Viagem

Entre os Lençóis Maranhenses: o que fazer, onde comer e dormir

Prepare as pernas: a caminhada pelas dunas, para chegar às lagoas, é cheia de altos e baixos. A recompensa? O mergulho em águas na temperatura ideal

04/04/2017 | 05h00    

Bruna Toni - O Estado de S. Paulo

A entrada leste ao Parque Nacional dos Lençóis, no Maranhão, é pela vila de Atins

A entrada leste ao Parque Nacional dos Lençóis, no Maranhão, é pela vila de Atins Foto: Edivaldo Ugarte

BARREIRINHAS - A temperatura da água daquelas lagoas, localizadas em meio a toneladas de grãos de areia, num harmonioso conjunto batizado de Lençóis Maranhenses, era sempre a ideal, mesmo em meados de março – época em que, por ali, o calor continua intenso, mas as chuvas surgem sem avisar hora e lugar.

E elas, as chuvas, precipitaram como o prometido – nem tanto para nossa sorte, mas para a felicidade de quem pensa em visitar o destino turístico mais famoso do Maranhão em breve. Afinal, de junho a setembro, os sinuosos caminhos d’água que entrecortam ou contornam o deserto maranhense ficam cheios e vistosos como nos anúncios das agências de viagem. É época de preços mais altos, pousadas disputadas e pouca chance de chuva.

A baixa temporada, porém, não diminui as belezas do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses – é preciso apenas ter flexibilidade para trocar as atividades caso necessário, em razão das chuvas. Entre as vantagens, está a de poder desfrutar com certa exclusividade parte de seus 155 mil hectares de área – 80% deles formados por dunas. Nos nossos sobes e desces pelas areias ora fofas, ora firmes, foram pouquíssimos os encontros com outros grupos de turistas, o que é ótimo num lugar onde o silêncio cai muito bem.

Fato é que, mesmo em menor quantidade e com níveis mais baixos, os oásis de tons esverdeados, azuis ou amarronzados cristalinos estão lá, cavando seus espaços em meio a uma paisagem predominantemente bege. Além disso, algumas lagoas nunca chegam a secar, caso da Espigão e do Peixe. 

 

Rio Preguiças, tão importante quanto as dunas e as lagoas nos Lençóis

Rio Preguiças, tão importante quanto as dunas e as lagoas nos Lençóis Foto: Edivaldo Ugarte

Circuitos. Para explorá-las, há cinco circuitos possíveis no parque: um partindo da comunidade de Atins, três da cidade de Barreirinhas (principal base para quem vai aos Lençóis), e o último saindo de Santo Amaro do Maranhão. Em quase todos, a passagem de carros tracionados é limitada até as chamadas zonas primitivas, abertas apenas à caminhada. A partir daí, trilhas envolvendo subidas e descidas são esperadas e, dependendo da disposição ou condição física, a locomoção pode ser um entrave. De qualquer forma, fique com a dica do nosso guia, o monitor ambiental J. Júnior, na hora de se aventurar ladeira abaixo: “Jogue o corpo para trás e crave o calcanhar na areia”. 

Em Barreirinhas, o circuito mais visitado é o da Lagoa Azul, que abriga, entre outras, a inesgotável Lagoa do Peixe. No circuito da Lagoa Bonita, está uma das dunas mais altas, com 60 metros (o equivalente a um prédio de 20 andares) e também a Lagoa do Clone. O nome veio por causa da novela global na qual Jade, personagem de Giovanna Antonelli, caminhava por ali linda e reluzente, como se o Maranhão fosse o Oriente Médio – cena que nosso grupo de nove mulheres não resistiu em repetir. 

Já o circuito da Lagoa da Esperança passa pela divisa entre Barreirinhas e Santo Amaro e conta com uma particularidade: suas águas são provenientes do Rio Negro, que margeia as dunas fixas e móveis da região e, portanto, nunca finda. Foi nela que sentimos, pela primeira vez, as águas mornas dos Lençóis ao cair de uma nublada quinta-feira.

Rusticidade. A 100 quilômetros de Barreirinhas, a pequena Santo Amaro do Maranhão está colada no Parque Nacional e é opção aos turistas que desejam ficar mais perto de seus atrativos, apesar de ter menos infraestrutura turística que Barreirinhas. Ali, a lagoa “do momento”, como diz J. Júnior, é a das Andorinhas, que ganhou o posto até então ocupado pela das Gaivotas. “Ela (a das Gaivotas) já não tem mais o tamanho que tinha há cinco anos”, explica o monitor. “Nos próximos anos será outra, e assim vai.” 

Por ali, a natureza altera tamanhos, contornos e cores dos elementos de seu cenário de forma constante. E sem pedir licença a seus visitantes.

SAIBA MAIS

Aéreo: o trecho SP – São Luís – SP para junho custa desde R$ 560 na Gol e a partir de R$ 610 na Latam.

Terrestre: a Brtur (brtur@terra.com.br) oferece transfers diários do aeroporto de São Luís até Barreirinhas por R$ 60 por pessoa. Já a Taguatur, a maior agência do Maranhão, tem pacotes completos de uma a seis noites nos Lençóis, a partir de R$ 410 por pessoa. Para trekking, comum na região dos Lençóis, a Rotativa Eco vende pacote de 4 noites que incluem, em um dos dias, travessia de 5h no circuito Lagoa Azul. Já o grupo Encantes leva de Atins a Santo Amaro numa caminhada de 3 dias, com pernoites na casa de locais.​

Vacina: tome a vacina contra a febre amarela no mínimo dez dias antes da viagem: ao menos dois dos destinos (Barreirinhas e Araióses) estão na lista de cidades com risco de contaminação do Ministério do Turismo. Mais informações em bit.ly/vacinafamarela

Dicas: no inverno, faz calor, mas leve uma capa de chuva na mala. E, em todas as épocas, não esqueça o filtro solar e o repelente. Algumas comunidades podem não ter máquinas de cartão, por isso ande com dinheiro em espécie. 

Site: bit.ly/lencoisicmbio

*A repórter viajou a convite do trade turístico do Maranhão.

Atins, porta de entrada para o Parque Nacional

Nada de Wi-Fi por lá: a pedida é relaxar

De jardineira chegamos até um ponto das dunas. Depois, só andando 

De jardineira chegamos até um ponto das dunas. Depois, só andando  Foto: Edivaldo Ugarte

Antes da chegada à vila de Atins, na foz do Rio Preguiças, o aviso já havia sido dado: quase não há sinal de internet por lá, apesar da existência de um agonizante Wi-Fi em alguns locais. Já que está desconectado, faça um detox das redes e relaxe.

Entrada leste do Parque Nacional, Atins é um dos cinco circuitos turísticos dos Grandes Lençóis. Para chegar à vila de pescadores, só seguindo de barco pelo Rio Preguiças, numa viagem que dura, em média, 1h30. Dá para fazer um bate-volta, mas para aproveitar o parque e sentir realmente o clima do lugar, durma ao menos uma noite por lá.

Apesar de rústica, a vila tem um número considerável de pousadas, a maioria propriedade de “gente de fora”, entre estrangeiros e brasileiros. Como muitas ruas são de terra, a locomoção é feita em motos ou 4X4. À noite, diante de uma iluminação pública ainda fraca – a energia elétrica só chegou no ano passado, com o programa Luz Para Todos –, era preciso atenção: poças d’água estavam à espreita para molhar os pés dos distraídos. 

No dia seguinte, seguimos de jardineira – Toyotas adaptadas para até 13 pessoas – até o Parque Nacional. No caminho, toda a paisagem que surgia e se transformava, da vegetação rasteira e rala que ia se findando até sobrar apenas areia, enchia nossos olhos de emoção. Quando aparecia uma lagoa entre as dunas, fossem elas grandes ou pequenas, os dedos corriam rapidamente em busca das câmeras fotográficas. Justificável. Nenhuma lagoa é igual a outra e, da próxima vez, já não serão as mesmas.

Abandonamos a jardineira no ponto limite onde ela já não era mais bem-vinda e seguimos andando pelos bancos assimétricos de areia. Se as descidas ao modo “J. Júnior” eram pura diversão, as subidas sob o sol misturavam risadas, luta e suor. Por isso, a chegada à primeira parada para banho, na Lagoa da Capivara, foi uma alegria só. 

Não fosse a longa programação a seguir, ficaríamos ali horas a fio. E toca subir e descer dunas outra vez...

De lancha, no Rio Preguiças

A natureza se transforma lentamente ao longo do trajeto

Em Vassouras, macacos dão o ar da graça em troca de pedaços de banana

Em Vassouras, macacos dão o ar da graça em troca de pedaços de banana Foto: Bruna Toni/Tirada com MOTO Z PLAY + HASSELBLAD TRUE ZOOM

É inegável que os 120 quilômetros do Rio Preguiças, bem assim, no plural, provoca em quem senta à sua margem para contemplá-lo uma sensação, de fato, preguiçosa. Essa, ao menos, foi a primeira reação que tive diante do maior curso d’água da região dos Lençóis Maranhenses, que divide as áreas de preservação ambiental estadual e federal e oferece a quem o atravessa um cenário único, principalmente em relação à vegetação. 

As primeiras verdinhas a se exibir, logo na saída de Barreirinhas, foram as palmeiras buritis, cujo pé dá aquela frutinha amarela que “da fibra se faz artesanato; da palha, teto; do fruto, comida”, explica J. Júnior. Ao lado delas estão o açaí, a carnaúba, o coco babaçu… Conforme seguimos pelo rio e nos aproximamos do mar, elas vão ficando mais escassas, cedendo lugar para o mangue vermelho, responsável por 23% da área do Parque Nacional. 

Ao mesmo tempo, as modestas dunas que formam os Pequenos Lençóis vão dando as caras, criando belas paradas para fotos e banhos de mar. A primeira descida costuma ocorrer na comunidade de Vassouras, 50 minutos após o embarque. Ali, a maior atração, além das dunas e da praia de rio, é observar os macaquinhos ousados que chegam bem perto dos observadores, dispostos a receber algumas bananas pelo espetáculo – dê uma olhada na foto acima. 

 

Do alto do Farol Preguiças dá para ver o encontro do rio com o mar

Do alto do Farol Preguiças dá para ver o encontro do rio com o mar Foto: Bruna Toni/Tirada com MOTO Z PLAY + HASSELBLAD TRUE ZOOM

Em seguida, a lancha segue até Caburé, onde é possível alugar quadriciclos (leia mais abaixo), e à comunidade de Mandacaru, que abriga o Farol Preguiças, de 1909. Apesar de seus moradores, o lugar mais parece uma vila abandonada – não se encontra viv’alma por ali, ao menos no fim de tarde. Ainda assim, aproveite para subir no farol, que fica aberto das 8h30 às 11h30 e das 13h30 às 17 horas. Chegar no topo será um desafio para as pernas cansadas das dunas, mas vale a pena: cada um dos degraus circulares levam à vista panorâmica do inspirador encontro do rio com o mar.

O tempo do trajeto até Mandacaru depende do piloto da embarcação e do gosto dos fregueses, que podem querer se estender em um ou outro lugar. O passeio em grupo custa R$ 70 por pessoa e, em lancha privativa, a partir de R$ 400. E, para quem quer seguir até Atins como nós, as embarcações costumam cobrar cerca de R$ 20 a mais – mas os preços são sempre negociáveis. 

Casa da Farinha

Processar a mandioca faz parte do cotidiano de Tapuio

Homens de uma mesma família transformam mandioca em farinha

Homens de uma mesma família transformam mandioca em farinha Foto: Edivaldo Ugarte

Zé Maria faz parte da terceira geração dos Diniz Araújo. A família se dedica não apenas à preservação da cultura do cultivo da mandioca e da fabricação da farinha na região, mas à transmissão desse conhecimento rural a visitantes curiosos sobre o processo que origina o alimento mais indispensável das mesas nordestinas.

Ao lado da mãe, Dona Maria, e do pai, Seu Zequinha, Zé Maria é o responsável pela Casa de Farinha do povoado de Tapuio, um espaço coletivo utilizado pelas famílias da comunidade para a fabricação do alimento. Ninguém fica de fora, nem mesmo as crianças. “Elas precisam absorver essa cultura para que usem isso como subsistência no futuro, para que sirva como fonte de renda, já que vivemos numa comunidade rural”, explica o didático Zé Maria.

O caminho que leva até Tapuio, aliás, já é uma imersão do cotidiano local: saindo de jardineira da pousada em Barreirinhas, embarcamos na Balsa Cruzeiro para atravessar o Rio Preguiças até a outra margem, chamada de Cantinho. “Os moradores costumam usar essas rabetinhas (canoas com motor) como transporte também”, explica o guia Jairon, nosso condutor no primeiro dia de passeio. 

Cinco minutos depois, estamos do outro lado do rio. Dali, seguimos até Tapuio por ruas de terra, onde passado e presente se intercalam na arquitetura, entre casas feitas de barro e fibra e outras de alvenaria. Apesar disso, todas mantêm as portas e janelas abertas para o mundo lá fora. Do lado de dentro, seus moradores, sem pressa ou constrangimentos, tecem redes de pescaria; estendem roupas nos arames que, além de cercas, tornam-se varais; chamam as crianças que brincam nuas no quintal. 

Quando chegamos à Casa da Farinha, a sorte foi grande: lá estava um grupo de homens produzindo uma farinha amarela e cheirosa. Como cada grupo familiar vai num dia e de acordo com sua própria rotina, nem sempre é possível encontrá-los. Mesmo assim, a visita não é prejudicada, já que Zé Maria, além de expor as características da mandioca, explicando as diferenças e benfeitorias de cada tipo, mostra o passo a passo que transforma o tubérculo em farinha.

 

Depois da visita à Casa da Farinha, Seu Zequinha serve a melhor mandioca do mundo

Depois da visita à Casa da Farinha, Seu Zequinha serve a melhor mandioca do mundo Foto: Bruna Toni/Tirada com Moto Z + Hasselblad True Zoom

“Para plantar, não tem segredo. Não se planta a mandioca, mas a sua parte aérea, socialmente chamada de caule, mas aqui chamamos de maniva, que é o nome indígena”, explica. Se quiser acertar, comece falando aipim ou macaxeira para a mandioca comum e mandioca brava para o tipo mais encontrado na região.

Depois de observar, ouvir, sentir, cheirar aquela farinha quentinha, recém preparada, completamos o passeio sentados à mesa para degustar a melhor porção de mandioca frita que já comi na vida, preparada pelos donos da casa e servida com um cafezinho tão bom quanto. 

Com o grupo  Encantes, a visita à Casa da Farinha custa R$ 60 por pessoa e, se quiser incluir no roteiro a Lagoa da Esperança, sai por R$ 100. Já na Rotativa Eco, o passeio sai R$ 55. Caso você esteja por conta própria, a visita guiada na Casa da Farinha custa R$ 30 e a balsa, R$ 25 por carro transportado.

SUP no Rio Preguiças

Mesmo iniciantes podem se divertir se equilibrando sobre uma prancha

Na prainha do Rio Preguiças, em Tapuio, aulas de SUP

Na prainha do Rio Preguiças, em Tapuio, aulas de SUP Foto: Edivaldo Ugarte

Equilíbrio, foco e força. Como um mantra, repetia essas três palavrinhas mágicas enquanto tentava, pela primeira vez na vida, ficar em pé sobre uma prancha. O passo seguinte era acertar na dobradiça das pernas (aqui está a importância da força) e conseguir manusear os remos, tocando em frente e olhando sempre para o horizonte, como me recomendava Alexandre Ugarte, professor e dono da Espírito de Aventura. A empresa, entre outras atividades, oferece o passeio de stand up paddle (SUP) pelo Rio Preguiças, partindo da Praia do Tapuio, uma gostosa praia de rio que fica no mesmo povoado da Casa de Farinha. 

Recomendações do professor à parte, bastaram algumas poucas remadas para esta repórter desabar n’água. Falta de prática ou destreza talvez? Bem, minha colega de grupo, tão iniciante quanto eu, manteve-se de pé todo o tempo. 

De fato, a atividade não é exatamente difícil – mas exige certo esforço e concentração para seguir adiante. Até porque, caso você também se molhe, saiba que o banho no rio é delicioso e que, com permissão aos conselhos motivacionais, sempre é possível levantar, sacudir os remos e dar a volta por cima. Quer ver como você se sai? Uma hora de aula, com aluguel da prancha, custa R$ 100 por pessoa. 

Boia-cross no Rio Formiga

Apenas relaxe e deixe a correnteza te levar

No Rio Formiga, em Paulino Neves, a brincadeira é deixar se levar pela correnteza

No Rio Formiga, em Paulino Neves, a brincadeira é deixar se levar pela correnteza Foto: J. Júnior

Se no stand up paddle o negócio é ficar em pé e não se molhar, a proposta do boia-cross no Rio Formiga é justamente a contrária. Basta sentar na boia e se deixar levar pela correnteza – tome cuidado apenas com indesejadas colisões com arbustos. Vez ou outra, o sossego é quebrado pela necessidade de um esforço breve, uma remada com as mãos para seguir em frente. Mas os guias também dão uma forcinha quando necessário.

O passeio pelo Rio Formiga corta a comunidade de Cardosa, na cidade de Paulino Neves, vizinha a Barreirinhas, e dura uma hora. Os grupos partem do Restaurante Recanto da Paz, entre 9 e 14 horas. 

Vindo de Barreirinhas, leva-se 1h30 até o local pela Estrada Pissara, caminho de terra que exige um 4x4. Quem vai por conta paga R$ 5 a bóia de pneu, mais R$ 25 pelo serviço obrigatório de guia. Mas agências também vendem o tour, incluindo o transporte na jardineira, por, em média, R$ 80 por pessoa. Na chegada, não deixe de provar a tapioca de manteiga ou de coco com leite condensado, acompanhada de cafezinho (R$ 4).

Sobrevoo nos Lençóis

Do alto, os contornos ganham outras proporções

Os contornos dos grandes e pequenos Lençóis ficam ainda mais bonitos do alto

Os contornos dos grandes e pequenos Lençóis ficam ainda mais bonitos do alto Foto: Bruna Toni/Tirada com MOTO Z PLAY + HASSELBLAD TRUE ZOOM

A visão plana dos Lençóis que se tem quando o percorremos a pé ou de carro dá a sensação de que aqueles caminhos são intermináveis. Do alto, porém, tem-se a real dimensão de seus perfeitos contornos, quase sensuais, que os levam ao encontro das águas do mar, dos riod, das chuvas nas lagoas.

Há dois roteiros de sobrevoo para ver os Lençóis do alto, a bordo de uma aeronave do tipo Embraer Minuano ou do tipo Cessna 172, ambas operadas pela empresa AVA. O primeiro é o da Rota Litorânea, que começa sobrevoando os Pequenos Lençóis (passa por Vassouras, Mandacaru, Caburé e Atins) e, depois, segue aos Grandes Lençóis (lagoas Azul, Esmeralda e Preguiças). 

O segundo é a Rota Baixa Grande, que sai em direção ao Parque Nacional entrando pela Lagoa Bonita, a mais visitada da região, seguindo para a Baixa Grande e a Queimada dos Britos, no município de Santo Amaro, retornando pelas lagoas Azul, Esmeralda e Preguiças, como na primeira rota. 

Os dois passeios saem do aeroporto de Barreirinhas – que só opera para este tipo de aeronave, apesar das antigas promessas de ser aberto a voos comerciais – e têm a mesma duração de 25 a 30 minutos. Custa R$ 300 por pessoa e a pré-reserva pode ser feita no site. 

De quadriciclo nos Lençóis

'Quadri', como é chamado carinhosamente, leva os turistas por aventuras, mas serve como meio de transporte entre os moradores

Passeio de 'quadri' pode levar de 15 minutos a 2h30 dependendo da disposição

Passeio de 'quadri' pode levar de 15 minutos a 2h30 dependendo da disposição Foto: Edivaldo Ugarte

Doses cavalares de adrenalina, em meio a cenários em transformação constante fizeram com que esquecêssemos das significantes 2h30 de viagem entre a península de Caburé e Barreirinhas em cima de um quadriciclo que havíamos aprendido a pilotar naquele mesmo dia, minutos antes da hora da partida.

Na região, andar de quadri, como o veículo é chamado carinhosamente, não é privilégio dos turistas. Depois da moto, talvez seja a forma de locomoção mais popular entre os moradores, que usam qualquer espacinho para transportar de tudo um pouco. Ou seja, pilotá-lo foi, além de uma experiência radical, um mergulho no dia a dia local.

Além disso, também é a melhor forma de conhecer, em uma tarde, as diferentes paisagens que a região reserva: praias, rios, as lagoas dos Pequenos Lençóis, dunas, mata fechada, vilarejos e estrada de terra.

Claro que a destreza das duplas de cada quadri formadas pelo nosso grupo não era exatamente das melhores. O trajeto é repleto de desafios: de grandes dunas a trechos alagados – onde até nosso guia teve de repensar o percurso em certos momentos. 

Mas, a cada riacho atravessado com sucesso, a cada acelerada banco de areia acima, a cada suspiro de alívio após desvios involuntários para o lado errado – o que acontece no quadriciclo, fica no quadriciclo – parecia que nos tornávamos pilotos melhores, mais profissionais, mais destemidos. 

Apesar de o longo passeio que fizemos ser bastante singular e permitir, inclusive, paradas para banhos nas lagoas, há trechos mais curtos. A locação começa em R$ 30 para 15 minutos de passeio – cada minuto extra custa mais R$ 2. Já o trajeto entre Caburé e Barreirinhas custa R$ 350 por quadriciclo. E vale sempre lembrar que menores de 18 anos não podem pilotar – mas saiba que ir na garupa, como fez esta repórter, também oferece uma boa dose de emoção e diversão. 

Centro de Barreirinhas

Centrinho é movimentado mesmo na baixa temporada

Artesanato feito com fibra de buriti é marca registrada do Maranhão

Artesanato feito com fibra de buriti é marca registrada do Maranhão Foto: Bruna Toni/Tirada com Moto Z Play

Principal porta de entrada para os Lençóis Maranhenses, Barreirinhas tem um movimento considerável mesmo na baixa temporada. A Avenida Beira-Mar, no centro, enche aos fins de semana e o clima praiano do calçadão se completa com as mesinhas na calçada de bares e restaurantes.  

A atmosfera fica ainda mais agradável ao som do cantor Marquinhos, figura carismática que cruzou nosso caminho mais de uma vez na cidade, tocando seu violão e embalando as noites com sua voz gostosa e repertório brasileiro variado.

 Para as comprinhas, nada mais original do que as opções da Galeria Arte da Terra, também na Beira-Mar. Seus dois corredores de lojinhas oferecem, além dos tradicionais souvenirs, bolsas, objetos de papelaria e itens de decoração produzidos a partir da palha do buriti, fruto do qual os moradores não desperdiçam quase nada. Abre diariamente, a partir das 8 da manhã e fica até o movimento acabar.

Onde comer e dormir

Destino tem pousadinhas acolhedoras e pratos cheios de sabor

No Restaurante Seu Antônio, camarão grelhado, feijão de corda, arroz, peixe e suco de caju são clássicos

No Restaurante Seu Antônio, camarão grelhado, feijão de corda, arroz, peixe e suco de caju são clássicos Foto: Edivaldo Ugarte

Passear é fundamental, mas uma boa noite de sono e uma refeição saborosa fazem toda a diferença na vida de viajante. 

Pousada Encantos do Nordeste

encantesdonordeste.com.br 

O espaço, de 15 mil metros quadrados, tem 28 chalés, piscina, salão de bem-estar e café da manhã à beira do Rio Preguiças. Toda a decoração, em harmonia com a natureza, é fruto da criatividade de seu dono, o paulista Edivaldo Ugarte. “Não queria nada de concreto. Construí a pousada em 19 níveis e o restaurante (Bambaê) todo aberto, com meia parede apenas”, conta.

São duas categorias de quartos, com preços de R$ 270 a R$ 358. Como a pousada funciona também como agência de viagens, oferece roteiros personalizados a seus hóspedes, incluindo serviço de transfer a partir de São Luís. 

A pousada não tem restaurante, mas fica pertinho do Bambaê, também de Edivaldo. À beira do Rio Preguiças, o restaurante abre diariamente e tem pratos à la carte – destaque para o peixe grelhado (a partir de R$ 79). 

Hotel Pousada do Buriti

pousadadoburiti.com.br

Também em Barreirinhas, o Hotel Pousada do Buriti, inaugurado em 1999, é o mais velho da cidade “no estilo arrumadinho”, como diz seu dono, Amilcar Rocha. Os quartos são espaçosos, com redes espertas na varanda. Ali, as diárias vão de R$ 285 a R$ 369 o casal. Seu restaurante, aberto a não hóspedes, abre todos os dias e serve comida caseira e deliciosa (pratos a partir de R$ 70).

A Canoa

bit.ly/acanoama

No centro de Barreirinhas, a casa funciona dentro da Galeria Arte da Terra, na Avenida Beira-Mar. A caipirinha de bacuri é digna de refil.

 

Pousada Encantes, em Barreirinhas, tem 28 chalés 

Pousada Encantes, em Barreirinhas, tem 28 chalés  Foto: Meirelles Júnior

Pousada Jurará

pousadajurara.com.br

Localizada em Atins, tem uma extensão ao lado, a Vila Jurará. No mesmo estilo rústico, seus quartos são arejados e bem decorados. Tanto o café da manhã quanto petiscos e lanches são servidos no Bar Sebastian, dentro da Jurará, e as diárias de ambas ficam entre R$ 280 e R$ 350. 

Restaurante do Seu Antônio

98-98881-3138

O camarão grelhado preparado na casa em Canto dos Atins por Seu Antônio e sua esposa, Magnólia, é memorável. O prato vem acompanhado de uma bem servida porção de feijão de corda e arroz e custa R$ 80, para duas ou três pessoas. Outra opção é o peixe grelhado, por R$ 70. E depois? Aproveite para tirar uma soneca nas redes estendidas ao lado.

Rota das Emoções: do Maranhão ao Ceará pelas dunas

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Delta do Parnaíba ocupa boa parte do Maranhão e o Piauí 

Delta do Parnaíba ocupa boa parte do Maranhão e o Piauí  Foto: Ichiro Guerra

O que é. A Rota das Emoções é um roteiro de viagem entre três Estados: Maranhão (Parque Nacional dos Lençóis), Piauí (Delta do Parnaíba) e Ceará (Parque Nacional de Jericoacoara). Foi criada em 2005 pelo Sebrae, em parceria com o Ministério do Turismo, para movimentar a economia local e promover o desenvolvimento das comunidades dos 14 municípios que atravessa. Mais: rotadasemocoes.com.b r .

Maranhão. O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses é ponto de partida ou de chegada da rota. Em Barreirinhas está a maior parte das atrações, incluindo os passeios pelas dunas, lagoas e rios, mas há paradas também nos municípios de Paulino Neves, Santo Amaro, Tutóia e Araióses. Esta última, aliás, está mais próxima de Teresina (75 km) do que de São Luís (462 km) e é a responsável pela porção maranhense do Delta do Parnaíba.

Piauí. O Estado pode ter o menor litoral do País – são apenas 66 quilômetros –, mas exibe o terceiro maior delta do mundo, o do Rio Parnaíba, ou Velho Monge, que perde apenas para o Delta do Nilo (Egito) e do Mekong (Vietnã). Sua grande atração natural é o belo conjunto formado por cerca de 70 ilhotas que oferecem praias, dunas clarinhas e lagoas de água doce. Quatro cidades fazem parte da rota: Cajueiro da Praia, Ilha Grande, Luis Correia e, claro, Parnaíba. 

Ceará. A outra ponta da rota – que também pode ser o começo dela – é o Parque Nacional de Jericoacoara, o mais badalado dos três destinos. Barroquinha, Camocim, Chaval, Cruz e, finalmente, a famosa Jijoca de Jericoacoara, onde estão quase todos os turistas, pousadas, bares e restaurantes da região, são as cidades cearenses do roteiro. Além de belas dunas, espere muito esporte ao ar livre, como surfe e kitesurfe. 

Quem leva. O passeio dura em média uma semana e os valores variam de acordo com o número de pessoas no grupo, a época do ano e o que se quer fazer. Mas, para se ter uma ideia das médias de preços para o casal (todos a partir de): na Tropical Adventure, R$ 3.600 sem hotel; Taguatur, R$ 2.408 com hotel; SP Ecoturismo, R$ 5.690 com hotel; Encantes, R$ 5.200 com hotel; Boreal Turismo, R$ 3.960 com hotel. 

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