Experiência de algumas horas entre os coloridos maasais

Tribo seminômade está entre as que mais conseguiram manter sua língua e suas tradições através dos séculos

NAIRÓBI, O Estado de S.Paulo

20 Abril 2010 | 02h45

A experiência tem um grande apelo turístico, já que as aldeias integrantes do circuito estão bastante acostumadas a receber estrangeiros. Mas nada deve afastá-lo de uma visita aos maasais, a tribo mais emblemática do Quênia. Diferentemente das outras 41 etnias do país, eles conseguiram manter sua língua e suas principais tradições, apesar do contato com os europeus.

Muitos pacotes turísticos para a Reserva Nacional de Maasai Mara incluem visita a uma dessas aldeias. E, se você tiver em mente que uma coisa ou outra pode ser representação, o passeio surge como uma oportunidade de entrar em contato com esse povo seminômade, que se divide em clãs (a cor e a estampa das roupas ajudam a identificá-los) e sobrevive com a criação de gado e de cabras.

A entrada é cobrada e não costuma estar incluída no preço do pacote ? o valor deve ser negociado diretamente com o chefe da aldeia. Também é de boa educação pedir autorização antes de sair fotografando tudo.

Entre as atividades, é possível assistir a danças e a cantos típicos. Existe também a chance de entrar em uma casa maasai: há um cômodo para os integrantes da família e o outro, para os bezerros, que precisam ser protegidos. O espaço familiar tem uma cama, eventualmente uma mesa e uma área para acender a fogueira, ao redor da qual os mais velhos contam histórias e segredos da selva durante a noite.

O visitante também pode conhecer o local onde são feitos rituais e celebrações especiais, como funerais e casamentos, além de passar pela escola da aldeia e conversar com o professor. Doações voluntárias são bem-vindas.

Alguns representantes homens falam inglês e guiam os turistas pela aldeia. Apesar de só se comunicarem em maasai, as mulheres são as responsáveis por tentar vender o colorido artesanato feito no local, além das típicas mantas vermelhas. Se você for do tipo propenso a adquirir lembrancinhas de viagem, leve notas pequenas de xelins quenianos, pois conseguir troco nem sempre é fácil.

Negociar é aceitável e recomendável, os preços podem cair pela metade, mas tente encontrar um "tradutor". Não deixe que os vendedores coloquem coisas sobre o seu colo ou em suas mãos: isso pode significar que você vai ter que adquiri-las no fim da jornada.

Aproveite a oportunidade: vale deixar de lado os souvenirs e se concentrar nas conversas interessantes que você poderá ter com os maasais. Eles gostam de responder a perguntas sobre a sua cultura e são muito receptivos para conversas.

Vão contar a você que a tribo tem tradição guerreira e os homens são encarregados de sair com os animais, enquanto as mulheres não costumam sair dos limites da aldeia. Mudanças a bem dos novos tempos: a circuncisão feminina foi abolida, contam, assim como a obrigatoriedade de o noivo matar um leão antes do casamento.

/ FERNANDA FAVA

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