poderia ser visto pelo marido.

A visita acaba com apresentações de canto e dança, ao som do tambor isigubhu. As coreografias são vigorosas, com pulos e batidas fortes de pé no chão de terra. Um espetáculo emoldurado pelas belas montanhas atapetadas de pinheiros do Valley of 1000 Hills.

O parque zulu também abriga uma reserva de crocodilos. São mais de 90 animais, da espécie do Nilo, os mais pesados do mundo. O visitante atravessa pontes bem próximas às lagoas artificiais onde vivem os grandões, como Júnior, de 102 anos, o mais velho da turma.

 

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