Viagem

Fernando de Noronha além das praias

Mergulho em águas cristalinas, tartarugas no projeto Tamar e bolinho de tubarão são clássicos. Mas há passeios pouco conhecidos que oferecem uma visão única da ilha

11/07/2017 | 04h20    

Eduardo Vessoni, especial para o Estado - O Estado de S. Paulo

Mar de Dentro e Porto de Santo Antônio, vistos do alto, durante a Trilha do Piquinho

Mar de Dentro e Porto de Santo Antônio, vistos do alto, durante a Trilha do Piquinho Foto: Eduardo Vessoni

FERNANDO DE NORONHA - Você até poderia estar numa prainha sem ondas, numa piscina natural ou em algum dos espaços gourmet da ilha. Mas para ter uma versão de Noronha que poucos conhecem, a regra é seguir na direção contrária à dos endereços manjados que fizeram do destino uma espécie de extensão da casa de celebridades e de turistas de orçamento folgado.

No roteiro a seguir, separamos quatro programas que fogem do arroz com feijão da ilha: um passeio de canoa havaiana, em operação desde 2015, e três trilhas de dificuldades diferentes, que permitem olhar as paisagens locais de outros ângulos.

Mas pode ficar tranquilo que, além de tudo isso, Noronha ainda tem prainha sem ondas, piscina natural e endereços gourmet.

Vale lembrar que estamos no fim da estação das chuvas (de março a julho) e, de agora até setembro, o Mar de Dentro tem as melhores condições para quem vai mergulhar – ou só se estender na areia.

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MAR  À VISTA

Praia do Bode, acessada pela trilha pela Costa Esmeralda

Praia do Bode, acessada pela trilha pela Costa Esmeralda Foto: Eduardo Vessoni

Se o Mar de Fora é o lado mais selvagem de Noronha, é no Mar de Dentro que a ilha se exibe em sua versão mais cobiçada, com praias de cartão-postal. A trilha pela Costa Esmeralda apresenta oito dessas faixas de areia em uma caminhada leve, de aproximadamente 5 quilômetros.

É como conhecer os endereços mais cobiçados de Noronha em um único dia. A trilha tem início na Praia do Cachorro e termina na cenográfica Baía dos Porcos, onde todos os esforços por ter caminhado em terreno arenoso e com pedras será recompensado com mergulhos demorados em piscinais naturais que, de quebra, ainda apresentam a vista para o icônico Morro Dois Irmãos.

Embora seja autoguiada, a trilha costeira conta com desvios para pontos escondidos que só locais costumam visitar – como o atalho para a Pedra do Meio, entre as praias do Meio e da Conceição.

Quem leva

Noronha Tour; R$ 137

DESAFIO SOBRE PEDRAS

Piscinas naturais da Caverna Capim Açu

Piscinas naturais da Caverna Capim Açu Foto: Eduardo Vessoni

É na Trilha Capim Açu que Noronha mostra seu lado mais isolado. Segundo a Acitur, a associação de guias do destino, a trilha recebeu apenas 50 pessoas ao longo de 2015. Mesmo pouco procurada, vale dizer que não faltam motivos para encarar essa que é considerada uma das caminhadas mais cenográficas, em área protegida do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha.

Os 10 km de trilha têm início na Vila da Quixaba e seguem por uma área reflorestada até a primeira parada, onde fica o farol. Logo a caminhada em terreno íngreme e de mata fechada se desvia em um mirante natural que se debruça sobre o extremo sudoeste, com vista para a Ponta da Sapata, um dos endereços mais intocados da ilha.

GALERIA DE IMAGENS: Fernando de Noronha, destino para sonhar

De volta à trilha, o caminhante dá início ao trecho mais difícil do roteiro: são 3,4 km sobre pedras, às margens do Mar de Fora, até a Praia do Leão, o ponto final da Capim Açu. Mas, antes de encarar o desafio, ainda dá para perder o fôlego com a geografia acidentada que se vê lá do alto, perder o equilíbrio na ladeira Generosa, por onde se chega ao mar, e renovar as energias nas piscinas naturais que se formam próximo à boca da Caverna do Capim Açu.

Quem leva

A trilha só pode ser feita com guia, mediante agendamento prévio na sede do ICMBio (Alameda do Boldró, s/n). A Noronha Tour oferece o passeio (R$ 374)

PEQUENA NOTÁVEL

A Trilha do Piquinho passa pela antiga via usada pela Aeronáutica para realizar a troca das lâmpadas do farol no ponto mais alto de Noronha, o Morro do Pico, a 321 metros de altitude.

Essa trilha de três quilômetros e nível médio de dificuldade tem mirantes naturais com vista panorâmica do tapete verde que corta aquele cenário vulcânico de 12 milhões de anos e de atrações naturais que a gente só costuma ver ao nível do mar.

É como ter Noronha, do alto, só para você.

A trilha passa por mata fechada que confunde, exige pequenas escaladas e não conta com sinalização. Por isso, embora não seja obrigatório, ter a companhia de um guia é altamente recomendável.

A caminhada termina aos pés do Morro do Pico. Dali, a pedida é assistir o sol se pôr atrás do Morro Dois Irmãos, no Mar de Dentro.

Quem leva

Guia Ailton Flor (81-3619-1887); preço R$ 180

CANOA HAVAIANA

Passeio de canoa havaiana com vista para o Morro do Pico

Passeio de canoa havaiana com vista para o Morro do Pico Foto: Eduardo Vessoni

A 545 km do continente, Fernando de Noronha se esconde (e também se exibe) em faixas de areia isoladas, trilhas por onde quase ninguém passou e até em passeios exclusivos de canoas, em que suas únicas companhias podem ser o guia e o grupo de golfinhos curiosos sob a embarcação.

Em operação desde 2015, a Makalauna deu outro ritmo para o turismo noronhense. A canoa de estilo havaiano faz tours de aproximadamente 2h30 e segue pelas águas calmas do Mar de Dentro.

“É um exercício de nível moderado e com intervalos frequentes para a gente contemplar”, explica Marco Cunha, da Canoe Clube, responsável pela experiência.

E a contemplação por ali ocorre sob o Forte dos Remédios; aos pés do Rochedo do Rugido do Leão, como é chamada a rocha que produz um forte ruído por conta da força d’água que entra por uma fenda em seu interior. Pode seguir até as praias da Cacimba do Padre, nos roteiros mais longos. E, como não pode faltar, inclui paradas para banhos em águas de tons que dispensam descrições demoradas.

É quase impossível se concentrar na remada com o Morro do Pico logo ali à frente ou com o grupo de golfinhos que costumam acompanhar a canoa – especialmente nas saídas para ver o nascer do sol. Nem precisa dizer que é preciso madrugar para ter acesso ao espetáculo natural, mas, ainda assim, trata-se de um dos passeios mais procurados.

Quem leva

Canoe Clube; R$ 130

SAIBA MAIS

Taxas: a de preservação é proporcional ao número de dias na ilha. Veja os valores aqui. Há também o ingresso para o Parque Nacional, onde estão os principais passeios. Custa R$ 99 para brasileiros.

Onde ficamos: Localizada no bairro Floresta Nova, a pousada Pedras Secas, de estilo rústico, é recomendada para quem quer ficar próximo ao centrinho da ilha, onde se concentram as principais agências de turismo. Diárias a partir de R$ 660 para dois. A Solar dos Ventos tem bangalôs bem espaçosos, com até 50 m², e vista para a Baía do Sueste. A partir de R$ 968, para dois.

Baía dos Porcos: cartão-postal é parada na trilha pela Costa Esmeralda

Baía dos Porcos: cartão-postal é parada na trilha pela Costa Esmeralda Foto: Eduardo Vessoni

 


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