Fábio Vendrame/Estadão
Fábio Vendrame/Estadão

Espanha profunda

Em uma terra repleta de tradições, como as touradas a herança Moura se faz presente em pátios floridos, janelas rebuscadas e patrimônios da Unesco

Fábio Vendrame/SEVILHA, O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2013 | 02h19

A Andaluzia representa a Espanha em sua versão mais clássica e imbatível. Aquela do flamenco e das óperas, das touradas e das senhoras vestidas de gala nas festas populares, do melhor azeite de oliva e de bons vinhos, do fervor católico, da fusão cristã e árabe, da cultura cigana. E também a das casinhas pintadas de branco em cascata nas serras para apaziguar o calor asfixiante do verão e de refinados beach clubs de hotéis de sonho na orla do Mediterrâneo.

Maior cidade da região, Sevilha convida a um roteiro de reais conquistas épicas, de enredos inventados de amor e traição, de milagres e lamentos musicados na guitarra e nas palmas. Destino essencial na Espanha, a capital da Andaluzia está conectada a Madri e a Barcelona por avião (1h20 de viagem em ambos os casos) e por trens de alta velocidade (AVE), cujo trajeto leva 2h30 e 5h30, respectivamente.

No ano passado, dos 408 mil brasileiros que foram à Espanha, apenas 30 mil visitaram a capital andaluz - menos de 10% do total. Mas uma novidade pretende atrair mais gente. "Em breve, o bilhete de avião estará integrado ao sistema de trens. Todos poderão viajar com uma só passagem", antecipa o diretor do Turismo de Sevilha, Antonio Castaño Juncá. A estratégia deve vigorar já no ano que vem.

Assim como toda cidade vibrante da Espanha, nada em Sevilha é discreto. A vida acontece nas ruas. Vide a Feria de Abril e a Semana Santa, grandes celebrações populares da Andaluzia. Nessas ocasiões as pessoas se vestem a rigor, estejam abertas ao pecado ou atrás do perdão.

Sevilha, aliás, sempre esteve às voltas com o profano. A luxúria de Don Juan virou ópera, uma das mais de cem peças ambientadas na capital andaluz. O comércio fecha por quatro horas no meio do dia, mas isso nada tem a ver com preguiça: a siesta, como se sabe, é sagrada.

O altar dourado de La Giralda, a Catedral admirada, reflete a ambição e a cobiça de uma cidade que se sentiu capital do mundo. E a gula, bem, está em cada esquina, nos restaurantes contemporâneos, como o Egaña Oriza, e nos tradicionais bares de tapas, como El Rinconcillo.

Em Sevilha funcionou o Tribunal da Santa Inquisição, instalado ali pelos reis católicos depois da reconquista das terras ibéricas que estiveram 800 anos sob o domínio árabe, período em que a região era chamada de Al-Andalus. A presença moura permanece viva nos monumentos da cidade e no nome do rio que a divide e tanta história conta.

Quase todo navegável, o Guadalquivir atravessa a Andaluzia rumo ao Atlântico. Em sua época gloriosa, abriu as portas do mundo à Espanha. Hoje, é eixo turístico de cruzeiros, cenário de piqueniques, passeios de lancha e esportes náuticos.

Pecadilhos. A arte de pecar espalha-se por outros destinos da Andaluzia. Marbella, por exemplo. A tentação mora ali - e desfila dia e noite em Puerto Banús, endereço VIP do Mediterrâneo, com hotéis de luxo, lojas de grife, cassinos e campos de golfe.

Isso tudo seria de causar inveja, mas ainda há Ronda. Ali, sim, no alto da serra você descobre uma cidade invejável, admirada por escritores como Hemingway, frequentada por popstars como Madonna. Miragem sobre penhascos, casa das touradas, alvo de bandoleiros, refúgio dos amores de perdição.

O desfecho de uma rota de quase 1 mil quilômetros pela Andaluzia ainda tem a arte de Málaga, cidade natal de Pablo Picasso, terra de gente salerosa (talentosa, na gíria local) e dada à festa, como toda espanhola - e mais que nada, andaluza - que é.

Isla Mágica é o parque temático mais famoso da Andaluzia. Fica na Isla de la Cartuja, em

Sevilha, e recria nas atrações a saga do descobrimento da América - na visão dos espanhóis, claro

As chistorras (um tipo de embutido) e a Manzanilla (licor de vinho digestivo) são delícias imperdíveis na Andaluzia. Um endereço para prová-las é o Egaña Oriza, na Calle San Fernando, 41, em Sevilha

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