Eterna conquista

Eterna conquista

Descubra a personalidade marcante de um país retalhado por incríveis fiordes e com passado retratado nos mapas dos aventureiros e nas obras de grandes mestres

Roberto Almeida, O Estado de S.Paulo

13 Abril 2010 | 02h13

 

Além. A geografia desse país foi entalhada pouco a pouco pelo norueguês que se orgulha de ter vendio o passado sombrio. Foto: Roberto Almeida/AE

 

OSLO - Pode até parecer irônico que aventureiros de primeira ordem, desde os vikings até exploradores do mundo moderno, tenham surgido de uma terra tão vasta em pequenas descobertas. Mas, pensando bem, dá para entender. A Noruega inspira o viajante a ir cada vez mais longe, porque cada quilômetro rodado ou milha navegada é, acima de tudo, uma conquista.

A geografia complicada desse país retalhado por fiordes, achacado por invernos rigorosos, foi entalhada pouco a pouco pelo norueguês que se orgulha de ter vencido o passado sombrio. E de ter ido além. O explorador Roald Amundsen que o diga.

Lá no início do século 20, o maior ídolo norueguês embarcou na expedição mais ambiciosa da história. Entre 1911 e 1912, seu trenó puxado por cães foi o primeiro a chegar ao Polo Sul. Incansável, Amundsen também liderou a conquista do Polo Norte, em 1926, desta vez pilotando o dirigível Norge - homenagem ao país que tanto o inspirou.  

 

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Como conta em seu diário de bordo, porém, o melhor dia de sua vida não foi quando chegou lá. E sim ao voltar a Oslo, capital norueguesa. Se fosse hoje, além de feliz com o retorno, Amundsen provavelmente ficaria embasbacado com a transformação da cidade.

Ex-prima pobre da Suécia, a Noruega construiu, à base de uma das economias mais prósperas do planeta, sua personalidade própria. Oslo aproveitou a deixa e lançou ao mar, onde antes havia um cais degradado, em frente à Christian Friedriks Plass, uma das mais belas casas de ópera do mundo. Seus 1.800 metros quadrados em blocos de mármore branco, que moldam a construção, contrastam com o brilho apagado do fim de tarde e explodem na paisagem do casario nórdico, do mar calmo.

A cidade também incumbiu ao premiado escultor Gustav Vigeland a tarefa de embelezar seu principal parque, o Vigelandsparken, com 212 peças moldadas em rocha que retratam, entre tantas interpretações, as facetas da existência humana. Os gramados, longos e bem cuidados, são cenário de casais passeando com seus filhos, que sem querer imitam as obras de arte.

A ópera e o parque compartilham com o Parlamento Norueguês, o Palácio Real, o Grand Hotel e o Centro do Nobel da Paz uma palavra-chave: imponência. E ela segue ditando a aventura pelo interior do país.      

 

 

Única. A Noruega construiu, à base de uma das economias mais prósperas do planeta, sua personalidade própria. Foto: Roberto Almeida/AE

De trem e catamarã. Os trens noruegueses, também obras de arte, só que desta vez da engenharia, levam o viajante por trechos sinuosos, com dezenas de túneis e cachoeiras esplendorosas no caminho. São passeios essenciais porque apresentam a paisagem quase lunar da antes pobre Noruega e, logo depois, a prosperidade de quem investiu em pequenas fazendas e vive em pleno contato com natureza. As casas coloridas e os pomares dão cor ao verde escuro da mata.

O trem, no entanto, é apenas aperitivo. É preciso respirar fundo, embarcar nos confortáveis catamarãs e tentar entender por que os fiordes noruegueses angariaram tanta fama. A ponto de terem sido escolhidos recentemente pelos leitores da National Geografic Traveler como o cenário mais belo do planeta.

Pode ser apenas por romantismo ou pela simples sensação de navegar onde antes havia uma enorme geleira, que deixou aqueles vales intocados por tanto tempo. Mas o que importa é que naquela monotonia das águas calmas e do vento frio, constante, o ânimo renasce quando entre tantas nuvens o sol aparece. Invariavelmente, ao longe, surge um arco-íris perfeito coroando vilarejos e fazendas.

Ao fim, já no oeste da Noruega, pertinho do círculo Ártico, a chegada a Bergen, histórica e pacata, traz ao viajante a sensação de ser, pelo menos um pouco, tão explorador quanto Amundsen. A vista da cidade, a animada feira de peixes e o casario de mercadores, com mais de 400 anos e Patrimônio Mundial da Unesco, são indispensáveis.

Ao fim da viagem, saboreando uma truta fresquíssima, preparada de forma rústica, ou o verdadeiro bacalhau norueguês em versões sofisticadas - mas por que não de um filé de rena ao ponto? -, vale a pena reler o que dizia o explorador. "A vitória espera aquele que está com tudo em ordem - sorte, dizem as pessoas. A derrota é certa para aquele que negou tomar as precauções necessárias; e isso é chamada má sorte", dizia Amundsen.                  

 

 * O repórter viajou a convite do Visit Norway e da KLM       

        

O QUE LEVAR

 

Roupas impermeáveis

Norueguês que é norueguês não sai de casa sem guarda-chuva, capa e bota ou galocha. Para evitar surpresas, são essenciais, especialmente nos passeios nos fiordes e em Bergen, onde o tempo normalmente não ajuda

Travesseiro anatômico

Além do voo, que é longo, os trajetos de trem e de barco podem ser cansativos e desconfortáveis. Um bom travesseiro para o pescoço resolve o problema e facilita muito na hora de relaxar e admirar a paisagem 

 

  O QUE TRAZER    

Trolls

A coleção de ogros noruegueses, os trolls, é interminável. Cada figurinha vem com uma história para contar. Feios por fora, dizem que têm coração de ouro

Design

Oslo conta com uma boa coleção de lojas de design. As mais bacanas estão em Grünerlokka, onde você encontra as últimas novidades dos designers noruegueses

Bergen

O casario antigo, em versão miniatura, é ótimo souvenir

 

 

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