Festa o ano todo: outros rituais

Quem segue o calendário romano se prepara para receber 2011 nesta semana. Mas, ao redor do globo, outras culturas têm jeitos particulares para virar o ano. Em diferentes datas

Adriana Moreira - O Estado de S. Paulo,

28 Dezembro 2010 | 14h22

Festejar as conquistas, renovar as esperanças, recomeçar. O primeiro dia do novo ano parece ser dotado de poderes especiais: é como se tudo o que foi ruim no ano anterior pudesse ser apagado e o seguinte trouxesse novos sonhos e possibilidades.

 

Por aqui, a meia-noite do dia 1.º é celebrada com multidões vestidas de branco, que pulam as sete ondas e ficam boquiabertas diante dos fogos de artifício. A virada do ano no calendário romano, porém, não é única. Outras culturas também têm seus rituais, em celebrações que ocorrem ao longo do ano, como você conhecerá nesta página.

 

O judaico, por exemplo, segue o calendário lunar - é comemorado no primeiro dia do mês tishre, entre setembro e outubro. E, embora seja muito mais intimista que festivo, tem costumes que vão parecer familiares até para quem não tem muito contato com a cultura. Quer um exemplo? Comer lentilhas na noite da virada. "Feijões e lentilhas costumam fazer parte da mesa no Rosh Hashaná porque dão a ideia de multiplicar, trazer mais coisas boas", explica Cecília Ben David, coordenadora pedagógica do Centro de Cultura Judaica, em São Paulo.

 

O ano-novo chinês, que também acompanha o calendário lunar, é comemorado em boa parte da Ásia, geralmente em fevereiro. Cada ano é regido por um dos doze animais do zodíaco chinês - 2011 será do coelho. Segundo a lenda, Buda convocou todos os bichos para ajudá-lo. Os que vieram ganharam um ano como homenagem, na ordem em que chegaram. O primeiro foi o rato.

 

E, veja só, os fogos que soltamos por aqui também têm influência asiática: o barulho e as luzes espantariam todos os maus espíritos.

 

Nas civilizações andinas, o dia em que o sol se distancia mais da Terra, o solstício de inverno (entre 20 e 21 de junho no Hemisfério Sul), marca a chegada de um novo ano. Não é raro encontrar construções erguidas de maneira que, na data, a luz do astro incida de uma forma especial. Os incas costumavam sacrificar uma lhama em homenagem ao sol - costume reproduzido na cerimônia de Sacsayhuamán, em Cuzco.

 

Chinês: Fogos e Lanternas em fevereiro

Fogos na Victoria Bay, em Hong Kong. Foto: Adriana Moreira/AE

 

Ruas coloridas, repletas de lanternas em forma de templos, de dragões e até mesmo de crianças, como na foto ao lado. O ano-novo chinês é o principal feriado da China continental - e também dos territórios independentes de Hong Kong e Macau, além de Taiwan. Definido pelo calendário lunar, dura de cinco a dez dias e ocorre em fevereiro - em 2011, começa dia 3, regido pelo coelho.

 

Nessa época do ano, ruas, lojas e voos ficam disputadíssimos. A saudação kung hei fat choi, para um feliz ano- novo, está presente em toda parte. E os mais velhos presenteiam os mais novos com envelopes de dinheiro (lai si). Nem é preciso ser da família para receber um.

 

Pequim

www.visitbeijing.com.cn

Há diversas feiras espalhadas pela capital - muitas delas ficam próximas a templos -, que se transformam em palco para shows de acrobatas e dançarinos. No último dia das comemorações, o Festival de Lanternas reúne uma multidão na Rua Qianmen.

 

Hong Kong

http://www.discoveryhongkong.com/

As festividades em 2011 vão de 28 de janeiro a 14 de fevereiro. O Flowers Market, ou mercado das flores, é parada obrigatória - ali o turista encontra diversos itens para presentear. A festa tem dois momentos principais: a parada (dia 3) pelas ruas de Kowloon, com carros alegóricos e shows folclóricos, e os fogos na Victoria Bay, que explodem ao ritmo de música clássica (dia 4). Chegue cedo para pegar um bom lugar, mesmo se tiver ingresso para as áreas privadas.

 

Macau

http://www.macautourism.gov.mo/

As danças do leão e do dragão, em que bailarinos realizam acrobacias ao som de tambores, são realizadas no centro da cidade. Em várias áreas do território há explosões de fogos de artifício - uma das mais disputadas é realizada nas proximidades da Macau Tower.

 

Taiwan

eng.taiwan.net.tw

O destaque absoluto das celebrações na ilha vai para o Festival de Lanternas. Na capital Taipé, esculturas gigantescas - algumas têm até movimento - desfilam no memorial que homenageia o presidente Chiang Kai-shek.

 

Andino: Bênçãos de xamãs de solstício

 

Amanhecer em Machu Picchu. Foto: Adriana Moreira/AE

 

O culto ao sol foi uma das marcas da civilização inca. E mesmo com o fim de seu poderoso império, a celebração do Inti Raymi se manteve. Em 24 de junho, o sítio arqueológico de Sacsayhuamán, em Cuzco, no Peru, fica lotado de turistas e moradores para relembrar a Festa do Sol.

 

O evento, embora seja o mais famoso, não é o único. O Inti Raymi está relacionado ao ano-novo andino, comemorado sempre no solstício de inverno, quando o sol fica mais distante da terra - a data pode variar entre 20 e 21 de junho. Em Cuzco, porém, a festa ocorre na mesma data de aniversário da cidade.

 

Quem vai a Machu Picchu no ano-novo andino encontra o sítio arqueológico repleto de xamãs, que oferecem folhas de coca aos deuses e realizam rituais. Saia logo nos primeiros ônibus que partem do vilarejo de Águas Calientes para ver o amanhecer na cidadela - e evitar as multidões.

 

Tiwanaku, na Bolívia, também recebe cerimônias especiais para celebrar a data. Distante apenas 1 hora de La Paz, o sítio arqueológico foi bastante modificado, mas ainda assim impressiona. Ali, o ritual é realizado de acordo com a cultura aimara.

 

No lugar de festa, reflexão

 

Muro das Lamentações, em Jerusalém. Foto: Darren Whiteside/Reuters

 

Ao invés de festa, reflexão. O Rosh Hashaná, o ano-novo judaico, é para ser celebrado em família e com orações na sinagoga, refletindo sobre o que mudar em si próprio. A celebração ocorre entre setembro e outubro - ou no 1.º e 2.º dias do mês tishre.

 

Visitar Jerusalém nessa época é significativo. Milhares se dirigem ao Muro das Lamentações, única parte que sobrou do Templo de Jerusalém, erguido pelo Rei Salomão em 957 a.C. e reconstruído quase 600 anos depois. O templo marcaria o elo com Deus.

 

Durante o Rosh Hashaná, milhares de pessoas oram no local. Fora do feriado, é costume deixar pedidos nas frestas das pedras.

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