Estilo 'pé na neve' na renovada Las Leñas

Estação argentina mostra que deixou para trás o período de crise com novos investimentos - como a reinauguração do Hotel Acuario - e oferece diversão até bem depois de o sol se pôr

Tânia Rabello, LAS LEÑAS

20 Julho 2010 | 04h06

Sem escalas. Hóspedes saem esquiando de todos os hotéis; em máquinas pisa-neve, experts rumam a áreas inexploradas

 

 

 

Las Leñas está renascendo. Vinte e sete anos depois de sua criação pelo empresário argentino Tito Lowenstein e 15 anos após ele, endividado, ter sido obrigado a entregar a propriedade de 17.500 hectares a bancos credores, a palavra desânimo já não é mais ouvida na sofisticada estação de esqui nos Andes argentinos. De cinco anos para cá, quando uma holding, a Vale de Las Leñas, assumiu o local, investimentos de porte vêm sendo feitos para atrair turistas apaixonados pela neve e seus esportes.  

Atualmente, 60 mil frequentam a estação por temporada, diz o diretor de Operações e do Centro de Esqui, Alfredo Hugo Fucci. E na lista das prioridades está aumentar a porcentagem de visitantes brasileiros, hoje em torno de 5% do total.  

O mais recente investimento concretizou-se no fim de junho, com a reinauguração do Hotel Acuario, após uma reforma de R$ 7,5 milhões. A próxima iniciativa é estender o acesso Wi-Fi para todo o Vale de Las Leñas, a partir de agosto. Hoje, a internet sem fio funciona apenas nos hotéis.  

 

 

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Boa altitude. Já a neve nunca entrou em decadência por ali. Ao contrário: como as 30 pistas de esqui e snowboard de Las Leñas estão a uma altitude média de 2.200 metros durante pelo menos seis meses no ano - entre maio e outubro - as montanhas ficam mais tempo revestidas de branco. Também por essa razão Las Leñas é uma das preferidas por estrangeiros, que vêm treinar para competições de inverno no Hemisfério Norte.  

No início do mês, por exemplo, chegou a nevar 24 horas seguidas, melhorando ainda mais as condições das pistas. "Aqui é alto, por isso há boa neve", explica o diretor da escola de esqui e snowboard, Daniel Rodriguez.

A estação tem também a vantagem de ser "pé na neve". Isso significa que você pode se equipar e sair esquiando diretamente de todos os hotéis, sem necessidade de pegar nenhum tipo de transporte que não os próprios esquis. Já de uma pista para outra ou de um hotel para outro é possível solicitar transfer ou utilizar o serviço regular de ônibus.  

 

No início. Uma opção é o Delta de Vênus I e II, que têm 1.500 metros de extensão para iniciantes

 

 

Para todos. Nas pistas, principiantes e esquiadores experientes têm atrações igualmente emocionantes, guardadas, logicamente, as devidas proporções. Nas pistas Delta Vênus I e II, por exemplo, os iniciantes - sempre assessorados por instrutores da escola de esqui - a princípio se assustam: são 1.500 metros de extensão. Mas depois se deliciam justamente por isso, descendo a montanha num declive suave.

Para os experientes, a principal atração é a Extreme Expedition, uma ótima chance de esquiar em pistas praticamente virgens. "São locais nos quais nossos meios de elevação não chegam", diz Rodriguez. Os esquiadores são transportados por máquinas pisa-neve e podem passar de meio-dia (por cerca de R$ 350) a um dia inteiro (por cerca de R$ 600) deslizando nesses locais.

Tudo isso, é claro, se as condições de segurança da montanha permitirem. Quem zela por isso é o chefe de pistas Gabriel Chiguay, que, com ajuda de 51 funcionários, monitora o vale e, se necessário, provoca avalanches antes de elas ocorrerem naturalmente e mantém as pistas fechadas caso haja risco de desastre.

"Quem manda aqui é a montanha", garante Chiguay. "Permanentemente ela nos envia esses sinais. É preciso saber interpretá-los." Chiguay, pelo jeito, é fluente em "montanhês", já que há oito anos não ocorre nenhum acidente provocado por avalanches em Las Leñas.

 

MUST

San Carlos de Bariloche trabalhou duro para segurar o posto de destino preferido dos brasileiros durante o inverno. Para a temporada 2010, a cidade aprimorou a infraestrutura e inaugurou opções de hospedagem - tanto de luxo quanto convencionais -, de gastronomia e atrações nas estações de esqui.

A oito quilômetros do centrinho, o novíssimo Charming Luxury Lodge é um complexo de cabanas sofisticadas que conta com um spa privativo. Ele chegou para disputar espaço com o tradicional resort Llao Llao (da rede The Leading Hotels of the World), que já começou a construir um irmão gêmeo.

Com 70 anos de experiência, o centro de esqui Catedral é também o mais modernoso da região e, a cada estação fria, mantém alta a média de brasileiros: são 8 a cada 10 visitantes. Nesta temporada, estreou mais meios de elevação e abrigos pela montanha. Além da atração customizada especialmente para nós: uma versão gelada do conhecido esquibunda, onde a pessoa desliza pela neve numa prancha de plástico.

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