Exagero de beleza, cores e vida ao natural

Da mesa às paisagens intocadas, Costa do Dendê preserva seu charme rústico

Camilla Haddad, O Estado de S.Paulo

17 Fevereiro 2009 | 02h22

Matemáticos e adivinhos costumam ser pegos de surpresa quando se trata de dizer como um destino ficará depois de ser descoberto pelos turistas. No que depender da vontade e da posição que ocupam no mapa, Boipeba, Maraú e Camamu já sabem o que vão ser quando crescer. Elas mesmas. Como fez Morro de São Paulo, a poliglota queridinha da Costa do Dendê, no litoral da Bahia.

 

 

O relativo isolamento ajuda. A principal entrada da região é por Morro, num voo de táxi aéreo que dura 25 minutos a partir de Salvador e custa em torno de R$ 200. Ou num catamarã, que faz o trajeto em duas horas, por R$ 70, saindo do Terminal São Joaquim, ao lado do Mercado Modelo, também na capital.

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O acesso não é, como se vê, dos mais fáceis - e os 115 quilômetros da Costa do Dendê, definitivamente, não podem ser chamados de lineares. Antes disso, reúnem um arquipélago com 25 ilhas entremeadas por um labirinto de canais, rios, braços de mar e praias de água morna. Além de caprichos como piscinas naturais, corais, trechos de mangue e mata atlântica bem preservada.

A maior dessas ilhas é a Tinharé, onde fica Morro de São Paulo, considerada modelo na região por conseguir manter o clima rústico de vilarejo, apesar das hordas de turistas que recebe anualmente. Brasileiros e estrangeiros do mundo todo engrossam a lista de quem não troca a cidade por nada.

Muita água vai passar debaixo do barco antes de você chegar à tranquila Ilha de Boipeba, onde a luz elétrica mal comemora as duas décadas. Juntas, formam, desde 1992, a Área de Proteção Ambiental (APA) Tinharé-Boipeba, iniciativa do governo do Estado com objetivo de preservar e manter longe das ilhas o asfalto e as buzinas dos carros, que ficam estacionados na colonial cidade de Valença, a 1 h30 de barco de Morro de São Paulo. Outra visita necessária naquelas paragens.

Também embarcado se chega a Camamu, rodeada por mata atlântica, manguezais e mirantes. É de lá que partem os passeios para a Ilha da Pedra Furada e para os sete rios da baía homônima: Acarai, Orojó, Serinhaém, Pinaré, Conduru, Sorojó e Tremembé.

Difícil falar em destaque numa região assim. A escolha da localidade preferida deve tomar como base apenas o gosto pessoal, definido a posteriori (quer desculpa melhor para visitar todas?). Mas não se pode negar que a Península de Maraú tem certos privilégios.

Localizada em uma das extremidades da Baía de Camamu, foi descoberta há pouco tempo por visitantes absolutamente boquiabertos diante de tanta diversidade e beleza. Duas praias, em especial, merecem a atenção dos viajantes. Barra Grande, de areias claras e águas mornas e calmas, é o portal para esse trecho da Costa do Dendê. E, à noite, se torna o centro do agito.

Figura constante na lista das mais bonitas praias do Brasil, Taipu de Fora, por sua vez, é um exagero. Ou o que mais se pode dizer de sua piscina natural, que chega a ter 1 quilômetro de extensão por 500 metros de largura? Tudo isso fartamente enfeitado por corais e cardumes coloridos, avistados sem nenhuma dificuldade.

Na vizinha Praia de Bombaça fica o mais cobiçado empreendimento hoteleiro da região, o Kiaroa Maraú Beach Resort, eleito neste ano o melhor resort de praia da América do Sul pelo guia Condé Nast Johansens. Por lá a questão não é o tamanho (ainda mais no Estado dos resorts gigantes), mas luxo e mordomia absolutos - o que inclui bangalôs com piscina privativa - num trecho dominado por pousadas.

Ah, e esteja preparado para esquecer a dieta por alguns dias: a Costa do Dendê é rica em frutos do mar. E, é claro, no azeite feito do fruto que dá nome àquele trecho do litoral baiano, ingrediente-chave na hora de preparar quitutes como moqueca de ostra, acarajé, vatapá e caruru. Delícias que surgem onde você menos espera, como as lagostas vermelhas da barraca de Guido Ribeiro, na Ilha de Boipeba.

linkKiaroa: www.kiaroa.com.br; diárias a partir de R$ 700

O azeite

Impossível não associar as delícias baianas ao ingrediente que faz toda diferença na culinária local: o azeite. Trazido pelos escravos africanos que chegaram à Bahia no século 17, o dendê é uma semente que nasce de uma palmeira chamada dendezeiro, típica de regiões tropicais, com clima quente e úmido.

O fruto é a matéria-prima para preparar o popular azeite de dendê, tempero utilizado em praticamente todas as receitas da região - e de boa parte da Bahia. O produto é fonte de renda para os nativos, que vendem, em qualquer lojinha pelo caminho, garrafinhas com o óleo ao preço médio de R$ 5. Um ótimo souvenir.

 

Viagem feita a convite da Bahiatursa e da Webjet

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