Viagem

Entre o verde e o azul, a histórica Paraty

Paraty é uma charmosa simbiose. Localizada no extremo sul do Estado do Rio de Janeiro, o município de 917 km2 une o verde abundante da Mata Atlântica e o azul marinho de praias paradisíacas à riqueza de seus monumentos históricos, formados por casarões do século 18 e igrejas centenárias. É diversão para gostos variados. O turista à procura de praias conta com mais de 300, além de 65 ilhas. Também não faltam opções para quem quer se aventurar em caminhadas ecológicas por trilhas e cachoeiras. Mas os que buscam cultura, gastronomia de primeira, artesanato e o sossego de uma cidade litorânea são os maiores privilegiados. Tudo isso está no centro histórico de Paraty, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O conjunto arquitetônico do Brasil Colonial - considerado o mais bem conservado do País - é a principal atração do local. Cercado por correntes, que impedem a passagem de carros, o centro abriga hoje uma infinidade de lojas de artesanato, pousadas, ótimos restaurantes e bares, todos instalados nos próprios casarões. O calçamento de pedra, chamado de "pé-de-moleque", e a depressão do meio fio, que permite a invasão da água do mar em marés de lua cheia, foram mantidos e exigem cuidado dos pedestres. Nas fachadas das casas, os desenhos geométricos nos azulejos mostram a influência da maçonaria, que chegou à região no fim do século 18. É também no centro histórico, próxima do cais do porto, que está a Igreja de Santa Rita, construída em 1722 - e restaurada em 1967 e 1976 -, considerada o principal cartão-postal da cidade. O estilo barroco de sua fachada e seus suntuosos altares de madeira talhada fazem do santuário o mais valioso do município. No acervo do Museu de Arte Sacra de Paraty, localizado nas dependências da igreja, os destaques ficam por conta da prataria dos séculos 17 e 18. Já na Praça da Matriz, cercada pelo conjunto arquitetônico colonial, está a Igreja Nossa Senhora dos Remédios (a padroeira de Paraty), ao redor da qual a cidade nasceu, em 1667. Além de abrigar as festas e os eventos mais importantes do município, a praça se transforma em ponto de encontro nos fins de semana - principalmente à noite - e a sua área reservada para estacionamento serve de vitrine para dezenas de artesãos, que lá expõem seus trabalhos em feirinhas de fim de semana. Outro palco freqüente de eventos culturais na cidade é a Casa da Cultura, em um grande sobrado do século 19, na esquina das Ruas Dr. Samuel Costa e Dona Geralda. Hoje, o local passa por reformas e deve ser reaberto em janeiro. A Pinacoteca Marino Gouveia, que funcionava na casa, foi transferida para a antiga cadeia, ao lado da Igreja de Santa Rita, onde está o Instituto Histórico e Artístico de Paraty. Em seu acervo, obras de Benedito Calixto e Di Cavalcanti, entre outros. A rica e diversificada gastronomia local é atração obrigatória para qualquer turista - mesmo porque, estando no centro histórico, é muito difícil fugir dela. Restaurantes imperdíveis se espalham pelas vilas e são um ótimo programa para o fim de tarde. Na Rua Dr. Samuel Costa, fica o Banana da Terra, cujo cardápio brinca variações da fruta, em pratos caiçaras. No Refúgio, em frente do cais do porto, o destaque são os camarões, em especial o feito ao molho de mostarda. A pinga de Paraty - cuja produção tem mais de 200 anos - é um evento à parte. Fabricada até hoje de maneira artesanal, com dornas de carvalho, fogo à lenha e alambiques de cobre, a bebida virou tema de um festival anual realizado no centro histórico. O Festival da Pinga, criado pela Associação Comercial e Industrial de Paraty em 1983, foi incorporado à programação oficial de eventos elaborada pela Secretaria Municipal de Turismo e Cultura há 15 anos, atraindo milhares de turistas de várias partes do País. Ocorre todo mês de agosto. Atualmente, são seis os maiores fabricantes da bebida na cidade: Coqueiro, Corisco, Maré Alta, Murycana, Vamos Nessa e Itatinga. A fama da aguardente é tão grande que já chegou à culinária local. No restaurante Casa do Fogo, na Rua do Comércio, a especialidade são os flambados na pinga de Paraty.

05/12/2002 | 12h26

Agencia Estado