Fábulas fabulosas

Mercado negro de dólares, oficiais carrancudos, deslizes na ficha... passar de um país a outro pode ser difícil

O Estado de S.Paulo

19 Maio 2009 | 02h33

Oficiais de imigração carrancudos e as cada vez mais restritivas regras de segurança em aeroportos podem ser mais cansativos que a própria viagem. Ou, num cenário otimista, render histórias engraçadas, divertidas e até um tanto bizarras. Como as narradas a seguir.

 

CÂMBIO NEGRO OFICIAL

Por causa de seu trabalho de analista de comércio exterior, Vanessa Teixeira, de 28 anos, foi visitar clientes na Venezuela. Levou dólares para trocar por bolívares, a moeda local.

Assim que chegou à imigração, o oficial perguntou: "Trouxe dólares?" Vanessa respondeu que sim, achando que havia um limite máximo para a entrada da moeda no país. E o oficial propôs: "Troco US$ 200 pelo câmbio de 2,60."

Sabendo que a cotação oficial era de 2,15, Vanessa topou o negócio de imediato. "Vou colocar dentro do passaporte, discretamente. Não posso fazer isso", avisou o oficial. Tudo acertado.

Quando entrou no táxi para ir ao hotel o motorista também sugeriu a troca da moeda. E pelo câmbio de 3,50! Apesar de desconfiada, ela trocou mais US$ 100 com o taxista.

Só no dia seguinte Vanessa descobriu que tinha feito um péssimo negócio nos dois casos. Um de seus clientes explicou a dificuldade de conseguir dólares no país e sugeriu: se ela tivesse mais notas verdinhas na carteira, pagaria 5 bolívares por US$ 1...

DEU BRANCO

Era a primeira viagem da professora de inglês Vanda Chaves, de 50 anos, para o exterior. A programação incluía Londres e Espanha, ao lado da filha Danielle.

Preocupada em como a mãe se sairia diante dos quase sempre mal-humorados oficiais de imigração, a filha orientou: "Eles vão perguntar sobre os lugares que você vai visitar, onde vai ficar hospedada. Não fique nervosa, é só responder que não teremos problemas."

As dicas realmente foram excelentes. Vanda teve seu passaporte carimbado logo depois de uma curta entrevista. Mas sua filha caiu no "pente fino" dos oficiais. Nervosa com a grande quantidade de perguntas, ela simplesmente esqueceu o que ia fazer em Londres. Coube à mãe, então, soprar no seu ouvido: "Vamos ver o Big Ben, a London Tower, o Tate Modern..."

BABÁ AÉREA

Quando tinha 16 anos, a produtora de moda Renata Fujita, de 19, foi a Detroit, nos Estados Unidos, fazer intercâmbio. Era seu primeiro voo internacional. E com conexão. Preocupada, a mãe de Renata contratou um serviço especializado em cuidar de crianças que viajam sozinhas: pegam as malas, fazem o check-in e só "descolam" depois de entregar os pequenos aos responsáveis.

A idade limite para usar o serviço era de 12 anos, mas... ela deu um jeitinho. "Diz que você tem 12", disse a mãe. Tudo correu bem - a não ser quando chegou em Detroit. Por causa das medidas antiterrorismo, a família que iria recebê-la não pôde entrar no desembarque. Ela, por sua vez, não podia sair: a "babá" não permitia. Renata mostrou o passaporte: "Não tenho 12 anos, tenho 16". A resposta, burocrática: "Na sua ficha diz que você tem 12. Não posso liberá-la."

Para completar a confusão, a "mãe americana", que iria recebê-la, teve um imprevisto e não foi ao aeroporto - mandou o marido e os filhos. Ou seja: quando o nome dela era anunciado no alto-falante, ninguém respondia. Depois de duas horas, Renata finalmente saiu da área de desembarque. E encontrou um comitê de recepção cansado, desolado e faminto, sentado com um monte de bandeiras do Brasil espalhadas pelo chão...

CADÊ O PASSAPORTE?

A designer Juliana Sidsamer, de 32 anos, viajava com o pai a Paris. Depois de mais de 10 horas de voo, eles finalmente desembarcaram no Charles de Gaulle. Ainda com sono da longa viagem, Juliana foi ao banheiro antes de passar pela imigração e pediu para o pai segurar o documento.

Ao voltar, a surpresa: onde estava o pai? Quando ele reapareceu, sem nada nas mãos, ela perguntou pelos documentos. "Ah, encontrei um amigo meu e pedi para ele segurar", explicou. O único problema foi que o tal amigo já havia passado pela imigração.

Com um francês macarrônico, Juliana e o pai tentaram explicar aos oficiais o problema, sem sucesso. Do outro lado, o amigo do pai fazia o mesmo - também sem sucesso.

Foi quando a designer ouviu uma certa confusão ao fundo e viu que o amigo do pai caminhava pela contramão da esteira rolante, segurando os passaportes - sob o barulhento protesto dos oficiais.

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