Europa em 8 perguntas (primeira parte)

Até hoje não apareceu ninguém para me perguntar o que fazer em apenas dois dias em Orlando. Ou para saber como se pode correr meia Argentina em quinze dias. Ou quantos países da África dá para fazer numa viagem só.

Ricardo Freire, O Estado de S.Paulo

02 Março 2010 | 02h28

No entanto, volta e meia surge alguém querendo esgotar Paris em 48 horas. Ou pedindo o caminho das pedras para cruzar o Velho Continente em duas semanas. Ou ainda repetindo a pergunta clássica sobre a equação perfeita de quantos países europeus em quantos dias.

Muito bem. Vamos tentar montar a sua próxima viagem à Europa em oito perguntas. Preparado? Vamos lá.

1. Quantos países dá para conhecer em uma viagem?

Vai por mim: não é assim que se começa a planejar uma viagem à Europa. Há indícios seguros de que a Europa não pretende sair do lugar nas próximas décadas. Tudo o que não der para ver desta vez poderá ser visto em viagens seguintes.

Em vez de pensar em termos de países, pense em termos de paradas. Monte um roteiro que assegure tempo suficiente para curtir cada escala. E cuide para que seu itinerário seja resolvido com deslocamentos racionais, que não tomem tempo demasiado.

Você pode limitar sua viagem a uma região específica ? para destrinchar um único país, ou cobrir os pontos mais importantes de países vizinhos.

Ou, se preferir, pode muito bem montar seu roteiro com paradas em pontos distantes entre si, em países que não tenham nada a ver um com o outro ? para viver experiências contrastantes dentro da mesma viagem.

O importante é parar de pensar em todos os outros lugares da Europa que você não conseguirá ver desta vez. Concentre-se nos lugares que escolheu. Você vai descobrir um sem-número de coisas para fazer em cada escala. E evitar que sua viagem se torne maraturismo, o maratonismo para turistas.

2. Quantos dias devo ficar em cada cidade?

Separe ao menos quatro dias inteiros ? sem contar os dias de chegada e de saída ? para entender minimamente cidades do porte de Paris, Londres, Roma, Barcelona, Madri, Lisboa e Berlim. Uma semana inteira em cada uma delas seria a introdução ideal. Da mesma maneira, reserve, pelo menos, três dias inteiros (acordando e dormindo na cidade) para não perder a viagem a Veneza, Florença, Amsterdã, Munique, Viena, Praga, Budapeste, Porto ou Sevilha.

Nessas cidades mais importantes, não há contraindicações em programar longas temporadas. Em cada um desses lugares, você pode ter também na manga uma série de passeios bate-e-volta às redondezas, para realizar assim que der a cidade-base como vista.

Evite ficar menos do que duas noites em qualquer lugar. Os procedimentos de chegada, instalação e saída tomam muito tempo e energia. Se a cidade não exigir mais do que algumas horas para visitar, faça um bate-e-volta, ou encaixe uma escala rápida a caminho da próxima parada.

3. O que é mais conveniente: trem, avião ou carro?

Para viagens curtas: trem. Não existe modo mais civilizado (e europeu!) de viajar. Para percursos de até quatro horas, é mais rápido do que qualquer voo, pela proximidade das estações e facilidades de embarque. Viagens longas, porém, são maçantes. E o trem noturno é a maneira infalível de chegar bastante cansado à próxima escala.

Quando não der para ir de trem: avião. Sempre que o trem for caro ou demorado, voe.

Aonde trem e avião não levam: carro. Use o carro para explorar ? com calma e sem compromissos ? regiões do interior ou da costa pontilhadas de vilarejos e de desculpas para sair da estrada principal. Se o seu roteiro não for assim, pense três vezes antes de alugar. Carros em cidades grandes são um estorvo; o GPS não encontra vagas para estacionar nem prevê engarrafamentos. Já as autoestradas acabam escondendo aquela Europa que você veio visitar.

4. Compro passe de trem ou passagens avulsas?

Aquele velho passe de trem baratinho e flexível popularizado pelos mochileiros dos anos 80 não existe mais. Os passes hoje são caros, dão direito a poucos dias de viagem e ainda cobram suplementos em trens rápidos.

Em viagens picadas, o mais interessante costuma ser combinar voos nos trechos longos com passagens avulsas de trem nos deslocamentos curtos. Com antecedência, dá para fazer bons negócios na internet (veja o dossiê Trem Online ao pé da página).(Continua na próxima edição)

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