Ricardo Freire/AE
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Europa em 8 perguntas (final)

Não é fácil planejar uma viagem à Europa. Existem tantas possibilidades quanto pegadinhas. Esta é a parte final de uma série iniciada semana passada.

Ricardo Freire, O Estado de S.Paulo

09 Março 2010 | 02h54

5. Que companhia aérea voa do Brasil a Atenas, Praga ou Veneza?

Nenhuma. E todas. Mesmo que não exista rota direta, qualquer companhia aérea que voe à Europa leva à cidade que você quiser, com conexão. Todas têm acordos, dentro e mesmo fora de suas alianças, para a continuação da viagem até onde for.

Compre a passagem transatlântica sempre até a primeira cidade que você vai efetivamente visitar, voltando da última cidade do itinerário.

O agente de viagens continua sendo o melhor canal para emitir sua passagem; só ele tem acesso às ferramentas que permitem rentabilizar a sua tarifa em muitas escalas. No mínimo peça um orçamento incluindo todos os trechos aéreos intraeuropeus na sua passagem transatlântica; é sempre mais seguro e algumas vezes mais econômico do que emitir os voos complementares à parte, até mesmo em companhias low cost.

6. Vale a pena usar low cost?

Se puder, evite. As companhias low cost existem para servir a moradores da Europa, que fazem viagens simples, com pouca bagagem. Muitos europeus decidem suas viagens de low cost na base do impulso, reagindo a promoções de preço comunicadas por e-mail. Quando nós tentamos encaixar voos low cost no meio de um périplo europeu, dificilmente conseguimos aquela tarifa incrível de 5 ou 10 que faz a fama dessas companhias. O mais comum é que sobrem para nós assentos de 70 -- que, somados às taxas de check-in e de despacho de bagagem, e à restrição de peso (15 kg em algumas companhias), anulam qualquer vantagem.

É sobretudo um perigo marcar voos de conexão com low costs ? se um voo atrasar, você perde o próximo, e como as passagens estão desvinculadas, vai precisar comprar uma nova passagem na hora ? o que costuma ser caríssimo até mesmo nesse tipo de companhia.

Antes de comprar voos em low costs, confira quanto sairia incluir os trechos na sua passagem transatlântica e também quais são as tarifas cobradas pelas companhias aéreas convencionais no dia da sua viagem (veja em sites como kayak.com e expedia.com).

7. Posso viajar sem hotéis reservados?

Poder, pode. Mas não deve. O seu tempo em viagem é muito caro para ser gasto fazendo uma tarefa que dá para realizar na tranquilidade da sua casa, em frente ao seu computador.

Escolher o hotel com antecedência (e com calma) ajuda você a planejar melhor a sua viagem. Eu recomendo muito.

8. Faço city tour? Como organizo meus dias?

City tour pode até ser útil para se situar num lugar ? o problema é quando você se dá por satisfeito com uma voltinha num ônibus de dois andares. Na minha opinião, os chamados "pontos turísticos" devem ser usados apenas como indicação de percurso. A viagem de verdade acontece no caminho entre o monumento A e o museu B.

As pessoas que você observa no metrô, as castanhas assadas que você resolveu comprar naquela banquinha suspeita, a loja irresistível que chamou sua atenção ao dobrar a esquina, a cortina que balança para fora da janela ? isso é o que vai ficar. Se você limitar sua viagem a simplesmente confirmar, in loco, a existência dos cartões-postais, pode se decepcionar. Até porque muitos deles são mais impressionantes na foto do que ao vivo.

Algumas dicas para seus dias fluírem melhor:

Nunca entre em mais de uma fila grande por dia.

Faça a lição de casa. Pegue um bom guia e faça um intensivo a respeito de museus (e igrejas) que vai visitar.

Caminhe, mas não deixe de se aventurar no transporte público. Nada torna você mais íntimo de uma cidade do que aprender a usar o sistema de metrô, o bonde ou o ônibus.

Programe paradas gastronômicas. Experimente organizar seus dias em torno das refeições, e suas viagens vão ficar muito mais memoráveis.

Tire um dia para se perder. Depois que você já tiver entendido a cidade, saia um dia sem guia nem programação. Pegue ônibus a esmo. Ou volte para esquadrinhar a região que lhe pareceu mais interessante. Ou, então, fuce um bairro de imigrantes. Volte ao Brasil falando mal do guia que você usou: "Esses caras não sabem de nada! Olha o que eu descobri sozinho!"

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